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Existem de campos de treino da Al-Qaeda em Moçambique?

Quando li a notícia veiculada em primeira mão pelo dominical sul-africano “Sunday Times”, sobre a existência de campos de treino da al-Qaeda em Tete e Nampula, a minha experiência jornalística impeliu-me a suspeitar que poderia tratarse de mais uma notícia forjada, com a única intenção de prejudicar a imagem de um país que alguém não gosta. Agora, na posse de mais factos, estou cada vez mais convencido que a referida notícia é forjada e que visa matar com uma só cajadada, dois coelhos.

A meu ver, um dos coelhos é associar o nosso país com a grande festa do futebol mundial que, actualmente, prende a atenção de milhões no mundo inteiro e assim afectar a boa imagem que o nosso Moçambique desfruta além fronteiras, por ser um dos poucos que conseguiu se reerguer do profundo abismo da guerra de desestabilização que havia sido atirado pelos seus inimigos.

Outro facto é estar a registar um desempenho económico impressionante, numa altura em que a maioria dos países do mundo afunda-se no turbulento oceano da crise financeira mundial. Para aqueles que não nos querem o bem, este nosso sucesso económico e democrático causa-lhes insónias e uma grande dor de cotovelo. O outro coelho que se pretende matar com este tipo de notícias é, sem dúvida, o Mundial de Futebol que, desta vez, realiza-se na vizinha Africa do Sul, a primeira prova do género em Africa, o que, obviamente, não agrada os que tudo têm feito para que o nosso continente continue a ser sempre visto como sendo de gente sem valor e que apenas servem como “bestas de carga” ou para se matarem uns aos outros.

Aliás, não faz sentido que uma Agência de Inteligência de um país que está à caça da al-Qaeda usando todos os meios existentes no mundo – no caso vertente EUA – descubra dois campos de treino desta organização, e não tome medidas para a sua destruição ou eliminação física dos treinadores e seus formandos, limitando-se apenas à divulgação de uma notícia sobre a sua alegada descoberta.

“Fará isto sentido? Claro que não faz.”

A lógica militar manda-me dizer que se a tal Fundação NEFA (uma instituição de luta contra o terrorismo criada depois dos ataques a Nova Iorque, em Setembro de 2001) tivesse, de facto, detectado os aludidos campos em Tete e Nampula, teria no mínimo informado simultaneamente os governos dos EUA, de Moçambique e da Africa do Sul, para em conjunto tomarem medidas para a sua destruição e subsequente eliminação dos respectivos instrutores e dos potenciais terroristas.

Alem disso, se o governo norteamericano tivesse sido informado pelo Congresso, conforme as notícias veiculadas pelo “Sunday Times”, teria solicitado ao governo de Moçambique permissão para agir militarmente, e matar de uma assentada todos os que lá estivessem. Portanto, a notícia que teria sido veiculada pelo “Sunday Times”, seria da destruição de dois campos de treino e a subsequente eliminação dos seus ocupantes, e nunca a simples revelação da sua descoberta.

Mesmo os leigos em operações militares sabem que quando se detecta a presença de um inimigo num determinado local, a primeira coisa que se faz é eliminálo antes do visado saber sequer que foi detectado, e só depois disso é que se emite um comunicado dando a conhecer ao público a realização da investida e o seu desfecho. Portanto, nunca se revela antes porque seria o mesmo que espantar a caça, para que se ponha a fresco como se sói dizer na gíria popular.

Assim, pode-se concluir que pelo carácter imperativo com que os EUA se têm empenhado para eliminar a al-Qaeda no Planeta, se tivesse detectado a presença de seus campos de treino no nosso país, o Presidente norte americano Barak Obama teria contactado imediatamente o seu homólogo moçambicano, Armando Guebuza, para ter dele “luz verde” para aniquilar qualquer ameaça do Mundial de Futebol, onde estarão presentes jogadores e adeptos do mundo inteiro e não apenas de Africa. Mas pelo que nos deu a conhecer o nosso Presidente, ele desconhece a existência dos alegados campos, daí que duvida mesmo dessa descoberta.

Mas será que faz sentido que os EUA mantenham como segredo um problema destes, que tem a ver com o seu maior inimigo de sempre, que é a al-Qaeda? Será que faz sentido que os seus vasos de guerra que mantêm ao largo do Oceano Índico, estão só para o inglês ver e não para disparar os seus mísseis teleguiados contra alvos militares como estes campos de Ossama Bin Laden que se diz existirem no nosso país? Acreditar que isto é possível, é o mesmo que ser ingénuo. O que teria sido normal, é que este tipo de questões fosse negociado com o máximo de sigilo entre as lideranças dos três países, e só depois da sua destruição e morte dos seus ocupantes, é que se iria divulgar nos jornais, e nunca sobre a sua descoberta.

Por ser uma simples forja, o nosso Presidente e o seu homólogo sul-africano, Jacob Zuma, nunca foram informados da descoberta desses campos, o que demonstra que se trata de uma notícia que visa apenas e unicamente manipular as pessoas mais susceptíveis no nosso belo Moçambique, e assim ofuscar de dia para a noite a boa imagem conquistada por todos nós, e que temos estado a construir desde 1992, quando se registou o fim da selvática guerra dos 16 anos.

