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XÏÏKWEMBO – Os rigores da Lua

“Na tua adoração conserva pura a minha casa para os que dão as voltas, para os que se levantam para orar, para os que se inclinam e para os que adoram.”

Foi enviada pelo deus e oferecida aos homens. Naquele tempo eram dois esses seres, um homem e uma mulher, e viviam num lugar onde o clima era ameno, a comida muita, a companhia pacífi ca, a vegetação bela, luxuriante, doce. Foi há muitos, muitos anos que o deus enviou a pedra. Há muitos, muitos anos uma pedra branca caiu do céu, foi entregue aos homens num jardim idílico. A pedra da purifi – cação.

Agora a pedra está negra dos pecados dos mortais, e os homens crentes visitam-na. Usam pedras pequenas para atacar os demónios e ao deus oferecem seus gestos: o da peregrinação, o da prece, da purifi cação, da oferta sacrifi cial. A tribo prestava homenagem a al Uzza, Vénus, a estrela. E deslocavam-se em peregrinação para a adorar. Peregrinam a Caaba para ver a pedra sagrada.

Os quatro pontos cardeais orientaram a construção quadrada e protegem-na. Sete vezes a devem envolver, nos desenhos perfeitos dos movimentos circulares. Aqui, neste momento, todos são iguais; nas vestes, na vontade, na fé, nos espíritos purifi cados. E mesmo nos outros momentos da fé, as gentes cobrem as zonas íntimas do corpo – o que no homem vai da cintura aos joelhos e na mulher é todo o corpo.

Respeitam na morte os animais, evitando o sofrimento desnecessário. As mulheres guardam a beleza e cobrem-se de mantos, de véus, de panos. E escondem neles as pulseiras de mil voltas, as tornozeleiras de guizos, a pele de desenhados arabescos de henne, os cabelos perfumados de óleos de flores, os ventres decorados de moedas e fi os. E pede o deus que ao caminhar não façam vibrar as jóias que assim revelam a beleza escondida, a beleza secreta. Aceitam ou recusam, a religião ou o casamento, na repetição por três vezes das fórmulas mágicas.

Cinco vezes ao dia direccionam seu olhar para a casa sagrada. Cinco vezes ao dia se purifi cam. E respondem à inveja da lua, que durante um tempo, apenas por ela determinado, rouba ao sol a partilha com os homens dos prazeres da comida. Durante este tempo só a lua os convida para a sua mesa. Na minha casa escuto o chamamento. Dos muitos cantos da cidade nós escutamos os chamamentos, mas nem todos avançamos. Eu fi co-me a escutar, e, pelo menos por uns segundos, faço coro com o muezzin: “Aallllaaaaaaah uak bahaaaaar”

Nem todos adoramos Vénus, a estrela, nem todos prestamos cultos ou observamos trajes e rigores mas todos esperamos a grande festa, e, aos meus amigos seguidores do Islão, pergunto eu: onde me levaram na festa do sacrifício?

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