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Venezuelanos fazem novas manifestações e os mortos chegam a 25

Milhares de simpatizantes e adversários do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tomaram as ruas de Caracas novamente, esta quarta-feira (12), quando mais três pessoas morreram, elevando para 25 o número de vítimas fatais em um mês de manifestações.

Os simpatizantes do governo socialista de Maduro, usando roupas vermelhas, realizaram uma “marcha pela paz”, enquanto os adversários, vestidos de branco, reuniram-se para denunciar a alegada brutalidade das forças de segurança durante a mais grave turbulência política na Venezuela em uma década.

Num determinado momento, a polícia e os soldados usaram canhões de água e gás lacrimogéneo para bloquear manifestações de estudantes que lançavam pedras e coquetéis molotov e exigiam a liberação do acesso para se dirigirem à Procuradoria do Estado.

Testemunhas ouvidas pela Reuters disseram ter visto várias pessoas feridas. No estado de Carabobo, região central, um estudante, um homem de meia-idade e um capitão do Exército foram mortos a tiros em incidentes separados. Vinte e cinco pessoas já morreram nos dois lados do conflito.

Mais protestos

A 12 de Fevereiro, dois oposicionistas e um activista pró-governo foram mortos a tiros em Caracas, o que impulsionou um incipiente movimento de protesto e levou a confrontos quase diários em Caracas e em algumas cidades andinas no oeste da Venezuela.

Maduro, de 51 anos – um ex-motorista de autocarro que venceu as eleições no ano passado para suceder a Hugo Chávez, dois da sua morte – declarou vitória sobre uma tentativa de “golpe” contra ele e não parece correr risco de ser derrubado por uma “Primavera venezuelana”.

Mas os estudantes estão a prometer manter os protestos, o que significa que uma instabilidade prolongada poderá resultar em mais derramamento de sangue e representar novo empecilho para a economia já conturbada da Venezuela.

“A oposição está a provocar toda a violência. Eles deveriam ser um pouco mais espertos. As barricadas de rua não fazem nenhum sentido, só trazem violência”, disse Marcos Alacayo, 46, partidário do governo que estava entre centenas de chavistas numa praça no leste de Caracas.

“Eles estão a tentar demonstrar que o país está em mau estado, mas isso simplesmente não é verdade. Mais pessoas têm acesso à saúde, educação e boa comida do que antes. Isso é o que eles não entendem. Antes de Chávez, não um tínhamos o que temos agora”, acrescentou Alacayo, que trabalha para um programa de ensino superior estatal.

Mais de 1.300 pessoas foram presas desde que começaram as manifestações antigovernamentais no início de fevereiro, e 92 ainda estão atrás das grades, de acordo com o governo. Os detidos incluem 14 agentes de segurança, alguns dos quais implicados na morte de dois dos manifestantes mortos a 12 de Fevereiro. Mais de 300 pessoas ficaram feridas nos distúrbios.

“Por que nos atacam?”

“Hoje nós estamos a marchar para denunciar a repressão. Não pode haver impunidade. Por que é que eles nos atacam quando estamos a nos manifestar livremente? As forças de segurança estão a se curvar a uma ideologia política, quando o seu dever é proteger o povo”, disse a estudante de direito Agnly Véliz, 22, no protesto da oposição.

Agnly disse que estava presente na manifestação de 12 de Fevereiro, e depois disso tem protestado todos os dias. “Qual é o sentido de se graduar, quando o país está um caos? Se eu perder o ano, mas ajudar a construir uma Venezuela melhor, então vale a pena.”

Apesar do seu movimento ter menor dimensão daqueles na Ucrânia e Oriente Médio, os manifestantes na Venezuela compartilham uma lista parecida de queixas e reivindicações sem uma linha definida.

Alguns querem que Maduro saia já do poder. Todos queixam-se da criminalidade, inflação alta e escassez de produtos básicos. Os pedidos para libertar os presos, incluindo um líder da oposição especialmente linha-dura, Leopoldo López, tornaram-se um clamor cada vez mais forte nas ruas.

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