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União SINTIQUIGRA/SINTIVEC serviu para evitar o pior

A fusão entre os sindicatos dos Trabalhadores da Indústria Química, Borracha, Papel e Gráfica (SINTIQUIGRA) e da Indústria de Vestuário Couro e Calçado (SINTIVEC), em Novembro de 2007, formando o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Industria Química e Afins (SITIQUIAF), serviu para evitar o pior.

O facto foi reconhecido por Jéssica Gune, Secretária-Geral do SINTIQUIAF, tendo adiantado que a fusão aconteceu num momento em que um dos dois sindicatos estava condenado a desaparecer devido a problemas ligados as privatizações que deram lugar ao encerramento de várias empresas e despedimentos massivos de trabalhadores.

Gune, que falava em entrevista a AIM, disse que o processo não foi fácil e que uma vez consumada a união o sindicato tornou-se muito forte tanto em termos de actuação como também no numero de trabalhadores associados.

“ Na altura da fusão (Novembro de 2007) o SINTIQUIGRA tinha 8.550 trabalhadores e o SINTIVEC 2.500, mas, com o fusão que era a única salvação, o SINTIQUIAF, tem hoje 12.385 trabalhadores dos quais 7.500 são membros do sindicato”, disse Jéssica Gune, destacando que com a união a actuação do sindicato nas empresas tornou-se mais forte.

A sindicalista disse que o grande problema com o qual se debate o SINTIQUIAF, de momento, é o exíguo salário que estáa ser pago aos trabalhadores nos sectores de actividades, facto que é agravado pelo facto de boa parte dos empregadores não estarem a considerar a componente de higiene e segurança no trabalho.

Gune contou que algumas empresas assinaram acordos colectivos com os trabalhadores, mas não honram os seus compromissos, havendo até alguns empregadores que estão a retirar os benefícios que vinham cedendo, sob pretexto da crise financeira e outros contratempos de carácter económico.

A sindicalista queixou-se também do que chamou de falta de valorização do trabalho dos sindicatos por parte do patronato no local de trabalho, destacando que quando o trabalhador é eleito para integrar o sindicato, os empregadores arranjam artimanhas para despedi-lo, tendo apontado, sem especificar, que o sindicato registou pelo menos quatro casos.

“O que está a acontecer é muito preocupante. Assim o sindicato está representado em poucas empresas. Há empresas que nem querem ouvir falar do sindicato. Antes de tudo, os investidores deviam saber que devem criar estruturas sindicais nos locais de trabalho e assinarem acordos colectivos de trabalho”, disse Gune.

O SINTIQUIAF, segundo Gune, tomou sempre como prioridade número um a sindicalização, tanto é que o número de membros está em crescimento.

Contudo, algumas empresas aceitam a criação de estruturas sindicais, mas não se recusam a descontar o valor das quotas sindicais na folha de salários a semelhança do que acontece com os descontos para a Segurança Social.

“É que não é fácil o sindicato cobrar o valor da quota individualmente no local de trabalho”, disse.

A questão do HIV/SIDA, segundo Gune, também está a preocupar porque o sindicato desenhou uma política que, para além do combate a esta doença, inclui o apoio aos trabalhadores infectados, mas sente que nas empresas nada está sendo feito para a implementação desta iniciativa.

O processo de fusão entre estes dois sindicatos, segundo Gune, exigiu muita coragem e firmeza de ambas as partes.

O processo começou em 2004, tendo se prolongado até Novembro de 2007, altura em que ficou consumada a união.

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