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A professora de “palmo e meio”

A professora de “palmo e meio”

Se uns procuram vender os seus conhecimentos aos outros, o mesmo não se pode dizer em relação a Emelda, uma menor de 13 anos de idade que dá explicações a cerca de 30 crianças do seu bairro de forma gratuita. A força de vontade e o gosto pela promoção da Educação tornam-na uma heroína.

“Quero incutir nas outras crianças o valor da Educação para o desenvolvimento do país”, é assim que ela responde sempre que é questionada sobre o objectivo que ela pretende alcançar ao dedicar parte do seu tempo à transmissão de conhecimentos a petizes do bairro do Aeroporto A, onde reside.

Emelda Zamambo nasceu em 1999, na cidade de Maputo. É órfã de pai e mãe e frequenta a oitava classe na Escola Secundária do Aeroporto “A”. Actualmente, vive com a avó, Inora Dzimba, de 52 anos de idade, a qual tem a missão de sustentar não só a menina Emelda, mas também mais seis netos, dos quais uns foram rejeitados pelos pais e outros cujos progenitores estão radicados na África do Sul.

Esta situação faz com que a avó tenha de batalhar todos os dias para garantir que os netos tenham o que comer e material escolar, uma vez que os lhos foram para a terra do Rand sob o pretexto de procurar melhores condições de vida, mas quando lá chegaram não se preocuparam em dar notícias.

“A nossa avó, mais do que procurar comida para nós, esmera-se para garantir que possamos estudar e termos o material escolar necessário nas aulas. Reconhecemos o esforço dela em prol da nossa educação”, reconhece Emelda, que diz que se engana quem pensa que a sua infância está (a ser) coroada de rosas, visto que, não raras vezes, a família não têm o mínimo para garantir uma boa alimentação e uma vida saudável.

“Às vezes não conseguimos comprar certos materiais didácticos por falta de dinheiro. O pequeno negócio de venda de carvão praticado pela minha avó não tem tido retorno. É muito difícil depender dele”, diz.

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(Sobre)viver da boa vontade dos outros

Perante as difíceis condições de vida que afectam a pacata família da menina Emelda, alguns vizinhos têm dado alguma ajuda em géneros alimentícios e dinheiro para revitalizar ou reforçar o negócio da sua avó. A outra parte vem das crianças que bene ciam das aulas de explicação, cuja professora é esta menor, uma educadora de “palmo e meio” que procura a todo o custo auto-afi rmar-se nesta área pro ssional.

Emelda é de opinião de que “ensinar as crianças é uma forma de brincar, formar e autoformar-se, bem como uma maneira de contribuir para o cumprimento e respeito aos direitos da criança no país, neste caso, o direito à Educação”.

A adolescente, que pretende tornar-se professora no futuro, a firma que não vai descansar enquanto não vir todas as crianças do país a benefi ciarem da Educação (e de qualidade). “Acho que a Educação devia ser uma das acções prioritárias do Governo. Eles dizem que é mas a realidade diz outra coisa”.

As declarações da Emelda fazem jus às palavras do saudoso Presidente Samora Machel, segundo as quais “é através da Educação que o povo toma o poder”. A Educação poderia permitir libertar os petizes da mendicidade, das drogas, da imundície, da exploração e de outras situações que perigam a vida desta camada.

Uma vida amarga

No entanto, a luta pela sobrevivência é o que caracteriza o dia-a-dia da pacata família de que esta menor faz parte. Mas, mesmo assim, ela descarta a possibilidade de um dia vir a cobrar dinheiro para fazer o que mais gosta: ensinar.

“Não pretendo fazer das aulas de explicação que dou aos outros uma forma de conseguir o meu ganha-pão. Aliás, nem todos têm condições financeiras para pagar pela educação dos seus lhos”, promete, para depois acrescentar que olha para o processo de ensino e aprendizagem um meio de aperfeiçoar o seu saber e contribuir para que as crianças estejam livres de abusos de vária índole, e dotá-las de conhecimentos sólidos relativamente aos seus direitos e deveres.

A rotina diária da pequena professora tem sido ir à escola no período da manhã e o da tarde é reservado à explicação das 32 crianças que frequentam diversas escolas da urbe. Para Emelda Zamambo, dar aulas constitui um dom, razão pela qual vai abraçar esta profi ssão por toda a sua vida.

Através da leccionação, “pretendo servir a sociedade e contribuir sobremaneira para o desenvolvimento deste país cujo índice de analfabetismo ainda é preocupante”.

“A minha grande alegria é dar aulas no ensino primário completo, ou seja, de 1ª a 7ª classe. É nesta fase que se molda uma criança para toda uma eternidade. Se ela tiver problemas nesta fase, isso pode repercutir- se nas classes futuras”, acrescenta.

A paixão pelos livros e a vontade que tem de ensinar ou explicar os outros fazem dela uma fonte de conhecimento, onde os amigos aprendem e limam as di ficuldades que tenham em determinadas disciplinas.

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“…isto é uma dádiva”

Questionada pelo @Verdade sobre se esta será uma acção contínua, ela foi peremptória na resposta: “Há coisas inexplicáveis na vida. Eu acho que esta é uma dádiva vinda de Deus. Tenho de abraçar esta profi ssão na perspectiva de sempre ajudar quem precisa, neste caso, as crianças que frequentam o ensino primário. Elas são o meu alvo”.

Emelda convida todas as crianças moçambicanas a lutarem conjunta e afi ncadamente no sentido de contribuírem para a preservação dos seus direitos (particularmente o do acesso à Educação) e para a promoção de iniciativas como a sua.

“Se cada criança fi zesse o que eu faço na minha comunidade a realidade seria outra. Temos de ensinar os nossos irmãos. O nosso papel é complementar a tarefa do professor. Apelo aos outros para que façam o mesmo”, aconselha

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