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Zimbabwe: Mugabe lança campanha de reeleição e ameaça SADC

O estadista zimbabweano, Robert Mugabe, lançou sexta-feira o manifesto eleitoral do seu partido ZANU-PF, ameaçando abandonar a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) se esta organização regional fizer “coisas estúpidas”. Moçambique detém a presidência rotativa da SADC.

O Tribunal Constitucional do Zimbabwe decidiu, quinta-feira, validar a data de 31 de Julho para a realização de eleições gerais, uma decisão que contraria a vontade dos restantes partidos. Cerca de 20 mil pessoas participaram no comício que marcou o início da campanha de Mugabe, 89 anos, que se encontra no poder há mais de três décadas.

“Vocês são soldados. Vocês têm uma batalha por combater. Ides para a batalha bem armados. É uma luta pelas nossas vidas. É uma batalha pela sobrevivência”. “Ides para a batalha cientes que existe um inimigo político”, disse o Presidente da ZANU-PF.

Mugabe aproveitou a oportunidade para atacar a SADC, que exige o adiamento das eleições naquele país, para permitir a conclusão do processo de reformas. “É necessário que se saiba que estamos voluntariamente na SADC. Se a SADC decidir fazer coisas estupidas, é necessário que se saiba que nos vamos retirar da SADC”, advertiu.

Na última cimeira extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, realizada em Maputo, capital moçambicana, em Junho último, Mugabe foi pressionado a revogar a sua decisão de realizar as eleições a 31 de Julho corrente, de forma a permitir a conclusão da implementação de uma série de reformas. Estas reformas poderão ajudar a limitar o papel dos militares na actividade política e corrigir alguns erros no registo dos eleitores.

Contudo, o Tribunal Constitucional do Zimbabwe deu luz verde para a realização das eleições naquela data. Mugabe disse que poderia adiar as eleições por um período de duas semanas, mas o seu adversário directo, o Primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, exigia um mínimo de três meses.

Refira-se que no Zimbabwe foi instalado um governo de unidade nacional na sequência da violência que eclodiu nas eleições de 2008, durante as quais a ZAPU-PF perdeu, pela vez desde a independência nacional, as eleições legislativas. Tsvangirai conquistou a maioria dos votos na primeira volta da presidenciais de 2008, mas recusou-se a participar na segunda volta devido a violência perpetrada contra os seus simpatizantes e que resultou na morte de pelo menos 200 pessoas.

Entretanto, Mugabe promete aos seus apoiantes que o seu arqui-rival jamais voltará a governar o Zimbabwe. “Jamais deveríamos permitir que aqueles que trabalham com os nossos inimigos, com os britânicos nossos antigos colonizadores, voltem a governar este país”, disse Mugabe.

Porém, Mugabe exortou aos seus simpatizantes para que desta vez evitem a violência. “Expulsemos os nossos adversários com os votos. Mas por favor nada de violência”. Ao abrigo da nova Constituição Mugabe ainda poderá governar o Zimbabwe por mais dois mandatos de cinco anos.

O manifesto eleitoral do seu partido tem como enfoque a construção de habitação, melhoria da provisão dos serviços de saúde, fortalecimento da segurança alimentar e criação de emprego, disse Mugabe falando durante um comício realizado no bairro de Highfield, arredores da capital.

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