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Voleibol: Modalidade envolta em incertezas e desavenças

O voleibol em Moçambique resume-se ao que é praticado nas praias. No das salas ninguém ousa tocar e, ao que tudo indica, é uma modalidade que atravessa caminhos sinuosos. Não há ainda certeza da realização do campeonato nacional e o tapete, a maior herança dos X Jogos Africanos, caminha fatidicamente para a sua deterioração por falta de campo para a sua instalação e, consequentemente, de uso.

O voleibol moçambicano continua a ser um palco de controvérsias entre os que deviam unir-se e conduzir os seus destinos. E por via disso, a própria modalidade é que sofre as consequências. Uma delas é o facto de o Campeonato Nacional de Voleibol estar refém do entendimento entre a Federação Moçambicana de Voleibol (FMV) e a Associação da Voleibol da Cidade de Maputo (AVCM).

Tudo começa e termina no palco da realização do evento desportivo da modalidade em Moçambique, o pavilhão da Escola Francisco Manyanga, na cidade de Maputo.

Sabido de antemão que o mesmo não reúne condições para a prática saudável do voleibol, apesar da obstinada utilização por parte da AVCM para a realização dos seus certames internos, é lá onde a Federação quer que decorra entre os próximos dias 16 e 21 de Julho o campeonato nacional.

Essa posição não é bem acolhida pela AVCM que tem um acordo com a Direcção da Juventude e Desportos da Cidade de Maputo e com a direcção daquela escola para a utilização daquele pavilhão.

Na sua óptica, a AVCM, através do seu presidente, Mahomed Ivala, a Federação conta com meios financeiros para, por exemplo, alugar o pavilhão do Maxaquene ou o do Desportivo de Maputo que, pelas suas dimensões e pelo bom estado, reúnem condições para acolher o certame.

Contudo, a FMV, na voz do secretário-geral, Pelágio Pascoal, desdramatiza o assunto e concorda com a posição da AVCM. Por outro lado, emite duras acusações aos dirigentes do Clube dos Desportos da Maxaquene por terem sido eles que proibiram a prática de voleibol naquele pavilhão.

Sobre o pavilhão do Grupo Desportivo de Maputo, Pelágio deu a conhecer que, aquando da reabilitação, não se pensou no voleibol e que para a sua prática um trabalho de reconstrução devia ser feito, daí que só exista uma única solução para a realização do campeonato nacional: o pavilhão da Escola Secundária Francisco Manyanga.

Outro factor que põe em causa a realização do campeonato nacional, a ter lugar no próximo mês, prende-se com a não confirmação das equipas das províncias, que alegam não terem dinheiro para custear a deslocação e a estadia na cidade de Maputo.

O tapete: outro motivo de discórdia

Aquando da realização da X Edição dos Jogos Africanos, que decorreram em Setembro último em Maputo, a Federação Internacional de Voleibol cedeu a Moçambique um tapete próprio para o voleibol de salão tendo cabido à FMV a missão de lhe dar o devido destino. Na altura, servia o pavilhão do Maxaquene, local onde decorriam as provas da modalidade.

Terminados os jogos, a direcção do Maxaquene retirou o tapete do seu pavilhão segundo a FMV. Posteriormente, a Federação estabeleceu um acordo com a AVCM no sentido de cedê-lo para que pudesse ser utilizado no pavilhão da Manyanga, visto ser a única agremiação do país que promove regularmente campeonatos. Porém, tal parceria não passou de uma simples promessa repleta de exigências.

Por exemplo, a FMV pretende que a associação que gere o voleibol na cidade de Maputo reabilite o pavilhão da Manyanga de modo a que este esteja em condições de receber o referido tapete.

Por sua vez, A AVCM considera que não é seu dever melhorar o pavilhão da Manyanga pois cabe à agremiação máxima do voleibol nacional criar as devidas condições para, mais do que instalar um tapete, massificar a prática do voleibol no país.

A AVCM vai mais longe ao questionar a Federação acerca dos destinos dos fundos anualmente alocados pelo Governo para o desenvolvimento e a promoção da modalidade.

Em jeito de resposta, a Federação diz que o dossier “tapete” e reabilitação de qualquer infra-estrutura desportiva não faz parte do seu plano de actividades para o presente ano e que o fundo disponível nos seus cofres cobrirá apenas a premiação das equipas que disputarão o campeonato nacional.

Ressalve-se que a Escola Francisco Manyanga lançou nesta segunda-feira, dia 18, um concurso público que visa a reabilitação das instalações que englobam as salas de aula, o campo de futebol, os ginásios e a piscina, deixando de fora o referido pavilhão.

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