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A casa que acolhe e molda homens para o futuro

A casa que acolhe e molda homens para o futuro

No bairro Massaca 1, algures na província de Maputo, jaz um imponente edifício chamado Casa do Gaiato, um abrigo também conhecido por “Casa da Esperança”, para pessoas desgraçadas oriundas de várias partes do território moçambicano, que por diversos motivos e de diferentes formas vão ali parar. Contudo, passado algum tempo, elas tornam-se homens de sucesso. No interior daquele domicílio é possível ouvir múltiplas histórias mescladas de frustrações e superações, dignas de serem contadas e difundidas através das salas de cinema.

A Casa do Gaiato acolhe rapazes cuja trajectória de vida faz brotar lágrimas e, simultaneamente, eles são um reservatório de momentos tristes e alegres, em virtude de alguns deles terem sido deliberadamente abandonados pelos pais. E se não fosse a benevolência dos gestores do domicílio que os acolhe, hoje, sem dúvidas, ninguém ouviria falar dessa gente, porque o tempo se teria encarregado de matá-la da pior forma possível.

Américo Lucas Torres guarda a mágoa de ter sido rejeitado pela sua progenitora aos quatro dias de vida. Ele ainda alimenta o sonho de conhecer pelo menos um familiar biológico, mas não a sua mãe. Aos 19 anos de idade, este nosso interlocutor é um retrato fiel da utilidade pública da Casa do Gaiato, um lar que ameaça encerrar as portas por causa da falta de meios financeiros para continuar a acolher gente que por múltiplas razões não pode gozar do carinho dos seus parentes.

A história de vida de Américo Lucas Torres, o qual não encontra palavras para exprimir a gratidão ao Padre José Maria Ferreira da Costa e à Irmã Quitéria Torres, por o terem acolhido ainda recém-nascido e incutido nele valores que o tornaram um homem íntegro, merece ser retratada em forma de ficção cinematográfica. Aliás, uma parte da história deste jovem, narrada pelo Sacerdote José Maria, já circula na Internet. Américo Lucas Torres é uma miscelânea de nomes de pessoas a quem ele “deve” a sua vida. O cognome Américo deriva do Padre (viveu entre 1887 e 1987) que fundou a Casa do Gaiato; o sobrenome surgiu pelo facto de o rapaz ter sido acolhido em Outubro, por sinal, a semana de São Lucas; e o apelido Torres foi dado em reconhecimento dos feitos da Irmã Quitéria em benefício da sua pessoa.

O nosso entrevistado conta que é natural do distrito de Boane, na província de Maputo, e nasceu em 1994. Após a sua mãe biológica ter dado à luz, quatro dias depois deixou-o com uma vizinha, idosa, chamada Adelaide, alegadamente para ir à casa de banho, porém, a senhora nunca mais foi vista. Devido à pobreza, a anciã, levou o recém-nascido para a “Casa da Esperança”, tornando- -se no primeiro bebé que acabava de vir ao mundo a ser acolhido. Com as lágrimas nos olhos, Américo Torres narra que foi amamentado por uma colaboradora do centro identificada pelo nome de Matilde. Neste momento, ele louva a Deus por ter colocado no seu caminho pessoas que lhe deram tudo e lhe ensinaram a ser um homem capaz de caminhar com os seus próprios pés.

O único senão da sua vida é a incapacidade de perdoar à sua progenitora. “Não consigo perdoá-la. Durante um ano fiz uma terapia A casa que acolhe e molda homens para o futuro No bairro Massaca 1, algures na província de Maputo, jaz um imponente edifício chamado Casa do Gaiato, um abrigo também conhecido por “Casa da Esperança”, para pessoas desgraçadas oriundas de várias partes do território moçambicano, que por diversos motivos e de diferentes formas vão ali parar.

Contudo, passado algum tempo, elas tornamse homens de sucesso. No interior daquele domicílio é possível ouvir múltiplas histórias mescladas de frustrações e superações, dignas de serem contadas e difundidas através das salas de cinema. com um psicológico, mas ainda assim a minha mágoa não desvanece, queria tanto perdoar mas não consigo. Não sou o único nesta casa a não conseguir perdoar.”