O que se pretende com este tipo de notícias, é apagar esta boa imagem fruto dos nossos esforços para resgatar a paz, nosso empenho na reconciliação e reconstrução do nosso país. Moçambique tem sido mais notícia pelas coisas boas, e não pelas más como seria do agrado dos que não gostam de ver um povo africano marcando passos positivos. Assim dito, vincar que quando se diz que os que estão sendo treinados visam depois lançar ataques terroristas durante o Mundial de Futebol, o que se pretende com isso é provar que um evento desta natureza nunca poderá correr bem num país africano, o que seria o mesmo que dizer em Africa.

Em última análise pretende-se levar os países, cujas selecções foram apuradas, a desistirem do evento. Em definitivo, com este tipo de notícias, visa-se sabotar este Mundial, desmotivar os adeptos, reduzir a sua participação na grande festa que, certamente, irá dar uma maior visibilidade da capacidade organizacional de nós africanos. Os autores deste tipo de notícias, sabem que a maioria das pessoas ignoram que não acabe apenas ao anfitrião a organização de um Mundial de Futebol, principalmente no que tange à segurança, mas sim a todo o mundo.

Isso para dizer que após a detecção de uma ameaça, por mais pequena que seja, há um envolvimento de todo o mundo, para que nada de trágico ocorra. Assim dito, se a NEFA tivesse detectado os referidos campos em Moçambique, ela própria e o governo de Washington teriam informado imediatamente as autoridades moçambicanas e sul-africanas, bem como a FIFA e a Polícia Internacional (Interpol). Mas pelo que foi dito pelos governos dos dois países, não se fez nada disso.

Associando os factos, e em função da lógica da segurança mundial, sinto-me impelido a dizer que essa Fundação norteamericana não detectou nenhum campo de treino da al-Qaeda em Moçambique, e que se houver algum ataque terrorista contra o Mundial, certamente que não terá nada a ver com pessoas treinadas no nosso país.

….E a falta de evidências à acusação de Obama contra Bachir e o seu grupo MBS

Outra revelação eivada de um cariz infundado, ou pelo menos que não se apoia em evidências credíveis, é a acusação que os EUA fazem contra o empresário moçambicano Mohamad Bachir Sulemane, cujas iniciais MBS dão nome ao conglomerado dos seus negócios.

Para mim, esta acusação peca por não se valer de provas, o que evoca aquilo que os EUA fizeram contra o agora enforcado Saddam Hussein, a quem acusaram então de ser um barão de armas de destruição em massa. A semelhança de Saddam Hussein, Washington limita-se a acusar o empresário moçambicano de ser um barão de droga, uma acusação que carece de provas, do mesmo modo que nunca apresentaram provas contra o líder iraquiano. Isso leva alguns a questionar a sustentabilidade material desta acusação.

Na falta de evidências, o cepticismo prevalecerá, tanto mais que os EUA já provaram não serem infalíveis. A falsa acusação contra Saddam foi apenas uma das outras incontáveis que cometeram. A meu ver, esta acusação baseia-se nas mesmas alegações que vêem sendo feitas contra este e outros empresários moçambicanos detentores de grandes fortunas.

Seria bom e vantajoso para uma super potência como os EUA, substanciar a sua acusação com factos irrefutáveis, para que não seja um simples ecoar, em voz grossa, dessas alegações que como disse já, vêm já sendo feitas por muita gente dada à especulação baseada no tipo diz-se que…diz-se que… Pessoalmente, já ouvi que até existem clientes das lojas do MBS que compraram geleiras, congeladores e televisores nas suas lojas, e ao abri-las descobriram, já nas suas casas, grandes quantidades de drogas pesadas, e que quando as devolveram, foram-lhes oferecidos em troca valores monetários astronómicos para os calar a boca e que os catapultaram a ricos de dia para a noite.

Os que propalam este tipo de enredos em torno do MBS, nunca apontam sequer de longe pelo dedo quem terão sido esses clientes enriquecidos por Bachir. Limitam-se apenas a dizer que também ouviram falar desses clientes, tudo ao estilo daqueles supersticiosos, que passam a vida a dizer que ouviram dizer que no local de tal, há um grande curandeiro, que sabe de tudo e resolver de tudo, incluindo dizer os nomes dos que o vão consultar sem que sejam os próprios a se identificarem.

Para que não se assuma e se tome como válida a tese que alguns já começam a defender agora, de que Bachir está sendo vitima de facto mais pelas suas afinidades políticas, tal como Saddam que foi sacrificado por se recusar a dar o petróleo do seu país de mão beijada aos EUA do tempo do Bush, Obama terá de mostrar que é diferente do seu antecessor, acusando Bachir com provas visíveis a todos nós, e não se limitar a enviá-las ao nosso governo, como alega a Embaixada do seu país em Maputo. Para o seu bem, aconselho Obama a não acreditar cegamente nos relatórios que lhe são enviados pelos seus agentes diplomáticos em Maputo, porque alguns deles já provaram que têm muita dose de “Jetismo”, e que passam o seu tempo a forjar relatórios que não reflectem a realidade.

Sem querer aqui e agora ser advogado de Bachir ou assinar por baixo à declaração solene deste que é um inocente que está sendo alvo da difamação, julgo que para que Obama mantenha em nós moçambicanos a boa imagem e credibilidade que o outorgamos até agora, é imperioso que ele apresente essas provas à luz do dia e da noite.

Caso não apresente, será visto como tendo metido o pé na mesma poça em que meteu o seu antecessor, por ter acusado Saddam Hussein de possuir armas de destruição em massa, e daí desencadear uma terrível que acabou matando muitos iraquianos também inocentes, antes de orquestrar um julgamento fictício que o condenou a um enforcamento televisionado por um crime que os próprios EUA viriam a reconhecer mais tarde que não tinha cometido.

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