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Os problemas que Amurane vai herdar

Os problemas que Amurane vai herdar

O actual edil de Nampula, Castro Sanfins Namuaca, diz ter cumprido o seu manifesto eleitoral em cerca de 94 porcento. Porém, as suas realizações são praticamente invisíveis. Os munícipes queixam-se de problemas de natureza diversa, desde a deficiência das vias de acesso, falta de água, passando pelo desordenamento territorial até à ineficiência na recolha de lixo. Além disso, os semáforos estão avariados há mais de cinco meses e, aliadas a essa situação, estão as obras de estradas malparadas.

Numa altura em se que prepara para entregar as pastas ao edil Mahamudo Amurane, eleito no último escrutínio de 01 de Dezembro passado, o presidente do Conselho Municipal de Nampula, Castro Namuaca orgulha-se de ter cumprido o manifesto eleitoral em cerca de 94 porcento. Mas esqueceu-se de que prometeu ao eleitorado um cumprimento em mais de 100 porcento.

Os munícipes de Nampula esperavam maior dinamismo do elenco de Namuaca de modo a garantir a materialização das actividades programadas. Os assuntos que eram vistos como prioritários não foram resolvidos. Por exemplo, o problema relacionado com a falta de abastecimento de água prevalece no seio das famílias residentes nos bairros periféricos da urbe, e as vias de acesso continuam com as mesmas condições de intransitabilidade. As zonas residenciais em expansão não foram, no período de cinco anos de governação, ordenadas. Os moradores ainda convivem com o lixo, mesmo estando a pagar a taxa mensal para a sua remoção.

Um pouco por toda a cidade de Nampula existem obras de reabilitação e de asfaltagem de vias de acesso que se encontram em estado de abandono. A título de exemplo, destaca-se a rua dos 40 metros no bairro de Muhala-Expansão e a segunda faixa da Avenida Eduardo Mondlane. Existem ainda estradas onde não há indícios de intervenção, como são os casos da via que liga a zona do Agricom à Avenida Eduardo Mondlane e a outra que liga o mercado 7 de Abril ao Instituto de Formação de Professores.

As obras de asfaltagem das ruas da França e de Moma não foram concluídas. Não se sabe onde foram parar os fundos do projecto, tendo em conta que os respectivos empreiteiros estavam já a trabalhar. Os residentes dos bairros de Carrupeia e Muatala, onde estavam a ser desenvolvidas as obras de reabilitação das vias, tinham esperanças de ver as mesmas melhoradas.

O mais preocupante é que já estão a ser invocados problemas de natureza financeira por parte dos empreiteiros. “Se eu fosse um estudante de uma faculdade, teria uma nota de distinção. Não é qualquer estudante que consegue 94 pontos dos 100 pontos. Temos apenas seis pontos que dependem, efectivamente, do professor”, disse Namuaca.

Semáforos avariados há cinco meses

Na cidade de Nampula, os semáforos estão avariados há sensivelmente cinco meses. O trânsito é praticamente insuportável e a confusão que se instala nos entroncamentos das ruas, sobretudo, na hora de ponta, é preocupante. Os automobilistas voltaram a conduzir nas mesmas situações de há cinco anos. Os cortes de prioridade não constituem novidade, o que vem incrementar os casos de acidentes de viação. Os operadores de mototáxis são os que mais transgridem o código de estrada.

O problema que se regista nos semáforos está a criar uma situação de caos. O edil Castro Namuaca desdramatizou o cenário, afirmando que aqueles reguladores de trânsito não estão avariados, porém, é necessário fazer-se a sua substituição. Entretanto, garantiu que algum material para a sua reparação foi importado da China, porque não existe no mercado nacional. “Os semáforos não têm nenhuma diferença com as lâmpadas das nossas casas, que depois de algum tempo precisam de ser substituídas”, explicou.

“Os munícipes não merecem viver na cidade”

Numa situação de fracasso do plano de actividades e sem querer assumir a ineficiência no que diz respeito ao processo de recolha de lixo para manter a cidade limpa, Namuaca virou o cano para os munícipes, afirmando que os residentes do terceiro maior centro urbano de Moçambique não merecem viver numa cidade, porque o seu comportamento não dignifica aos moçambicanos.

Este ataque foi proferido na tentativa de justificar as fraquezas na recolha de resíduos sólidos. A produção diária de lixo aumentou significativamente e a edilidade mostra-se incapaz de resolver o problema. O edil acrescentou que os moradores dos bairros periféricos de Nampula têm falta de civismo quanto ao tratamento de detritos. Namuaca acusou as pessoas de não saberem cuidar dos seus quintais.

“A recolha do lixo está a falhar, porque não há coordenação entre o comportamento dos munícipes, equipamentos de trabalho suficientes e os recursos financeiros”, disse Namuaca enfatizando a questão da falta de civismo por parte dos munícipes: “Mesmo que tenhamos uma viatura e um tractor para cada família, enquanto prevalecer a falta de bom comportamento, não teremos nenhum trabalho feito”.

Problemas de água, energia e saneamento

Para quem deixa a zona cimento e entra pelos bairros da cidade de Nampula, se depara com um cenário diferente e incomum. As casas estão a ser construídas de forma desordenada, não respeitando a questão das vias de acesso.

Além disso, o saneamento é deficiente. As águas das chuvas não são escoadas, o que deixa os bairros alagados e coloca em perigo a vida das pessoas. Quanto a isso, os munícipes dizem que as valas de drenagem são ineficientes. Há quem diga que o cenário ocorre sob o olhar impávido e sereno das autoridades municipais, pois nada foi feito durante os cinco anos de governação com vista a melhorar a situação. A problemática da fraca qualidade de energia continua em muitas zonas residenciais. Os casos de oscilação da corrente são frequentes, o que provoca a danificação de electrodomésticos.

O drama de falta de água potável nos bairros não foi resolvido. A questão do precioso líquido parece estar esquecida. Porém, no período chuvoso, a barragem que abastece a cidade aumenta o seu nível e a capacidade de fornecimento melhora. A ginástica repete-se todos os anos, principalmente quando se chega à época seca em que todas as fontes ficam praticamente desprovidas de água.

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