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Receberam “sete milhões” de Erati e fugiram para Niassa

Um cidadão do Posto Administrativo de Alua, distrito de Erati, província nortenha de Nampula, disse haver pessoas que, depois de beneficiarem do fundo de investimento de iniciativas locais, simplesmente desapareceram daquele ponto do pais.

Essa queixa foi apresentada por Maurício Monteiro falando durante o comício orientado esta quinta-feira pelo Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, em Alua, primeiro local por ele visitado neste primeiro dia da Presidência Aberta e Inclusiva a província de Nampula. Maurício é membro do Conselho Consultivo local, órgão que decide sobre a atribuição deste fundo dos ‘Sete Milhões’ (dado a cada um dos 128 distritos do país) para financiar projectos de geração de comida e emprego, e levantou-se para explicar as dificuldades enfrentadas por este grupo no seu trabalho.

“Há outros que quando levam dinheiro não devolvem e dizem que é oferta do Estado. Muitos abandonaram aqui e agora estão em Nampula (a capital provincial, localizada a cerca de 220 quilómetros de Alua) e em Niassa”, disse. Monteiro negou as acusações de Mário Milaveque, que disse ao estadista moçambicano que naquele ponto do país os ‘Sete Milhões’ apenas são atribuídos a chefes de famílias abastadas e nem são usados para a criação de postos de trabalho ou produção de alimentos.

“Se nós visitarmos cada uma das casas, vamos encontrar viaturas adquiridas com esses valores”, disse Milaveque, tendo logo sido largamente aplaudido pela vasta multidão presente no comício popular. Maurício Monteiro desmentiu essas acusações, justificando que, naquele posto administrativo, este fundo é, de facto, usado para os propósitos estabelecidos pelo Governo.

Ele apontou, com exemplo disso, o facto de agora haver gado bovino e moageiras em Alua. Outros intervenientes neste comício saudaram o Presidente Guebuza pelos feitos do seu Governo nos últimos anos que contribuíram para a melhoria das condições de vida no posto, sendo um dos exemplos disso é a existência de uma escola secundária.

Contudo, eles reclamam a reabilitação da estrada ligando Alua a Namapa, a sede do distrito de Erati, num troço de 20 quilómetros, a electrificação do posto e, sobretudo, do hospital local, bem como a criação de uma sala anexa a escola secundária local para leccionar cursos de ensino superior.

Os professores, particularmente, pedem que seja acelerado o processo das suas promoções uma vez que agora tem sido bastante lento, chegando a existir casos de profissionais deste ramo já a beira da reforma mas ainda ostentando um escalão inferior.

Reagindo a essas intervenções, o Presidente da República prometeu que essas preocupações servirão de base de trabalho do Governo. Em relação ao pedido da introdução do ensino superior, Guebuza disse que actualmente os estudantes graduados do nível médio podem frequentar o ensino superior por correspondência, sem com isso precisar de ter uma sala anexa na escola secundária local.

“Nós vamos continuar a lutar contra a pobreza. Esta luta não é fácil, mas é a que escolhemos e está a produzir resultados. Nós queremos muito mais e vamos trabalhar para isso”, disse. Durante a sua visita a província de Nampula, que termina na próxima segunda-feira, Guebuza vai continuar a privilegiar encontros com as populações e representações do Governo nos postos administrativos dos distritos de Lalaua, Nacala, Nacala Porto, Mossuril, Moma e Mogincual. A delegação presidencial integra o Embaixador malawiano acreditado no pais, bem como alguns membros do Governo e quadros das diversas instituições do Estado.

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