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Protesto contra censura a jornal resulta em confusão na China

A polícia chinesa interveio para apartar conflitos em frente à sede de um influente semanário de Cantão, Terça-feira (8), enquanto as autoridades comunistas sinalizam uma posição mais dura contra jornalistas que desafiam a censura oficial.

Pelo segundo dia consecutivo, uma multidão reuniu-se em frente ao prédio do liberal Semanário do Sul, protagonista de uma rara e significativa revolta contra o controle das autoridades sobre a imprensa em Guangdong, a mais próspera e liberal província chinesa.

Guangdong foi o berço das reformas iniciadas há três décadas e que levaram a China ao status de segunda maior economia mundial. A reacção do partido ao impasse serve como termómetro para as eventuais inclinações reformistas do novo líder do país, Xi Jinping.

Os conflitos aconteceram quando os simpatizantes do jornal, publicado às Quintas-feiras, vaiaram e empurraram um pequeno grupo de manifestantes de esquerda que carregavam posteres do falecido dirigente Mao Tse-tung e cartazes qualificando o Semanário do Sul como “jornal traidor”, por desafiar o regime do Partido Comunista.

“Essas pessoas são agitadores pagos do governo, distorcendo a verdade com propaganda. Tínhamos de fazer algo a respeito”, disse o manifestante Cheng Qiubo, da ala pró-liberdade de imprensa.

Dezenas de policiais precisaram de intervir, mas os protestos foram autorizados a continuar. Dois técnicos com uma escada tentaram instalar uma câmera de vigilância no galho de uma árvore da rua, mas foram prontamente cercados por uma multidão enfurecida, e desistiram.

O impasse no Semanário do Sul, tradicionalmente visto como um farol do jornalismo independente e aprofundado na China, começou no final da semana passada, quando os repórteres da publicação acusaram os censores de substituir uma carta de Ano Novo aos leitores, que defendia a instauração de um governo constitucional, por um texto que louvava os feitos do Partido Comunista.

Vários manifestantes foram chamados a delegacias locais para serem interrogados, segundo uma blogueira conhecida como Ran Xiang JieJie, que apontou nisso uma subtil “intimidação” contra os activistas.

Uma suposta portaria baixada pelo Departamento Central de Propaganda, em Pequim, está a circular amplamente nos círculos jornalísticos, e sugere que as autoridades podem reforçar o seu controle.

Embora a Reuters não tenha podido verificar de forma independente o teor do documento, um jornalista do Semanário do Sul e do China Digital Times mostrou o que ele disse serem cópias da portaria, em que as autoridades reafirmam o direito do partido à censura, ao mesmo tempo em que manifesta apoio ao chefe de propaganda em Cantão, Tuo Zhen, alvo de pressão para que renuncie.

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