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Zambézia, um diamante em lapidação?

A questão do desenvolvimento na província central da Zambézia, tem sido matéria de debate nos últimos anos. Mas a resposta dos que detêm o poder, neste caso dos governantes é a mesma. “Estamos a crescer”-dizem eles. Mas como?

Apontam a construção de mais salas de aulas, algumas delas se não a maioria sem qualidade, construção de centros de saúde, estradas, estas também que deixam a desejar com aquedutos fora da qualidade exigida, enfim. Os que entendem a matéria, não param de questionar sobre os indicadores de desenvolvimento que o governo usa para concluir que a província está registar níveis altos de desenvolvimento.

Olhando o slogan que a província adoptou aquando da realização da Conferência Provincial para o Desenvolvimento da Zambézia, diga-se uma magna reunião que teve lugar no Instituto de Formação de Professores, ex- IMAP, com a participação da antiga Primeira-Ministra do nosso país, Luísa Diogo, só para citar algum exemplo, a partir dali, o slogan passou a ser “Zambézia um diamante em lapidação”, ao invés do anterior que era “Zambézia um diamante por lapidar”.

 De lá para cá, a província tem vindo por um lado a decrescer por outro tem vindo também a não ter projectos âncoras que iriam ajudar a colocar esta província, por sinal a segunda mais populosa de Moçambique. Com a retirada da linha férrea que ligava o distrito de Mocuba a Quelimane, nota-se claramente que algo vai mal. Por diversas vezes, a classe empresarial nesta parcela do país, questionou os porquês da retirada da linha férrea, mas a resposta foi sempre a mesma “não é viável”.

Desta vez, as inquietações vêm a tona através do representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), ao nível desta província, André Padil. Padil começou por questionar quem e como é lapidada esta província, visto que não se nota desenvolvimento, pior nos últimos cinco anos a província não teve marcos de desenvolvimento. E não só, aquele membro sénior do CTA na Zambézia, vai mais longe ao afirmar que este discurso de que a província crescer só vem para o “boi dormir”, porque na sua óptica não se pode falar de desenvolvimento sem que hajam projectos ancoras.

De acordo ainda com a fonte, os que assim afirmam, possivelmente fazem-no para mostrar que estão a trabalhar, mas na verdade estão a enterrar a província, com um manancial económico invejável para qualquer um.

O AMBIENTE DE NEGÓCIO NÃO AJUDA

 Uma outra coisa que Padil do CTA vê que não ajuda o desenvolvimento da província, é o ambiente económico que não ajuda a classe empresarial nesta parcela do país. A fonte aponta por exemplo a concorrência desleal que há no comércio, visto que há muita mercadoria piratida e quando um empresário coloca na sua loja um produto de qualidade não tem saída, porque noutra já há um falso.

 Embora reconheça que o mercado é livre, a fonte diz que a província da Zambézia por exemplo, está repleta de bancas em jeito de contentores, cuja receita cobrada é idêntica aos vendedores informais.

ASPECTO FISCAL

 Se por um lado, a classe empresarial na província da Zambézia, chora por esta concorrência desleal que há, que por vezes é vista de uma forma leviana por parte de quem tem o poder para decidir, há um outro aspecto que não passa da retina dos empresários. A carga fiscal que os empresários passam quando querem importar mercadoria. Em vários momentos, este foi o grande tema de debate também. Em encontros com o antigo governador da província, Carvalho Muária, a questão foi sempre colocada.

As Alfândegas de Moçambique, nesta parcela do país, eram vistas como sendo um dos grandes entraves a classe empresarial. Dizia-se num fórum em que o nosso jornal esteve que só de Maputo ate Quelimane, sublinhe-se via terrestre, um camião de mercadoria passava por uma média de dez paragens com tantas exigências. Aqui importa referir que estas paragens, a maioria só aconteciam depois da ponte sobre o rio Zambeze. Quer dizer, logo que se atravessa a ponte, ai começava a lufa-lufa de para aqui, dê-me documento “X ou Y”, o que tens ai, onde compraste e porque estas andar anoite, etc.

Todas estas perguntas, só depois do Zambeze, mas antes, nem pouco. Alias, a classe empresarial desfiava a todos que quisessem ter provas disso. Mas ninguém se dignou em seguir as pistas. Naquela altura, os que não aguentavam com este para aqui, abre isto, acabaram por desistir de fazer negócio, ou seja, não importavam mercadoria de fora. Foi dai que, dava-se exemplos vivos de que a cidade de Quelimane tem mais lojas, quer dizer contentores de venda de pecas de meios circulantes de que padarias que possam vender pão para os citadinos consumirem.

Verdade porém, manda dizer isso, de que em todas esquinas há venda de pecas sobressalentes de meios circulantes, mas há que saber, usa hoje, amanhã vai novamente a loja para comprar outra. André Padil, não se esqueceu deste debate, por isso reabre para que se faca uma reflexão sobre o desenvolvimento da província, com mais de quatro milhões de habitantes, de acordo com último censo-2007.

“VOCÊS NÃO SÃO AGRESSIVOS”

-Itai Meque, no primeiro encontro com a classe empresarial No seu primeiro encontro com a classe empresarial desta província, um pouco depois da sua tomada de posse, naquela rotina de conhecer os diversos seguimentos que a província tem, Francisco Itai Meque, reuniu-se com os empresários desta província para ouvir as sensibilidades. Estes por seu turno, não perderam a ocasião de informar ao governante dos maus bocados que passam nesta área. Alias, as questões atrás levantadas pelo representante do CTA, também vieram a tona.

 Mas Itai Meque, Governador da província da Zambézia, apontou com dedo a classe empresarial, acusando-os de serem fracos e apenas limitarem-se em choros. “Vocês não são agressivos, só choram”-dizia Itai, para quem “é preciso agir e deixarem de lacrimejar”-fim de citação. Estas declarações acontecem numa altura em que realiza-se esta sexta-feira em Quelimane, uma capacitação dos membros do Conselho Empresarial da Zambézia, órgão criado para acelerar o desenvolvimento desta província.

 

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