O encontro com a mãe

Aos 14 anos de idade, o jovem esteve pela primeira vez com a sua mãe biológica, pois as pessoas que o criaram tentam incentivá-lo a perdoar a sua ascendente. “Tarde de sábado, 08 de Março de 2008, foi o dia mais trágico da minha vida quando, na companhia dos meus pais (Padre José Maria e Irmã Quitéria), no Restaurante Cristal, no Museu, fiquei frente a frente com a minha mãe. Ela é um retrato do meu rosto (…) e quando vi a senhora tive vontade de fugir”.

Com a voz quase trémula, Américo Torres fez uma pausa, por alguns segundos fixou o olhar num ponto distante do local onde a nossa Reportagem conversava com ele e, de repente, fez um esforço tremendo e continuou a narrar: “por respeito aos meus pais (José Maria e Irmã Quitéria) dei um beijo na bochecha da senhora que é minha mãe. O irmão dela fez uma apresentação das pessoas que estavam com ela e todos falaram menos eu porque nada tinha a declarar. Num impulso levantei- -me e pretendia ir embora, ela começou a chorar”.

Aliás, o encontro entre Américo Torres e a sua mãe não foi casual. Em 2006, a irmã portuguesa e uma apresentadora de televisão, Catarina Furtado, igualmente embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e presidente da Associação Corações com Coroa, visitou a Casa do Gaiato com o intuito de colher informação para o programa “Príncipes do Nada”. Nesse ano, o seu guia na casa em alusão foi o jovem a que nos referimos.

Nessa altura, através do aludido programa, os parentes do rapaz ao verem as semelhanças entre ele e a sua mãe concluíram que só podia ser filho da senhora. Esta entrou em contacto com o Sacerdote José Maria e com a Irmã Quitéria. Nesse contexto, por intermédio do presidente daquela associação, apurámos que “os meus pais sempre apelaram para que nunca nos esquecêssemos das nossas origens e que devíamos manter laços com a nossa família biológica. A minha mãe apresentou-me o meu suposto pai biológico mas eu não o aceitei. Não consigo aceitá-lo nem acredito que ele seja meu progenitor de facto.”

Uma tentativa infrutífera

Depois de um trabalho contínuo de sensibilização, Américo Torres passou três semanas com a sua mãe em Nampula, porém, a convivência foi difícil e reavivou as mágoas que, talvez, estavam prestes a serem esquecidas. Segundo o jovem, a sua progenitora causou-lhe muita dor, fazia acusações descabidas, as quais não nos foram reveladas. “Um dia ela mandou-me organizar as minhas coisas foi-me deixar no aeroporto à noite, pagou o bilhete do voo para Maputo e com frieza livrou-se do seu próprio filho. Como posso perdoar uma mulher tão insensível?”, perguntou o rapaz, para quem o que agora importa é que “já sou um homem, cresci e com humildade posso atingir todos os meus objectivos.”

Um jovem independente

Além de ter tido uma formação em informática em Portugal, durante 18 meses, Américo Torres frequentou a escola, tendo atingido a 12ª classe, trabalha como um auxiliar administrativo e vive numa casa arrendada no bairro do Alto-Maé, em Maputo. Ele esteve também na Casa do Gaiato de Portugal, sonha em ser sociólogo ou gestor de empresas e para o efeito concorreu a duas vagas na Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Já não depende da Casa do Gaiato para sobreviver, mas sempre que pode visita os pais e irmãos do lugar onde foi criado. Jura que não pretende voltar a ver a mãe biológica, que vive em Nampula. A lição mais importante que aprendeu é a humildade, pois “um homem humilde consegue tudo o que quer.”

Uma origem desconhecida

Marques Faustino, de 17 anos de idade, não tem apelido e não sabe de onde veio. Ele é uma daquelas pessoas que estão condenadas pelo destino a não conhecer nenhum dos seus parentes biológicos. “Gostaria imenso de conhecer os meus pais mas até ao momento não tenho pistas nenhumas. Nada sei sobre eles”, desabafou ao @ Verdade o adolescente que, aos quatro anos de idade, foi levado do Hospital Central de Maputo directamente para a Casa do Gaiato. O Padre José Maria e a Irmã Quitéria receberam o menino e deram-lhe o nome pelo qual hoje é conhecido. Este ano, o rapaz vai frequentar a 11ª classena Escola Secundária Francisco Manyanga, uma vez que a Escola Comunitária Casa do Gaiato só lecciona até a 10ª classe.

