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Telma Kamuleta: “a coqueluche da beleza moçambicana!”

Telma Kamuleta: “a coqueluche da beleza moçambicana!”

Filha de um cidadão congolês e de uma moçambicana, a vencedora da segunda edição do Elite Model Look Moçambique, Telma Kamuleta, passou os primeiros anos da sua vida confusa em relação à sua nacionalidade. Com apenas 15 anos de idade, a modelo irá representar (em Novembro próximo) a beleza do País da Marrabenta em Xangai.

Confessa que lhe abespinha a escassez de consciência que algumas modelos têm em relação às exigências da área em que actuam. Diz que “se comportam como se tivessem caído de pára-quedas nas passarelas”, no entanto, curiosamente, é desse modo que, depois de longos anos de profundo envolvimento com o mundo do basquetebol, a vencedora da II edição do Elite Model Look Moçambique se descobriu no evento.

Para muita gente, incluindo as suas colegas a quem “derrotou” no certame, a posição de Telma Kamuleta pode representar uma grande contradição, o que não é verdade. A rapariga fala com grandes convicções. É como se a sua relação com o mundo das passarelas fosse de longos e sofridos anos de trabalho árduo, o que também não é verdade.

A realidade é que Telma, uma jovem alta, magra, negra, com uma altura invejável para as posições de poste (no basquetebol) e, apenas, com apenas 15 anos de idade teve o sonho de ingressar nas lides da moda e, por extensão, na vida de modelos em 2011, altura em que, por diversas razões, com particular destaque para os receios do seu pai, Jack Saide Kamuleta, foi obrigada a protelar o seu plano.

De uma ou de outra forma, a adolescente não desistiu. Em princípios do ano em curso, Telma engendrou um plano mirabolante perante o qual todos os entraves, incluindo a desconfiança do pai, foram removidos.

E, do nada a recém-tornada modelo chegou ao mundo que, ao que tudo indica, sempre lhe esperou. Participou no Elite Model Look Moçambique, certame para o qual acorreram mais de três dezenas de mulheres, até que se sagrou vencedora.

Nos finais do ano em curso a jovem manequim irá representar o país no mesmo evento (desta vez com cariz internacional) que terá lugar em Xangai, na China. Admita-se, então, que a história de Telma Kamutela podia ser contada de forma diferente.

Do basquete às passarelas

“Eu não sei como é que se iniciou a minha relação com as lides da moda. Facto, porém, é que jogo basquetebol há bastante tempo. Provavelmente a minha altura seja a herança do meu envolvimento no desporto. No princípio, eu acreditava que era uma atleta muito boa”, considera, para num outro desenvolvimento, acrescentar que, no entanto, “dei conta de que possuía um bom corpo e uma altura adequada para ser modelo. Comecei a apreciar a moda de modo que, no ano passado, gostaria de ter participado no Elite Model mas o meu pai, não sei por que razão, não permitiu”.

Em resultado disso, este ano “quando decidi participar no evento não comuniquei aos meus pais sobre a decisão. Apenas concorri!”. Isso significa que “eu descobri que tinha algumas qualidades adequadas para ser modelo e, havendo a iniciativa do Elite Model Look Moçambique, fui tentar a sorte e consegui ser bem-sucedida”.

Refira-se que ainda no ensino primário, Telma Kamuleta participou em diversos torneios de basquetebol infantil, jogando pela Escola Primária Filipe Samuel Magaia tendo, mais noutro desenvolvimento, passado a fazer parte do Clube Ferroviário de Maputo, no escalão juvenil.

Porque, para si, o facto de o basquete ter sido aparentemente um catalisador da sua altura, tal revela-nos que automaticamente criou-se-lhe algum desconforto: “estava a ficar muito alta. E, nessa época, não detestava a minha altura. Eu era a atleta mais alta de todas as minhas amigas/colegas do clube. Então, era como se eu fosse a miúda mais velha do colectivo”, diz.

Trair o sonho do pai

De acordo com Telma Kamuleta, ainda que o seu pai fizesse questão de que ela fosse jogadora de basquetebol, o que impeliu-lhe a aconselhá-la neste sentido, a sensação de estar nas passarelas e o pendor que tinha para a respectiva área moveu-lhe a desistir do desporto.

No entanto, “apesar de que os meus pais gostavam muito que eu jogasse basquete, eu decidi que tinha que interromper”, diz ao mesmo tempo que começara a engendrar um mecanismo de “travar uma conversa com o meu pai no sentido de avaliar as possibilidades de ele permitir que eu me tornasse modelo. Recordo-me de que ele comentou que essa não era a sua preferência.

Era a favor da ideia de ter uma filha que fosse uma referência do basquetebol moçambicano. Só que, a par disso, eu pedi informações à minha mãe acerca do local onde se realizariam os castings do Elite Model Look Moçambique, ao que ela me facultou: lancei-me na disputa e, nos dias que correm, do nada, passei a ser manequim. Mais importante ainda é que tenho muitos planos em relação à mesma área”, considera a jovem.

Quando se questionam as razões da desconfiança do seu pai em relação à vontade da filha de se envolver na moda, descobre-se que há muitos motivos envolvidos além do simples facto de “eu ser a sua única filha”.

A verdade é que “algumas cenas deploráveis sobre as quais a imprensa tem reportado em relação à vida das modelos, mas, acima de tudo, o facto de eu não querer viver em Moçambique depois de a minha carreira evoluir pode ter sido o grande fundamento da refutação do meu pai em relação à minha pretensão”, diz em expressão de desconfiança.

