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Xiconhoquices da semana: Detenção de oleiros; Fantochada; Fome

Xiconhoquices da semana: Funcionários públicos obrigados a participar na campanha eleitoral; Falta..

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

1. Detenção de oleiros

A Xiconhoquice que abre a série da semana, e que foi a mais votada pelos nossos leitores, é oriunda da agreste província de Tete e tem como protagonista principal o governo local. Sucede que as autoridades, nesta terça-feira (14) recorreram à Força de Intervenção Rápida (FIR), à Polícia de Protecção e às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) para reprimir uma manifestação de um grupo de cidadãos forçados a sair das suas terras de origem para a instalação da mineradora Vale em Cateme, no distrito de Moatize, na província de Tete.

Em consequência dessa acção dos agentes da Lei e Ordem, três cidadãos foram presos e só depois de um vaivém por uma série de unidades de detenção naquela província é que foram restituídos à liberdade.

Os cidadãos, oleiros de profissão, contestam a actual indemnização no valor de 60 mil meticais fixada na sequência da sua retirada, pela empresa Vale Moçambique, dos seus bairros nativos onde desenvolviam projectos de fabrico de tijolos. Eles exigem um novo critério de ressarcimento da “perda” das suas fontes de rendimentos.

@Verdade soube de um dos detidos que quando os três cidadãos (incluindo ele mesmo) caíram nas mãos da Polícia, no distrito de Moatize, foram encaminhados para a primeira esquadra na cidade de Tete, onde permaneceram cerca de 45 minutos.

Passado esse tempo, foram transferidos para a Cadeia Civil de Tete onde estiveram detidos durante mais de hora e meia. Mais tarde, a corporação deslocou os indivíduos para a segunda esquadra situada na mesma urbe. Na terça-feira desta semana foram soltos e absolvidos de todas as acusações forjadas contra eles. Mas o que ficou desta Xiconhoquice é que ninguém vai pagar por ter “moído”, um termo muito em voga na PRM, cidadãos literalmente inocentes.

2. Fantochada

Que Arão Nhancale foi, durante o seu mandato, nocivo aos interesses dos cidadãos da Matola não é novidade para ninguém. O estranho mesmo, no meio desta Xiconhoquice toda, é Armando Emílio Guebuza só ter compreendido isso agora. Os choros dos residentes da Matola são tão antigos quanto à presença de Nhancale à frente dos destinos daquele urbe.

Estranho mesmo é que depois de um grupo de moradores do bairro Intaka escrever ao Chefe de Estado sobre irregularidades da gestão municipal não tenha sido feito nada. Os signatários da carta afirmam que já tinham perdido a esperança faz tempo.

A carta é antiga e só depois da renúncia de Nhancale é que foi ordenada uma sindicância encabeçada pelo Ministério da Administração Estatal. O Magazine Independente, há coisa de um ano e meio, publicou uma reportagem extensa sobre a venda de marcos pelos funcionários do município de Matola, com depoimentos da população e fotografias. Na mesma peça jornalística daquele semanário, ficámos a saber que foram parcelados vários terrenos com o fim de angariar dinheiro de forma ilícita.

Não é, portanto, novidade que a governação de Nhancale foi um desastre. O que é estranho é que a Xiconhoquice seja tornada pública para demonstrar algum trabalho. O assunto foi sempre público e a incompetência de Nhancale anda nua em cada estrada de Tsalala.

3. Fome

Mais de trezentas e cinquenta famílias da localidade de Natuco, distrito de Macúfi, na província de Cabo Delgado, poderão enfrentar uma crise alimentar nos próximos meses, devido à fraca produção na primeira época da presente campanha agrícola. A queda irregular da chuva e inundações dos campos de produção são apontadas como as principais causas que provocaram a fraca produção agrícola, naquela região do litoral da província de Cabo Delgado.

O presidente da associação distrital dos camponeses em Mecúfi, António Mujupa, disse à Rádio Moçambique que mais de seiscentas machambas com diversas culturas do primeiro ciclo, principalmente cereais, foram afectadas pela intempérie. Para inverter a situação, de acordo com António Mujupa, a população é aconselhada a aproveitar as zonas baixas para a produção de hortícolas, enquanto aguarda pela chuva.

Enquanto isso, mais de uma centena de famílias da região de Mutefu, distrito de Machaze, em Manica, poderá enfrentar uma crise de fome, devido à destruição das suas culturas, por elefantes, no primeiro trimestre deste ano. O facto surge como resultado do conflito homem/fauna bravia em que, para além de os paquidermes devastarem culturas numa área de cinquenta e dois hectares, destruíram casas e celeiros dos camponeses, noticiou a Rádio pública.

O director dos serviços distritais de actividades económicas em Machaze, Fernando Kingston, disse que as famílias afectadas receberam sementes melhoradas para o cultivo em zonas baixas e foram sensibilizadas no sentido de venderem parte dos seus animais para suprir o défice alimentar. Com um plano eficaz de produção agrícola, a fome não seria um problema. Sucede, porém, que a prioridade é o ProSavana e outro tipo de Xiconhoquices…

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