Marques Faustino vive numa casa arrendada no bairro Ferroviário e as despesas são pagas pela Casa do Gaiato. Ele regressa ao centro aos fins-de-semanas. O seu sonho é ser engenheiro informático e já fez alguns cursos nesta área. A pessoa a que nos referimos é um exemplo inequívoco de como os meninos na condição dele podem ter um futuro hipotecado sem a Casa do Gaiato. Por isso, além de ter chorado quando o confrontámos com essa hipótese, Marques não quer imaginar a Casa do Gaiato encerrada por dificuldades adversas que até este momento tenta superar para não deixar muita gente desgraçada. “Seria o fim da minha vida. A Casa do Gaiato significa muito para mim, não só pela família que tenho, mas, também, por ser a minha casa. E eu nunca poderia ter a possibilidade de ser o que sou sem os meus pais José Maria e Quitéria.”

Uma batalha contra a tuberculose

António Gertrudes nada sabe sobre a sua família biológica. A única informação que tem é de que nasceu em Cabo-Delgado e, ainda bebé, viveu algum tempo na província de Gaza com uma das suas avós. Ele adoeceu e foi transferido para o Hospital Central de Maputo, onde ficou internado. Durante esse tempo, a anciã que cuidava dele morreu, tendo ficado sob os cuidados de uma médica.

Esta não teve outra alternativa senão deixar o menino no Infantário 1° de Maio, que funciona a poucos quarteirões do maior hospital do país. Entretanto, aos cinco anos de idade, António Gertrudes já não podia permanecer no infantário, por isso, foi transferido para o Infantário da Matola, onde começou a estudar na Escola Primária São Gabriel. Quando concluiu a 2ª classe foi transferido para a Escola Primária da Matola “A”, na qual estudou até a 5ª classe.

No Infantário da Matola, só eram admitidos petizes até aos 10 anos de idade, o que fez com que António Gertrudes passasse a viver na Casa do Gaiato, onde, segundo ele próprio, foi uma espécie de paraíso. O jovem não encontra adjectivos para qualificar o amor que teve do Padre José Maria e da Irmã Quitéria. Foi na “Casa da Esperança” que se tornou homem. Aprendeu a ser líder e durante anos foi chefe de um grupo de rapazes da sua idade e coadjuvava o Sacerdote José Maria.

Em 2007, o rapaz concluiu a 12ª classe e, em 2008,conseguiu o seu primeiro emprego como oficial de fabricação “B”, na empresa Cimentos de Moçambique. A Casa do Gaiato trabalhou muito para o efeito e tem sido assim em relação aos jovens que têm aquele local como seu lar.

Em 2009, António Gertrudes conheceu Zulfa Chaúque, com quem arrendou uma casa no bairro da Matola “A”, onde os dois vivem actualmente. Dessa relação nasceu um filho que, neste momento, tem 18 meses de idade. O casal já está a construir uma residência no bairro de Muhalaze. A esposa, visivelmente emocionada, quando fala do parceiro, por vezes lhe faltam palavras e considera-o um exemplo, afirmando que foi graças ao sofrimento que se tornou honesto e humilde.

Contudo, aos 30 anos de idade, António Gertrudes padece de uma tuberculose pulmonar e está em tratamento há um ano. Apesar de já não morar na Casa do Gaiato, por falta de fundos, ele recorre ao auxílio do Padre José Maria e da Irmã Quitéria para comprar os medicamentos. Naquela casa, o jovem aprendeu o ofício da carpintaria e a lição que obteve da aprendizagem foi que “desistir é uma atitude dos fracos”. Ainda em relação à sua saúde, ele reconhece que enfrentou maus momentos mas já está a melhorar. Relativamente ao encerramento do centro por falta de ajuda, António entende que se isso acontecer será “um crime contra a humanidade.”

Um futuro Malangatana

Ozias André Moyane, de 18 anos de idade, nasceu órfão de mãe. O seu maior drama é uma doença dermatológica, por isso não pode, em nenhuma circunstância, ficar muito exposto ao sol. Quando isso acontece fica com ferimentos graves. Ele nasceu na Massaca 1 numa família paupérrima, faz parte de quatro irmãos (dois casais de gêmeos) e o pai foi sempre desempregado.

