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Xiconhoquices da semana: Autocarros da nossa desgraça; A jogada; Adiamento das eleições

Xiconhoquices da semana: Falta de acção disciplinar cvontra funcionários públicos corruptos; CNE...

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

1. Autocarros da nossa desgraça

A notícia caiu que nem uma bomba no coração da dignidade de um país. Quase todos os autocarros de marca chinesa Yutong, adquiridos entre 2006 e 2007 pelo Governo através da extinta empresa Transportes Públicos de Maputo, estão avariados e a companhia quer desfazer-se deles.

A actual Empresa Municipal de Transportes Públicos de Maputo (EMTPM) lançou um anúncio de abate, onde torna público que vai proceder à alienação de 33 autocarros e três viaturas ligeiras, todos imobilizados. Dos 33 autocarros, 25 são de marca Yutong, importados da China, com fundos públicos, nos últimos sete anos. A desculpa para tão estapafúrdia medida é que o fabricante, a ZhengzhouYutong Bus, já não produz peças sobressalentes para as viaturas que o país adquiriu.

Os autocarros são da marca Yutong, e foram produzidos pela ZhengzhouYutong Bus e importados pela empresa Técnica Industrial, do grupo João Ferreira dos Santos, um dos mais importantes de Moçambique. Na altura falou-se de um projecto piloto que envolvia autocarros movidos a gás. O mais estranho é que nem a empresa moçambicana nem a chinesa revelaram os montantes envolvidos naquela operação.

@Verdade sabe que a Yutong Automobile Co. Ltd. exportou em 2005 mais de 2.400 autocarros, avaliados em 140 milhões de dólares. Em 2004 a companhia, que é a maior produtora de autocarros na China, vendeu cinco milhões de dólares de viaturas para Cuba, Irão, Chile, Egipto e Bangladesh. A opção por uma maior encomenda à indústria automóvel chinesa foi anunciada pela então Primeira-Ministra moçambicana, Luísa Diogo, durante uma visita oficial a Pequim em Setembro de 2005 e justificada por vantagens relativamente a outros fornecedores.

“Há claramente mais vantagens em importar autocarros da China, pois através da Europa e da América, o preço fica duas ou três vezes mais caro”, disse, então, Luísa Diogo. “Não faz sentido comprar a terceiros o que podemos adquirir directamente a um preço muito mais baixo”, acrescentou a Primeira-Ministra de Moçambique. Afinal fazia todo o sentido comprar a terceiros. Nós é que não sabíamos.

2. A jogada

Os encontros sucedem-se, mas não há o mínimo sinal de diálogo. A Renamo constrói o seu muro de imposições e a Frelimo responde com um arsenal de justificações. Tudo, diga-se, é válido. Se a Renamo tem o direito de impor condições não seria, de todos os modos, justo não alastrar esse direito ao outro lado da mesa de negociações.

Contudo, o que é estranho e faz deste encontro o maior festival da Xiconhoquice é a ausência de diálogo. Ou seja, a ausência de avanços e de consensos. A Renamo impõe questões prévias e quer ver as mesmas resolvidas antes de entrar na agenda do debate. Os representas do Governo alegam que não houve debate porque a Renamo exigiu uma resposta escrita sobre as inquietações que colocou em cima da mesa. Xiconhoquice.

3. Adiamento das eleições

O editorial do Magazine Independente dá conta de uma Xiconhoquice que pode manter, por mais tempo, o actual Presidente da República no poder. Ou seja, a lei que regula a realização de eleições gerais e presidenciais foi atropelada pela amnésia cúmplice de quem de direito. O dispositivo legal determina que a marcação da data do processo deve ser feita com uma antecedência mínima de 18 meses e esse prazo já foi ultrapassado.

O que sabíamos é que a Renamo, pela sua retórica belicista, já deixou claro que não está, de forma alguma, interessada nas eleições e nem quer que elas ocorram. Não sabíamos, isso sim, que da parte da Frelimo estava a ser cogitada a mesma ideia. No entanto, os últimos acontecimentos que dão conta da impossibilidade de realizar eleições obrigam qualquer pessoa sensata a concluir que estamos diante de um ardil que interessa aos dois maiores partidos políticos do país. Contudo, importa questionar que papel os dois ex-beligerantes andam a discutir e pretendem dedicar ao MDM. Ou seja, o que será do MDM quando ambos se entenderem e apertarem as mãos?

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