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Moçambola: Ferroviário de Nampula cedeu a liderança à Liga Muçulmana

Moçambola: Ferroviário de Nampula cedeu a liderança à Liga Muçulmana

Decorridas sete jornadas, a equipa locomotiva da cidade de Nampula perdeu a liderança do Campeonato Nacional de Futebol ao consentir um empate, sem abertura de contagem, diante do Desportivo de Nacala no estádio 25 de Junho. A Liga Muçulmana e o Maxaquene estão colados no topo da tabela classificativa, cada um com 17 pontos.

Depois da derrota diante do Costa do Sol, em partida da sexta jornada, o Ferroviário de Nampula tinha a obrigação de vencer o Desportivo de Nacala para continuar no topo da tabela classificativa. A jogar em casa, a locomotiva não conseguiu quebrar a tradição de perder pontos no derby “nampulense”, ao consentir um empate sem abertura de contagem, cedendo, desta forma, a primeira posição à Liga Muçulmana e a segunda ao Maxaquene.

Apesar da enchente que se verificou no estádio 25 de Junho, com uma assistência de cerca de cinco mil espectadores, dentro das quatro linhas os artistas da bola não foram capazes de apresentar um bom espectáculo de futebol, protagonizando uma partida monótona e com processos de jogo ofensivos previsíveis.

Mas tudo isto, diga-se em abono da verdade, deveu-se ao facto de a equipa do Desportivo de Nacala ter pautado por uma postura defensiva, revelando que pretendia, neste derby, complicar a vida do Ferroviário de Nampula. Akil Marcelino decidiu entregar a iniciativa do jogo ao adversário e montou uma defesa compacta com duas linhas defensivas compostas por nove homens, soltando somente um jogador que tinha a função de sair em contra-ataque.

Sem muitas opções no que diz respeito ao ataque, os donos da casa limitaram-se a circular mais a bola, sobretudo na zona do meio-campo, com o propósito de romper o sistema defensivo dos canarinhos. Contudo, todas as jogadas de perigo do Ferroviário de Nampula terminavam em remates de meia distância, salvo em situações de bola parada. E foi um pouco disto a que os cerca de cinco mil adeptos assistiram ao longo dos noventa minutos, para seu total desagrado.

No que aos lances dignos de registo diz respeito, o Desportivo de Nacala foi o primeiro conjunto a chegar à baliza contrária, no minuto 18, através de um portentoso remate de Carvalho que passou ao lado da baliza de Germano, depois de um longo passe de Osvaldo Sunde. Em resposta ao lance, o Ferroviário atacou a baliza contrária dez minutos mais tarde.

Num livre indirecto, Dondo colocou o esférico no centro da grande área canarinha e Skaba cabeceou, sem objectividade, para as mãos de David, apesar de o público ter gritado a palavra golo. A terceira oportunidade, ainda nestes primeiros 45 minutos, pertenceu novamente aos donos da casa, mas o cabeceamento de Eboh passou ao lado da baliza. Em dois momentos isolados, um no minuto 36 e outro bem perto do intervalo, o Desportivo de Nacala não soube tirar proveito da desatenção dos defesas adversários para chegar ao golo. Os remates desferidos por Sunde e Carvalho foram todos travados por Germano.

Na etapa conclusiva, o Ferroviário de Nampula refrescou o ataque com as entradas de Massaua, Max e Jerry, enquanto o Desportivo de Nacala fez totalmente o contrário, dando mais consistência ao sistema defensivo montado por Akil Marcelino. Terminados os 90 minutos, os canarinhos da cidade portuária eram indivíduos felizes, naturalmente por terem conquistado o precioso ponto diante do sensacional Ferroviário de Nampula.

Os donos da casa, por sua vez, apresentavam um semblante carregado, até porque aquele empate desnecessário, diga-se, comprometia a sua permanência no topo da tabela classificativa. Para todos os efeitos, nota negativa vai para os adeptos do Desportivo de Nacala que, durante o interregno, arremessaram vários objectos para o interior do rectângulo do jogo, numa altura em que a equipa de arbitragem seguia para os balneários. O árbitro principal do encontro, Dionísio Dongaze, foi atingido na testa, mas sem perigo.

A reacção dos intervenientes

Rogério Gonçalves, treinador do Ferroviário de Nampula, disse que o resultado foi injusto por aquilo que a sua equipa fez ao longo dos 90 minutos. Aquele técnico lamentou a postura defensiva canarinha que, na sua óptica, “nos impossibilitou de brindar este público com um bom espectáculo de futebol”. O treinador do Desportivo de Nacala, Akil Marcelino, visivelmente satisfeito com o empate, congratulou os seus atletas “por estarem a dar volta à situação, depois dos maus resultados que registámos no arranque desta competição”. Para o técnico canarinho, o mais importante foi não perder diante do líder.

Campeões nacionais em título sem travões!

Na mesma tarde em que decorria o derby “nampulense”, algumas antenas que se encontravam no estádio 25 de Junho, bem como na baixa da cidade de Maputo, concretamente no espaço do Clube dos Desportos da Maxaquene, sintonizavam a rádio de modo a acompanhar de perto os acontecimentos de Songo, local onde o HCB defrontava a Liga Muçulmana.

Depois do triunfo tricolor sobre o Ferroviário da Beira, na tarde de sábado (03), aos campeões nacionais em título interessa somente a vitória para não perderem de vista os lugares cimeiros da tabela classificativa, neste caso a segunda posição, independentemente do resultado do confronto entre o Ferroviário de Nampula e o Desportivo de Nacala.

Durante a primeira meia hora, Wetson Nyerenda cumpriu com a promessa de fazer sofrer a Liga Muçulmana, jogando incessantemente ao ataque. Todavia pecou por não conseguir manter a posse de bola, um método que impossibilitaria o crescimento dos muçulmanos. Volvidos cinco minutos, mercê de uma falha defensiva no que à marcação diz respeito, Babo recebeu o esférico isolado, no lado direito da grande área da Liga, e rematou para o fundo das malhas de Milagre.

Apesar do tento sofrido, os muçulmanos correram atrás do prejuízo e conseguiram restabelecer a igualdade no marcador à passagem do minuto 36, através de uma jogada de três toques. Liberty cruzou a bola para o centro da grande área, Jerry amorteceu e Momed Hagi disparou para o interior da baliza. Na etapa complementar, a Liga Muçulmana apertou ainda mais o cerco ao HCB que nunca mais conseguiu aparecer no confronto.

Depois de várias tentativas, os pupilos de Sérgio Faife Matsolo marcaram o golo da cambalhota no minuto 65, por intermédio de Liberty. Já perto do apito final, e como prémio do poderio ofensivo da Liga Muçulmana, penalizando um HCB que não se preparou devidamente para esta partida, Nando, do lado esquerdo do ataque, tirou um central do caminho e rematou para o segundo poste do guarda-redes Bruno, marcando o terceiro golo para a sua equipa.

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