Quem lhe trouxe para a Casa do Gaiato foi a Irmã Quitéria, há 14 anos, quando viu o menino doente, com muitas feridas no corpo, que sararam depois de um tratamento intensivo que levou bastante tempo. O jovem, que conta com algumas obras sonha um dia em ser um mestre das artes e inspira-se no falecido mestre Malangatana, com quem já esteve em Matalane, inclusive na “Casa da Esperança”. Ozias Moyane gosta, também, das obras da pintora portuguesa Cármen, a qual “elogiou as minhas telas e disse que tinha um grande potencial e futuro.”

O rapaz está matriculado para o ano lectivo 2014, na 11ª classe, na Escola Secundária Valente Ngwenha, e pretende dedicar-se exclusivamente às artes plásticas quando concluir o nível médio. Confrontado com a possibilidade de um dia a Casa do Gaiato vir a fechar por falta de apoios, sobretudo financeiros, Ozias Moyane disse que tal situação dificilmente poderia acontecer e nem ninguém quer pensar nessa hipótese.

“A Casa do Gaiato é um paraíso para muitos meninos, uma esperança para os abandonados e sem esta casa muito provavelmente eu não existiria. Através desta casa, a lição mais importante que tive, até este momento, foi: “come quem trabalha”, de acordo com o Padre Américo, fundador do centro.”

O baterista

Carlos Marcelino Nhanala, de 17 anos de idade, é natural da província de Inhambane, chegou à Casa do Gaiato nos finais de Janeiro de 2005 e, na altura, ele tinha nove anos de idade. Quando o pai faleceu, em 2004, o seu irmão mais velho decidiu viver com ele na capital moçambicana, mas teve problemas e regressou urgentemente para Inhambane, tendo o menino passado por necessidades. Todavia, as Irmãs de uma congregação religiosa no Ndlavela levaram Carlos Nhanala para a Casa do Gaiato. Hoje, ele frequenta a 9ª classe, sonha ser baterista e toca um instrumento para o efeito na capela daquele centro. Para além disso, o rapaz tem talento para o canto e o seu ídolo é o músico moçambicano Guerte Geraldo Bambo (G2).

“A minha vontade de aprender é maior do que as dificuldades, tudo o que as pessoas julgam difícileu procuro superar. Quero triunfar para tirar a minha família da pobreza”, disse o jovem convicto do facto de ter conhecimento sobre as realizações de inúmeras pessoas que hoje são independentes e reúnem as mínimas condições de sobrevivência graças à “Casa da Esperança”. Em 2008, Carlos Nhanala visitou a mãe em Inhambane e as despesas da sua viagem foram pagas pela Casa do Gaiato, pois esta defende que os meninos nunca se devem desligar das suas famílias independentemente do problema que houver ou que os separe. Segundo a Irmã Quitéria, o que aquele centro ensina sempre é que cada homem constrói o seu futuro.

 

Futuro sombrio para a Casa do Gaiato

Localizada no distrito da Namaacha, a Casa do Gaiato está há dois anos sem receber apoios. A unidade, que existe desde 1991, debate-se com insuficiência de meios financeiros para matéria-prima da carpintaria e incrementar a produção agrícola – explora actualmente cinco hectares dos 150 disponíveis. Efectivamente, a instituição de caridade acolhe 152 beneficiários, entre crianças e jovens.

A situação de precariedade vem desde 2011 quando a crise financeira mundial, que teve a sua génese no Ocidente, começou a afectar a capacidade de produção da Casa do Gaiato. O actual quadro pode, a curto prazo, deixar sem amparo um grupo de crianças e jovens que não reúnem meios para caminhar e sonhar com um futuro promissor. A criação de animais também baixou significativamente.

Serralharia encerrou as portas

A fraca produção agrícola é, para além da incapacidade financeira, causada por outros factores. A conduta que garantia água aos canteiros espalhos pelos 150 hectares foi entregue à comunidade que, ainda assim, sente na pele a escassez do precioso líquido. Com efeito, a serralharia e a fábrica de blocos encerraram as portas por falta de dinheiro para a aquisição de matéria-prima, revelou o director da Casa do Gaiato, o Padre José Maria.

