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Há cada vez mais droga a circular no território nacional

Um relatório anual da Agência Internacional de Controlo de Drogas aponta Moçambique e Guiné-Bissau como os países de língua portuguesa que apresentam os problemas mais sérios relacionados com o tráfico de estupefacientes. Esta indicação, que não dignifica o país, deve-se ao facto de, de há tempos a esta parte, diferentes tipos de drogas, em quantidades significativas, terem vindo a ser apreendidas em diversos pontos do território nacional, incluindo aeroportos e fronteiras terrestres, o que concorre para que seja considerado um corredor privilegiado destas substâncias de consumo ilícito.

“A questão da droga é muito séria e, infelizmente, está a assumir contornos alarmantes no nosso país, que é usado como corredor”, reconheceu, em Outubro do ano passado, a ministra da Justiça, Benvinda Levi.

Dificilmente as autoridades conseguem deter os mandantes desses actos, uma vez que o tráfico de estupefacientes faz parte da categoria do crime organizado, cuja rede montada para este mal se estrutura de tal sorte que a identidade dos mentores seja protegida e nunca denunciada por aqueles que são encontradas a transportar as substâncias em causa.

Dos vários casos ocorridos em 2012, em Março do ano em curso, a Polícia da República de Moçambique (PRM) apreendeu, no Posto Fronteiriço de Namoto, distrito de Palma, Cabo Delgado, no limite com a Tanzânia, cerca de 600 quilogramas de heroína. Dois cidadãos da Guiné-Conakry foram detidos em conexão com este crime.

Na mesma semana, a Agência Internacional de Controlo de Drogas, uma instituição da Organização das Nações Unidas (ONU), equiparava o tráfico de drogas na Guiné-Bissau ao de Moçambique, não obstante o país estar a registar algumas melhorias que, para a este organismo, podiam ser significativas se houvesse um maior esforço no combate à posse e circulação de estupefacientes.

Moçambique, segundo a ONU, é o corredor de trânsito de drogas ilícitas, como resina de cannabis sativa, cocaína e heroína destinadas à Europa, metaqualona (um medicamento sedativo e hipnótico), mandrax para a África do Sul e de metanfetaminas (uma droga estimulante do sistema nervoso central, muito potente e altamente viciante) para outras regiões do mundo.

Droga abandonada no Aeroporto de Maputo

Há sensivelmente duas semanas, as autoridades moçambicanas apreenderam, no porto de Maputo, contentores aparentemente abandonados, uma vez que ficaram muitos dias sem serem reclamados, com uma droga líquida e outra em pó.

As análises feitas em território nacional não permitiram identificar o tipo de estupefaciente. Entretanto, uma parte das amostras já foi enviada a laboratórios especializados na África do Sul para uma segunda análise. Enquanto isso, decorrem investigações no sentido de se apurar a origem, o destino e o proprietário da droga em causa.

Mais de cinco toneladas de haxixe apreendidas em Boane

Um cidadão de nome Danilo Ussene, de 37 anos de idade, residente do bairro da Matola Rio, está a contas com a PRM acusado de ser o proprietário de 5.283 toneladas de haxixe encontradas, aparentemente abandonadas, nas proximidades da lixeira de Mavoco, no distrito de Boane, província de Maputo.

Em conexão com o caso, de acordo com a Polícia, estão igualmente presos, indiciados de subtrair 28 quilogramas da mesma droga, num armazém onde se encontrava acondicionada, João Milagre, de 21 anos, Titos Zacarias, de 23, e Frasiano Bartolomeu, de 27. Este último é um agente da PRM.

Na reconstituição dos factos, o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Pedro Cossa, disse que a droga foi descoberta no dia 24 Março último. Porém, a detenção de Danilo Ussene, aconteceu na última Quinta-feira, 28 do mesmo mês, em sua casa, depois de diligências feitas por uma equipa de peritos da Procuradoria da Cidade de Maputo e da Polícia de Investigação Criminal.

O estupefaciente estava disfarçado em embalagens de um quilograma e com etiquetas com indicativo de se tratar de ração para gatos. A artimanha foi desbaratada por populares que a denunciaram às autoridades policiais. O produto está num armazém sito na cidade da Matola, onde aguarda pela incineração, enquanto se averigua também a origem e o destino.

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