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Xiconhoquices da semana: Corrupção no abate de viaturas e outros bens do Estado; Acidentes de…

Xiconhoquices da semana: Funcionários públicos obrigados a participar na campanha eleitoral; Falta..

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

1. Corrupção no abate de viaturas e outros bens do Estado

A corrupção é tão antiga quanto à humanidade. Porém, no que diz respeito ao funcionalismo público, é necessário adequar o dito e deixar do modo seguinte: a Função Pública inventou a corrupção. A manobra não tem nada de novo. O que muda são os protagonistas em função da mobilidade naquele sector. Os funcionários do Aparelho do Estado abocanham viaturas que custaram ao erário público milhões de dólares pelo preço de um punhado de batatas.

O truque é bem simples. O Estado, através de um ministério ou direcção distrital, compra uma carrinha 4×4. Volvidos dois anos, a mesma viatura é dada como obsoleta para as funções para que foi adquirida.

Os funcionários de uma determinada instituição são convidados a fazer propostas em carta fechada para ficaram com a viatura que o Estado, por via de uma determinada instituição, quer abater. Um chefe de departamento faz uma proposta de 15 mil meticais e fica com a viatura. Em dois anos, um carro que custou um milhão e oitocentos mil meticais muda de proprietário e o Estado arca com o prejuízo. Isso não é Xiconhoquice?

2. Acidentes de viação

Trinta e cinco pessoas morreram e outras 80 contraíram ferimentos graves e ligeiros no país, em consequência de 54 acidentes de viação ocorridos na semana de 29 de Abril a 03 de Maio. A Polícia diz que o facto é preocupante e deve-se à irresponsabilidade dos automobilistas e à violação constante das mais elementares regras de trânsito. No nosso entender, um acidente de viação não se explica somente pela irresponsabilidade dos automobilistas. Essa não pode ser, de forma alguma, a única causa da sinistralidade rodoviária.

Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), na mesma semana houve 24 feridos graves e 56 ligeiros. O porta-voz do Comando- Geral da PRM, Pedro Cossa, disse que dos 54 acidentes registados, 35 foram atropelamentos, nove choques entre carros e seis despistes e capotamento.

O estranho, na retórica da PRM, são as causas que explicam os acidentes. O bom do Pedro Cossa faz o papel de um disco riscado quando elenca as causas. O excesso de velocidade, corte de prioridade, a condução em estado de embriaguez, dentre outras irregularidades, são avançadas como as principais causas dos acidentes. Como é que o Cossa sabe que foi o excesso de velocidade que causou essa escalada de acidentes e atropelamentos? O estado das vias e a corrupção na inspecção de viaturas não significam nada?

Entretanto, a Polícia de Trânsito (PT) deteve seis condutores por tentativa de suborno aos seus agentes com notas que variam de 100 a 600 meticais. E os que continuam a matar porque o seu suborno foi aceite?

3. A nossa irresponsabilidade

O número de idosos que chefiam agregados familiares, a maioria de crianças órfãs e vulneráveis, “continua a crescer” em Moçambique, mas muitos ainda não conseguem aceder aos subsídios do Governo. A culpa é nossa. Nós é que nos deixamos sucumbir ao SIDA e aos prazeres mundanos. Morremos e deixemos os nossos pais, que deviam gozar da sua reforma, a cuidar dos nossos filhos. Por último, o Governo completa a vergonha ao conceder uma mísera pensão aos que serviram o país.

Iolanda Cintura, ministra da Mulher e Acção Social, disse que o Governo tem vindo a realizar acções para a extensão do subsídio social básico, dando prioridade aos idosos em situação extrema de pobreza, chefes de família e sem capacidade para trabalhar. É preciso perguntar à ministra o que ela entende por reformas. É possível que alguém sustente um agregado de cinco pessoas com 150 meticais?

“O número anda à volta de 270 mil agregados familiares chefiados por pessoas idosas que fazem parte deste subsídio social básico. Mensalmente temos estado a prever acções, orçamentos para cada vez irmos abrangendo mais agregados familiares chefiados por idosos e outras pessoas sem capacidade para realizar trabalhos, com deficiência e ou doença crónica”, disse Iolanda Cintura, durante uma cerimónia para a extensão da iniciativa em Manica, centro de Moçambique.

No país, estima-se que 727.598 idosos vivem em situação de pobreza e mais de metade não tem capacidade para trabalhar e tem a seu cargo os netos.

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