A educação, pese embora os alunos contribuam com uma mensalidade, tornou-se insustentável devido à impossibilidade de garantir, com as suas receitas, o pagamento de salários de 32 professores licenciados que auferem 20 mil meticais, muito menos do que ganham no Aparelho do Estado. A escola conta com 670 crianças inscritas. No entanto, cerca de 30 porcento dessas menores não pagam nenhuma prestação pecuniária pelo facto de virem de agregados familiares desfavorecidos da comunidade. Outras 152 também estão isentas de pagamento porque vivem na Casa do Gaiato.

Prejuízos avultados causados pela EDM

Não se vislumbra um futuro risonho para as crianças uma vez que o mau serviço prestado pela Electricidade de Moçambique (EDM) vem causando prejuízos avultados àquela instituição de solidariedade. No decurso de 2012 cinco bombas de água queimaram por causa dos cortes diários e constantes oscilações de corrente. Os electrodomésticos e outros materiais que se danificam pelo mau fornecimento de corrente nunca são repostos.

“Não se justifica que num dia se registem dez ou mais cortes de energia e mesmo com conhecimento da situação a EDM nada faz para solucionar este problema, que está em parte a impedir a nossa auto- sustentabilidade”, desabafou a directora adjunta da Casa do Gaiato, Quitéria Torres.

 

Parceiros reduzem de forma drástica os apoios

Os problemas começaram a agudizar-se em 2011 com a retirada de parte considerável dos apoios canalizados pela Cooperação Portuguesa e Espanhola. Tal situação obrigou os responsáveis pela instituição a procurar meios internos para suprir o défice orçamental causado pelos cortes.

Sem alternativas para inverter o cenário, os responsáveis da casa encontraram nas actividades de geração de renda o único meio para garantirem a satisfação das necessidades básicas da unidade, com enfoque para a alimentação, educação adequada para as crianças e jovens órfãos e abandonados e o pagamento do salário dos 48 trabalhadores.

Decidiram apostar na produção de blocos, artesanato, carpintaria, serralharia, produção agrícola em grande escala, criação de frangos, gado bovino, ovino, caprino e suíno, para além de corte e costura. Porém, tais iniciativas não vingaram por falta de cabimento orçamental para garantir a aquisição de matéria-prima e ração e a manutenção das oficinas.

Trezentos mil euros para a construção de uma conduta de água

Quitéria Torres esclarece que a única forma de resolver o problema da falta de água é construir uma conduta. O problema, no entanto, reside no valor para dar corpo ao que se pretende. Ou seja, 300 mil euros. A implantação deste empreendimento, de acordo com a fonte, poderia minorar o sofrimento da casa e das comunidades circunvizinhas, para além de garantir a reactivação da produção agrícola em grande escala e, desta forma, reduzir a dependência externa.

União Europeia não dá luz verde

Da nova proposta de pedido de financiamento submetida à União Europeia (UE), para evitar que 22, das 152 crianças, que vivem na Casa do Gaiato, não percam abrigo e amparo ainda não há sinais encorajadores. Esta medida, de acordo com Quitéria Torres, visa conter as despesas diversas, que são muito elevadas quando comparadas com os lucros obtidos nas pequenas actividades de geração de renda. “Não podemos olhar somente para os parceiros de cooperação. A população pode ajudar a suprir a falta de meios para continuarmos a garantir um lar aos menores que aqui vivem”, acrescenta o Padre José Maria.

Contudo, Quitéria Torres realça que as áreas de educação de infância e cuidados de saúde para as camadas sociais desfavorecidas são suportadas pela Cooperação Portuguesa, a Fundação Moçambique Sul e a Cooperação Espanhola. No entanto, Quitéria Torres acrescenta que o único meio para sanar as dificuldades vividas na Casa do Gaiato passa pela aprovação do projecto submetido à União Europeia até ao final da primeira quinzena de Fevereiro, porque se assim não acontecer a situação vai agravar-se, sobretudo no que diz respeito à aquisição de alimentos, matéria-prima para a produção artesanal e outros serviços essenciais”.

A Casa do Casa do Gaiato precisa da nossa ajuda contacte a irmã Quitéria Torres pelo número de telefone celular +258823073805.

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