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Vem aí o Festival de Teatro de Inverno

Os problemas técnicos da empresa Electricidade de Moçambique, de que se deveu o mau fornecimento de energia eléctrica nas cidades de Maputo e Matola, provocou sérios constrangimentos nas actividades culturais da capital. Eventos houve que tiveram de ser cancelados. No entanto, à caminho do 10º aniversário do Festival do Teatro de Inverno, nenhum apagão impediu a realização do Festival de Dança Tambor…

À caminho da 10ª edição de um dos mais emblemáticos eventos culturais no país – o Festival de Teatro de Inverno –, mais uma vez, o Teatro Mapiko da Casa Velha voltou, no último Domingo, a acolher o Festival Dança de Tambor.

A iniciativa mesclou no mesmo espaço várias manifestações e disciplinas culturais. Com a casa quase totalmente repleta de pessoas de várias faixas etárias – com maior enfoque para a juventude – o Teatro Mapiko da Casa Velha continua a impor-se como o espaço de eleição para o nascimento e projecção de novos talentos, enquanto a Associação Cultural Girassol, uma espécie de laboratório de múltiplas actividades culturais, não deixa de apostar naquilo que a tornou uma agremiação conceituada – os grupos de teatro amador.

Para quem fala sobre o teatro, neste ano, desta vez, pela décima ocasião consecutiva – apesar de todas as crises que se tem abatido sobre os moçambicanos, com forte impacto negativo nas actividades culturais, sob o ponto de vista financeiro – a Associação Cultural Girassol está a envidar esforços para reunir grupos de teatro dos bairros suburbanos de Maputo, incluindo outros das regiões centro e norte do país, afim de realizar mais um Festival de Teatro de Inverno.

Para a iniciativa que já é uma marca registada, entre os amantes do teatro, em 2013, o grande desafio é a necessidade de trazer a Maputo colectividades culturais de outros países para conferir ao evento uma áurea de uma Festival de Teatro com dimensão internacional.

Uma causa nobre

Quando chegámos no Teatro Mapiko da Casa Velha, o programa já havia começado. Um cocktail de canto e dança, música e declamação de poesia, muita adrenalina a animar o público que se manteve enérgico desde o princípio do evento até o fim, era o cenário da casa.

Em jeito de improviso, num contexto cuja proximidade ao dia de São Valentim foi interpretado como o principal pretexto, um casal jovem que constitui o que se chama Grupo de Dança Bom de Mais, exibiu danças eróticas arrancando, desse modo, a admiração do público que não parava de aplaudir.

Depois seguiu a apresentação de uma peça de teatro – ainda em produção a qual concorre a participar no Festival de Teatro de Inverno em Maio – abordando uma problemática da mulher.

Na obra que, de imediato, apelou o público para reflectir sobre a condição ser mulher coloca em cena duas grandes mulheres ao serviço da questão da identidade: “Quem eu sou?” Na peça, talvez a pergunta certa devia ser, o que eu sou? Expõem-se duas mulheres com experiências diferentes e, em certo grau, opostas.

Uma origina-se numa família bem sucedida, enquanto outra nasceu na luxúria da pobreza absoluta, com o grave facto de aos 14 anos ter ficado órfã de pais, devendo responsabilizar-se pela subsistência dos seus dois irmãos menores.

Diz-se que, abandonada na rua da amargura, a pobre mulher teve oportunidade de envolver-se em procedimentos nefastos – como a prostituição – para garantir o próprio bem-estar e dos seus.

Foi-lhe difícil e dura a situação, mas não optou pelo caminho da facilidade. Aprendeu a impor-se contra os obstáculos e, alguns anos depois, conquistou a vitória. Do outro lado, outra mulher com que a primeira contracena manifesta uma experiência diferente e, até certo ponto, oposta.

Origina-se numa família abastada, mas, mais adiante – movida pelo excesso de caprichos – envolve-se na prática da prostituição. Torna-se prostituta, vendendo o próprio corpo em troca do bem-estar. Sobre isso fala com notável orgulho, afinal, nas suas palavras, é uma actividade comum a qualquer outra.

A única diferença é que, nela, tudo funciona num modelo em que a reciprocidade dos benefícios se operam em tempo útil. A ser exibida em Maio no Festival de Teatro de Inverno, em “Quem eu sou?” há duas mulheres com experiências opostas que a discutem – cada uma á sua maneira – como ser bem-sucedida na vida.

Mais adiante apresentou-se uma declamação de poesia, actuação musical com o jovem cantor Dudas Aled, a par da exibição do espectáculo de dança tradicional – com o qual o respectivo grupo do Girassol participou no 10º Festival da Lusofonia, no ano passado, em Macau – até que, por deficiências técnicas, a Electricidade de Moçambique interrompeu o fornecimento da energia eléctrica ditando desse modo, o fim do evento.

Os ingressos no Festival de Dança Tambor foram condicionados a donativos voluntários que, de acordo com a Associação Cultural Girassol serão entregues ao Gabinete da Primeira Dama da República, a fim de que sejam encaminhados à pessoas necessitadas.

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