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Vamos desencorajar a prática de mão estendida: Guebuza

O Presidente da República, Armando Guebuza, desafiou na quinta-feira a população moçambicana a abandonar a prática de mão-estendida, encorajando que sejamos nós próprios a produzir as soluções de combate a pobreza que afecta cerca de 50 por cento da população moçambicana. “…vamos intensificar as acções tendentes a desencorajar a prática de mãoestendida, essa degradante atitude de querer depender de terceiros mesmo quando podemos, nós próprios, pensar, conceber e produzir e, nesses terceiros, buscar o complemento ou enriquecimento das nossas acções”, disse Guebuza.

Durante o seu discurso que marcou o término da cerimónia da sua investidura para um segundo mandato de cinco anos na presidência, fruto de uma vitória esmagadora nas quartas eleições gerais, realizadas em Moçambique a 28 de Outubro último. Guebuza, que falava diante de vários milhares de moçambicanos na Praça da Independência, em Maputo, fez referência aos desafios que Moçambique vai enfrentar no futuro, e advertiu que o Governo tem a consciência que o Vamos caminho é longo e tortuoso.

Entre os principais obstáculos ao desenvolvimento de Moçambique, Guebuza destaca o burocratismo, o espírito de deixa-andar, a corrupção e o crime, bem como as diferentes pandemias, que vão continuar a merecer uma melhor atenção do seu executivo durante os próximos cinco anos. Outros desafios incluem as mudanças climáticas, a crise financeira internacional. Por isso, disse Guebuza, “vamos estimular a inovação, a proactividade, o empreendedorismo, a excelência, o rigor e a qualidade, assentes no espírito de autoestima e da auto-superação”.

O discurso Guebuza teve como pano de fundo os cinco pilares do manifesto Frelimo, para a última campanha eleitoral, que culminou com uma vitória do partido no poder e do seu candidato por uma margem de 75 por cento. Assim, o combate a pobreza vai continuar a ser uma das principais apostas do executivo de Guebuza. Na interacção com o povo o governo diagnosticou as causas deste confrangedor e degradante fenómeno, tendo concluído que existiam apenas duas escolhas, sendo a primeira aceitar que a pobreza é um mal invencível e a segunda lutar para fazer recuar a pobreza até passar a história.

Para Guebuza, os resultados eleitorais demonstram que em Moçambique a vontade de lutar contra a pobreza ultrapassa as cores partidárias. “Por isso, com este capital de confiança exortamos a nação moçambicana para que assuma que é chegado o momento de secundarizarmos as diferenças políticas que caracterizam a competição pelo voto e dedicarmo-nos, com todas as nossas energias, a luta contra a pobreza, e epopeia de um povo que quer e sabe que pode e que está a vencer este flagelo”, disse Guebuza.

Sobre a governação, o estadista moçambicano asseverou que ele e o seu governo vão respeitar o Estado de Direito e de Justiça Social baseado no pluralismo político e de expressão, no respeito e garantia dos direitos e liberdades fundamentais de todos os cidadãos, independentemente de qualquer circunstância que os diferencie, assegurando a igualdade de oportunidades. Guebuza também referiu-se as vitórias conquistadas no seu primeiro mandato, destacando a construção de escolas, hospitais, melhoria nos sistemas de abastecimento de água potável, acesso as tecnologias informação e comunicação, energia eléctrica, aumento no número de postos de trabalho, estradas, pontes e linhas-férreas.

O estadista moçambicano também abordou os sucessos registados com o Fundo de Investimento de Iniciativa Local (FIIL), vulgo “Sete Milhões de Meticais”, (cerca de 255 mil dólares ao cambio actual) que operaram mudanças de vulto nos distritos. Instituído em 2006 pelo governo moçambicano, o FIIL é uma iniciativa que consiste na atribuição anual de Sete Milhões de Meticais a cada um dos 128 distritos em Moçambique para financiar projectos de geração de rendimentos e emprego. Como resultado, explicou Guebuza, em algumas zonas onde havia fome, hoje, o povo clama por mercados para comercializar os seus excedentes, por instituições financeiras para depositar as suas poupanças ou para buscar recursos para ampliar os seus negócios, sendo que, em algumas zonas, a bicicleta e a motorizada deixaram de constituir uma novidade.

Por isso, disse Guebuza num tom triunfal, “Moçambique marchou a um passo acelerado. A pobreza recuou, consideravelmente”. Guebuza também reiterou as promessas eleitorais do seu partido, explicando que essa certeza baseia-se na existência de milhões de braços de moçambicanos e de amigos de Moçambique, todos puxando na mesma direcção, formando uma única e imparável força. Mas, adverte Guebuza, é necessário continuar a consolidar a unidade nacional entre os moçambicanos em todo território nacional. “Já o dissemos e voltamos a reafirmálo aqui. A única alternativa para a paz é a própria paz”, disse Guebuza, para de seguida receber uma forte salva de palmas dos presentes. Prosseguindo, Guebuza explicou que a unidade nacional e a paz são fundamentos para a consolidação da democracia multipartidária em Moçambique.

Assim, Guebuza convidou todos os partidos políticos, coligações de partidos, suas lideranças e membros, mulheres, jovens e todos os moçambicanos a participarem neste processo de consolidação multipartidária. Para Guebuza, este é “um processo que também liberta diversas iniciativas criadoras para o sucesso dos nossos programas de desenvolvimento. Este convite também é extensivo a sociedade civil e aos órgãos de comunicação social”. Guebuza também fez referência ao “Revolução Verde” que cria outra série de oportunidades de cadeia de valor da produção agrária, agro-processamento e comercialização, bem como a boa governação e cultura da prestação de contas.

Sobre a governação, destaque vai para o processo de descentralização. “Para nós descentralizar é confiar e capacitar, confiar e capacitar é responsabilizar, é incutir a cultura de prestação de contas e a transparência na gestão da coisa pública. Descentralizar também é inculcar o sentido de cidadania, de pertença e de inclusão; é promover a boa governação e o envolvimento de mais moçambicanos na construção do país.

A cerimónia de investidura, que teve lugar na Praça da Independência em Maputo, contou com a presença do presidente da República Democrática do Congo (RDC) e presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), Joseph Kabila, da Tanzânia, Jakaya Kikwete, da Namíbia, Hifikeunye Pohamba, da Zâmbia Rupiah Banda, da Africa do Sul, Jacob Zuma, do Zimbabwe, Robert Mugabe, do Malawi, Bingu wa Mutharika, e do primeiro ministro de Angola, Paulo Kasoma.

Outros convidados incluíam os antigos presidentes da Zâmbia, Kenneth Kaunda, do Botswana, Festus Mogae, da Africa do Sul, Thabo Mbeki. Outros países fizeram-se representar por delegações de alto nível, ou seus representantes. Também se fizeram representar várias instituições internacionais, tais como as Nações Unidas, União Africana, Comunidades dos Países de Língua Portuguesa, Commonwealth, entre outras. De Moçambique destacam-se o antigo presidente moçambicano, Joaquim Chissano e o antigo primeiro-ministro, Pascoal Mocumbi. O evento terminou com uma recepção oficial oferecida pelo Chefe de Estado, e que teve lugar na Ponta Vermelha.

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