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‘@VERDADE Continental: À Beira do abismo

Quando, ao início da noite do passado dia 3 de Dezembro, o último número da Jeune Afrique foi para impressão, a Costa do Marfi m já tinha perdido o seu encontro defi nitivo com a História. O cenário idílico de uma eleição presidencial transparente em que no fi nal o perdedor felicita o vencedor, deu lugar a uma nova eleição “calamitosa”, levando muitos a apelidá-la, e bem, de golpe de Estado constitucional.

Excepto para os observadores internacionais que foram acusados de cegueira voluntária, excepto a existência de um vasto complô internacional para instalar Alassane Ouattara no poder, não vejo como é que Gbagbo pode manter-se nestas condições à frente dos destinos do país.

Um poder de excepção, bunkerizado, assente na força das armas, um país dividido em dois e atirado um conta o outro, uma Costa do Marfim mergulhada no caos: dizem-nos que isto não é verdade e que o pior, por vezes, não é a certeza…

Desta eleição de 28 de Novembro, após a qual, paradoxalmente, é o partido no poder que diz que foi vítima de fraude, (sinal de que este era muito democrático) permite tirar algumas conclusões singulares: – Ouattara, o candidato mais aberto ao exterior, o mais globalizado e o que possui mais apoios fora do país é o que tem jogado mais com o voto étnico e as questões tradicionais, que continuam claramente a ser determinantes na sociedade marfi nense.

Enquanto o candidato nacionalista, aparentemente o mais ‘marfi nista’ Laurent Gbagbo, tem apelado a uma votação moderna, mais sem apego a etnias, mas, infelizmente para ele, ainda em minoria. – As oito sondagens da TNSSofres, encomendadas por Laurent Gbagbo e que previam uma fraquíssima transferência de voto do eleitorado de Bédié para Alassane Ouattara na segunda volta, revelaram-se completamente enganadoras, com nítida vantagem para o adversário do presidente cessante.

Mais uma vez, como ficou provado, a questão da adaptação deste tipo de pesquisas às realidades do continente colocam- se cada vez com mais pertinência. – A maioria dos observadores achava que a Costa do Marfim ainda não estava preparada para eleger um presidente muçulmano. Mas, os resultados proclamados pela Comissão Eleitoral Independente parecem demonstrar o contrário.

À escala do país, esta eleição será uma viragem tão histórica como a eleição de um negro para a Casa Branca.

– Há, no continente, dois tipos de chefes de Estado. Os que aceitam a derrota e a alternância – a lista é longa: Diouf Kérékou, Soglo, Sassou Nguesso, Kaunda, Chiluba, Banda, Kolingba … e os que as negam e se recusam a reconhecê-las – a lista é curta: Mugabe, Kibaki. Laurent Gbagbo é um historiador. Por isso, está bem colocado para saber o que é bom e o que é mau.

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