Abandonar o país

Assumida fã da modelo e actriz brasileira Gisele Bundchen, Telma Kamuleta revela que quando a sua carreira evoluir não tenciona viver em Moçambique. Aliás, para esta decisão, não lhe faltam argumentos.

“É que apesar de, presentemente, surgirem/ haver algumas iniciativas dinamizadas localmente em relação à moda, as mesmas ainda são muito poucas e, pior ainda, acontecem com uma periodicidade fixa”.

Por exemplo, no Mozambique Fashion Week, o maior evento de moda que existe no país, “tem como meta descobrir apenas uma modelo que é destinada a ser explorada pelos estilistas: muito pouco para quem se propõe levar uma vida de passarelas com muita vibração”, diz.

Ou seja, “a minha impressão é de que, no Mozambique Fashion Week, as modelos não estão muito bem alinhadas. Elas não realizam bastante as actividades certas da sua área de actuação como, por exemplo, a necessidade de uma manequim aprender algo sobre atitude. Há modelos, por exemplo, que, estando na passarela, se comportam como se tivessem caído de pára-quedas, o que não é correcto”.

“Penso que as modelos devem ter a consciência das actividades que fazem. As razões de estarem a realizar tais tarefas. Enfim, eu sinto que falta um pouco de garra e planificação dos objectivos em relação ao trabalho que se faz. Por isso nós, as modelos, precisamos de ignorar o que algumas pessoas (mal (in)formadas) dizem sobre as acções que desenvolvemos e concentrarmo-nos, cada vez mais, nas nossas tarefas”.

É em função de todos estes aportes que Telma Kamuleta considera que “caso eu evolua, na minha carreira profissional como modelo, não vou querer viver em Moçambique. Pode-se dar o caso de eu vir, frequentemente, visitar o país. Ou seja, eu até posso viver no nosso país, mas o que sinto é que passarei a maior parte do ano no estrangeiro”.

Manutenção física

Antes de participar no concurso do Elite Model Look Moçambique “o meu corpo não havia sofrido nenhuma transformação em função de determinada manipulação. Não tinha nenhum cuidado específico em relação ao mesmo. Eu comia (quase) todo o tipo de alimentos, apesar de existirem algumas iguarias de que não gosto. Por exemplo, presentemente, não tenho consumido refrigerantes além de sumos naturais. Tenho feito exercícios de manutenção física, porque penso que é bom”.

O que se pretende dizer é que “a maior parte de algumas práticas que realizo agora não era realizada de forma metódica antes de participar no certame. De qualquer modo, agora estou mais atenta a tudo o que faço de modo que não possa engordar até à data da minha viagem para Xangai”.

Partindo do princípio de que representar Moçambique no Elite Model Look Internacional representa o resultado de um trabalho árduo e sofrido, é natural que se compreenda que a segunda fase é mais complexa ainda. Qual será o objectivo principal que a modelo se propõe atingir?

Feita a questão, esta não mereceu outra resposta senão o facto de que “não tenho grandes expectativas de ser a vencedora porque acredito que no Elite Model Look Internacional, o júri aprecia mais a modelos muito magras, o que eu não sou, daí que a minha crença é de que ficarei entre as 15 melhores modelos, o que passa por eu fazer um trabalho sério e contínuo de manutenção física”, considera acrescentando que, na verdade, “o meu objectivo não é emagrecer, afinal, se gostaram de mim como sou, não devo sofrer muitas transformações. Tenho de manter a forma. Acho que isso é importante para que não possa contrair complicações de saúde”.

A caminho de Xangai

Nos interstícios do término do Elite Model Look Moçambique e do Elite Model Look Internacional a ter lugar na cidade de Xangai, no fim do ano, pessoalmente Telma Kamuleta tem realizado muitos exercícios de preparação: “frequentemente tenho andado de sapato de salto alto; frequento o ginásio, penso que falarei com o produtor do Elite Model, João Ribeiro, para me assessorar em relação ao mesmo trabalho”.

Enquanto a viagem para a China não acontece, uma grande crença engendra-se na mente de Kamuleta: “penso que quando eu voltar de Xangai a minha vida irá mudar muito”, afirma ao mesmo tempo que adiciona mais um cidadão que lhe solicita amizade no seu mural do Facebook.

Aliás, diz, “agora a minha vida tem sido um pouco mais complicada. Basta a minha saída de casa para a rua para sentir o peso da fama. Acredito que será mais complicado ainda quando voltar à escola porque, apesar de ainda não terem começado a pedir-me autógrafos, as pessoas querem saber de tudo sobre o meu envolvimento no Elite Model Look Moçambique”.

Na verdade, provavelmente, “o meu objectivo não seja tanto ser a vencedora do Elite Model Look Internacional, mas, a partir da minha participação no Xangai, poder despertar a atenção dos patrocinadores internacionais da moda em relação à minha figura. Ora, se puder ser a vencedora penso que seria muito melhor”, esclarece.

Quem é Telma Kamutela?

Telma Kamutela é uma adolescente de 15 anos, residente do mítico bairro de Mafalala e vencedora da segunda edição do Elite Model Look Moçambique. Além disso, ela é estudante do curso de Contabilidade na Escola Comercial de Maputo.

É a respeito da sua formação que, em jeito de brincadeira, considera que “gosto de dinheiro” para num outro desenvolvimento elucidar que “adoro uma vida ligada à gestão da vida empresarial. Isso deixa-me constantemente com a auto-estima elevada”.

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