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Caixa com coquetel procura travar transmissão do HIV para bebês

Não é um grande avanço médico, apenas uma simples caixa colorida cheia de medicamentos contra o HIV, mas o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) espera que possa ajudar a finalmente interromper a transmissão do fatal vírus para os bebês. O pacote mãe-bebê, chamado de “inovação para uma geração livre do HIV”, será distribuído a 30 mil mulheres grávidas no Quênia, Camarões, Lesoto e Zâmbia a partir deste mês. Ele contém todos os remédios e instruções necessários para proteger uma mãe infectada com o HIV e seu recém-nascido, mesmo se ela nunca visitar uma clínica novamente depois do nascimento, e até mesmo se não souber ler corretamente.

“Não precisamos de qualquer avanço científico ou nova tecnologia para combater esse problema”, afirmou Jimmy Kolker, chefe dos segmentos de HIV e SIDA no Unicef. “O que precisamos é de uma maneira de capacitar as mulheres a tomar conta de si mesmas.”

Indícios nos países desenvolvidos, onde na atualidade praticamente não há transmissão do HIV (vírus da imunodeficiência humana) – que causa a transmissão da SIDA – de mães para bebês, mostram que, como Kolker disse, todos os medicamentos e atendimentos conhecidos já podem interromper a doença mundialmente.

Entregar os medicamentos certos, para as pessoas certas, na hora certa está a provar ser a maior barreira para eliminar a transmissão do HIV de mães para filhos nos países mais pobres, uma meta que a ONU quer alcançar até 2015. “No mundo desenvolvido, há atualmente poucos bebês nascidos com HIV positivo, mas na África ainda nascem mais de mil todos os dias”, afirmou Kolker à Reuters numa entrevista. Eliminar as transmissões hereditárias até 2015 é uma “meta ambiciosa”, mas que pode ser alcançada com algumas novas ideias, disse.

Mais de 50 por cento das mulheres com HIV positivo na África subsaariana em 2008 não tomaram os medicamentos necessários para impedir a transmissão do vírus para suas crianças, de acordo com dados do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids). O vírus está em cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo, e 22,4 milhões delas vivem na África subsaariana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que cerca de 430 mil crianças foram infectadas com o vírus em 2008, a grande maioria delas por meio da transmissão de mãe para filho. Contudo, esse tipo de transmissão é evitável se os serviços corretos estiverem disponíveis para a população. As crianças que nascem com o HIV enfrentarão a doença durante toda a vida e, se tiverem sorte, tomarão remédios por toda a vida.

Na África, pelo menos metade delas morrerá antes do segundo aniversário caso não haja intervenção médica. “Ainda estamos a deixar de atender muitas mães que não voltam às clínicas, ou por que as clínicas têm poucos stocks de medicamentos, ou por que as mães não tomam os remédios quando deveriam”, afirmou Kolker.

Com o custo aproximado de 70 dólares por caixa, o pacote tem a metade do preço da quantidade de medicamentos necessários por um ano para um bebê com HIV positivo, diz a Unicef. “Tem um bom custo-benefício sob todos os pontos de vista”, afirmou Kolker. “É algo que pode ser feito em vilarejos e acompanhado por um agende de saúde comunitário ou grupo de mães. Não precisa haver uma enfermeira ou de um médico acompanhando.”

O projeto-piloto do Unicef nos quatro países, no valor de 8 milhões de dólares, terá três fases, com cerca de 30 mil pacotes distribuídos em casa uma das fases, para atender a quase 100 mil mulheres até meados de 2011

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