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Xiconhoquices da semana: Asinina PRM; Casino – a vitória da tirania; O negócio da terra

Os nossos leitores destacaram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

1. Asinina PRM:

A Polícia da República de Moçambique (PRM) voltou, esta terça-feira (05), a impedir os desmobilizados de guerra de se manifestarem pacificamente, contra a alegada inobservância dos seus direitos, quando se encontravam reunidos na baixa da capital moçambicana, no Circuito de Manutenção Física António Repinga, próximo ao gabinete do Primeiro-Ministro.

O delegado provincial dos combatentes em Maputo, Albino Timbane, disse que a Polícia foi informada da concentração dos desmobilizados de guerra naquele lugar, mas recorreu à força para obrigá-los retirar-se.

Escorraçados do local, os manifestantes foram concentrar-se em frente ao Palácio da Justiça e ameaçaram não descansar até que o Governo satisfaça as suas exigências, dentre elas a almejada pensão de 20 mil meticais mensais.

O que transforma o episódio numa Xiconhoquice não é a abnegação dos desmobilizados de guerra na luta pelos seus direitos, mas sim o argumento esbatido, esfarrapado e criminoso da PRM de julgar que tudo deve ser resolvido com recurso à força. Isso, para além de ser inaceitável, revela a espécie de líderes que o país possui.

Essa estratégia anti-diálogo só eleva o nível de descontentamento popular. Quem protagoniza Xiconhoquices destas devia ter o discernimento suficiente para compreender que a repressão é, na verdade, o estrume da revolta.

2. Casino – a vitória da tirania:

Há, neste país, Xiconhoquices e Xiconhoquices. O Casino Polana SA, nesse âmbito, inovou. Ou seja, em vez de respeitar a lei optou por desvincular funcionários para continuar por cima dela. É obra.

Os funcionários que “infernizaram” a direcção do Casino Polana SA, nos últimos meses, já não fazem parte do quadro de funcionários daquela casa de jogos de azar. As idas e vindas ao Ministério do Trabalho culminaram com uma série de indemnizações e com a desvinculação dos quatros colaboradores incómodos. O futuro, esse, para quem ficou, continua sombrio. Sem oposição, a direcção continua a pontapear a lei e ninguém vai fazer nada para travar a Xiconhoquice.

Para cortar o mal pela raiz e estancar o florescimento de grupos contestatários, a direcção do Casino Polana SA preferiu ceder às reivindicações levantadas pelos operadores de mesa. Mas não sem antes enviar um recado para dentro. Ou seja, a desvinculação dos quatro funcionários mostrou quem manda e qual será o destino de quem lhes quiser seguir as pisadas.

3. O negócio da terra:

O Município de Nacala anda no “barulho” pelos piores motivos. A Xiconhoquice que explica a quezília, diga-se, consist(e)iu na atribuição do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) a terceiros, quando a parcela já tinha titular. Isto é, o Ministério da Defesa. O edil de Nacala, Chale Ossufo, explica a ilegalidade de um modo muito simples: “Começou antes do meu mandato”.

Efectivamente, a terra pertence à base aérea, que envolve o Ministério da Defesa, da Planificação e Desenvolvimento, através da GAZEDA (Gabinete de Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado). Ainda que a ilegalidade tenha iniciado em 2008, antes do mandato de Chale Ossufo nada justifica que o mesmo meta as mãos na poça.

O facto de o seu antecessor, sabe-se lá por que cargas de água, ter desrespeitado a lei não isenta o actual edil da Xiconhoquice. O que ganhou Chale Ossufo infringindo a lei? Não cremos que o edil de Nacala desconhecesse o DUAT do Ministério da Defesa. Contudo, a Xiconhoquice é sempre maior do que a lei e a precaução. Só isso pode levar um edil a brincar com militares…

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