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Yanukovich diz que ainda é o presidente e comandante em chefe da Ucrânia

O líder deposto Viktor Yanukovich garantiu, esta terça-feira (11), que continua a ser o legítimo presidente e comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia, e conclamou os militares a contestarem “ordens criminosas” dadas por seus inimigos.

Yanukovich, que fugiu para a Rússia no mês passado, atacou o “bando de ultranacionalistas e neofascistas” que substituiu o seu governo, e criticou os apoiantes ocidentais do novo Executivo. “Quero perguntar aos clientes dessas forças sombrias do Ocidente: vocês ficaram cegos? Esqueceram o que é o fascismo?”, disse Yanukovich em Rostov-na-Donu, no sul da Rússia, onde fez a sua segunda aparição desde a deposição, a 22 de Fevereiro.

Yanukovich foi destituído depois de três meses de violentos protestos populares, desencadeados pela sua decisão de rejeitar um acordo de livre comércio com a UE, levando em vez disso a Ucrânia a aproximar-se economicamente da vizinha Rússia.

“Tenho certeza de que os oficiais e os soldados da Ucrânia… sabem o quanto vocês valem e não cumprirão as suas ordens criminais”, disse Yanukovich, dirigindo-se aos novos governantes da Ucrânia e prometendo que eles serão responsabilizados pela morte de dezenas de pessoas durante as manifestações.

Também segundo Yanukovich, os actuais líderes da Ucrânia “querem incluir combatentes de organizações nacionalistas nas Forças Armadas, colocar armas nas suas mãos… desencadear uma guerra civil”. O líder deposto qualificou de “ilegais e ilegítimas” as eleições marcadas para 25 de Maio, e disse que voltará a Kiev “assim que as circunstâncias permitirem”.

Trata-se de uma promessa ousada por parte de um homem cuja autoridade foi desprezada pelo Ocidente e questionada pela Rússia, e que iniciou o seu pronunciamento declarando apenas que continua vivo. Ao final, deixou a sala sem responder a perguntas.

Comentando o impulso separatista da região ucraniana da Crimeia, que parte da população e dos políticos deseja unir à Rússia, Yanukovich admitiu que a península está “se separando” da Ucrânia, e disse que a culpa é dos seus inimigos.

Yanukovich criticou também os planos dos EUA de ampliar a ajuda financeira à Ucrânia, e lembrou que há uma lei dos EUA que proíbe a ajuda a autoridades estrangeiras ilegítimas. Prometeu levar a questão ao Congresso e à Suprema Corte dos EUA. “Vocês não têm o direito, segundo as suas próprias leis, de darem dinheiro a bandidos”, afirmou.

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