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Uma campanha eleitoral que foi para além da competição política para ser uma verdadeira festa popula

A campanha eleitoral que durante 45 dias decorreu em Moçambique, e que terminou domingo, foi, sem dúvida, uma das que ficará nos anais de ouro da história deste país, porque passou de uma competição política que devia ter sido apenas, para se tornar também numa verdadeira festa popular, que envolveu mesmo os que de política não entendem ainda, como as crianças que vão aos milhares nos vários comícios que cobri e outros que presenciei através dos ecrãs dos televisores.

Tratou-se, de facto, de um jogo político limpo, condimentado com essas festividades que acabaram emprestandolhe essa era festiva que se traduziu em cânticos, danças, encenações teatrais e cómicas. Foi, de facto, uma festa popular sui generis que acabou eclipsando mesmo os poucos incidentes ou confrontos ocorridos em alguns dos 11 círculos eleitorais do país que, neste caso, foram protagonizados por certos “holigans políticos”, como os que amiúde têm ocorrido em certos jogos de futebol, mas que regra geral não chegam a pôr em causa essas competições futebolísticas.

Na verdade, foram alguns incidentes de percurso e de muita pouca monta que em nada afectaram esta jogada política. Todo aquele que quer ver de forma honesta esses poucos incidentes que envolveram apoiantes de um e outro partido, facilmente concordará com a tese defendida por alguns analistas, como o Reitor do ISRI, Dr. Patrício José, de que os que estiveram envolvidos neles, agiram movidos apenas e unicamente pelas suas emoções, e não algo concebida institucionalmente ou a mando das suas lideranças políticas, salvo um único incidente protagonizado pelos guardas de Dhlakama que dispararam a mando dele próprio.

Felizmente, todos os outros incidentes se circunscreveram a alguns poucos sítios das poucas províncias em que ocorreram, e não afectaram sequer todos os territórios dessas províncias. Isto confirma que se tratou de obra de um punhado de holigans políticos que não conseguiram conter as suas emoções e que agiram por conta e risco próprios.

Assim dito, é legítimo concluir que esta campanha foi de facto um grande jogo político que envolveu 19 partidos e coligações e três candidatos à presidência, e que ficarão a saber quem de entre eles terá jogado bem, somente quando o eleitorado moçambicano for, digamos assim, a meter por eles os respectivos golos desta jogada que estes partidos e candidatos não podiam eles próprios meter, porque a lei que regula este seu jogo, não lhes dá esse direito.

Portanto, ficarão a saber quem de entre eles foi o melhor jogador, quando o eleitorado fazer, na próxima quarta-feira dia 28, o seu juízo ou veredicto final nas urnas onde irá depositar os seus votos. É a partir desta data, que ficará claro qual é a equipa política que o povo deste país acha que é a melhor, e que, portanto, merecerá a escolha do povo para que seja ela a governar nos próximos cinco anos, do mesmo modo que se irá saber quem deverá ser o próximo presidente de Moçambique para igual período.

Os excluídos devem assumir a sua própria culpa e esperar pelo próximo campeonato daqui a cinco anos

Como em qualquer jogo regido por regras, nesta competição política houve equipas ou, já agora, partidos políticos que acabaram sendo total ou parcialmente excluídos desta jogada, mas que tal ocorreu não por vontade ou culpa dos árbitros, mas apenas e unicamente porque essas equipas políticas não conseguiram cumprir todas as normas preconizadas pela lei eleitoral para se ser parte desta competição.

No caso de alguns dos partidos que ficaram excluídos pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), e que mais tarde viriam a ver os seus recursos serem também chumbados pelo Conselho Constitucional (CC), devem ter agora a ombriedade e humildade de assumir a sua culpa, e não atirá-la a estas duas instituições que, na verdade, a única culpa que cometeram foi terem cumprido o seu papel de aplicar a lei com rigor.

Isto porque da análise feita em torno das queixas feitas por esses partidos e candidatos excluídos, ficou claro e comprovado nessa altura, como agora que as águas que eles haviam turvado pela sua agitação acalmaram finalmente, que eles têm mesmo culpa no cartório, porque não organizaram os seus processos como a lei manda, e no caso de alguns deles – como é o caso do MDM – fez-se presente ao balcão da CNE para entregar a sua candidatura e todos os processos que levava, quando faltavam apenas 10 minutos antes do fim do horário de expediente nas instituições públicas em Moçambique, ou seja, as 15.20 horas.

Ora, chegar à tão última hora como esta, o que teria sido normal, era que se lhe dissessem que já não iam a tempo de se receber nada, porque se estava quase na hora de encerramento. É que para além deste atraso todo, o que tornou grave ainda o problema do MDM é que não trazia sequer todos os processos que tinha de entregar naquela última hora do último dia do prazo de entrega em que os seus mandatários chegaram ao balcão da CNE.

Mas apesar de que os atenderam até noite adentro, no lugar de os agradecer por terem feito tudo para evitar que ficassem completamente fora da competição como se faz com os clubes que se lhes averba uma derrota por falta de comparência ao campo do jogo, o MDM acusa-os de os terem traído excluindo-os parcialmente. Mas que culpa tem o arbitro quando averba derrota à equipa que falta ao jogo!? Que culpa tem a CNE por ter excluído os partidos e candidatos que não cumpriram o que está previsto na lei!?

Na verdade, o MDM está a sacudir a sua própria culpa não só para um inocente, mas, pior que isso, para alguém que o salvou parcialmente pelo menos. Isto nos leva a crer nos que dizem que o MDM está a jogar com todos os trunfos, porque o seu objectivo não é jogar limpamente, mas usar todos os meios para ver se chega ao poder. O MDM está a valer-se de todos os meios para alcançar o objectivo que persegue, o que obviamente não pode ser aceite.

Houve quem visse problemas onde não haviam

Como ocorre nos jogos de futebol, onde há os que torcem fanaticamente por este ou aquela equipa, também nesta campanha houve, infelizmente, alguns moçambicanos e estrangeiros com vestes diplomáticos neste último caso que cometeram esse pecado político, como houve até jornalistas ou órgãos de informação, que movidos pelo amor excessivo que nutrem por certas equipas políticas, noticiaram que estas estavam sendo vítimas dos órgãos eleitorais do regime, pondo-se daí a denunciar em parangonas aquilo que rotularam de batotas, fantasmas fraudulentas, ciclos leopoldinos…que nunca existiram senão nas páginas desses seus jornais.

É caso para se dar razão aos que dizem que aqui está a face do lambebotismo ao serviço dos que não querem ver este Moçambique continuar em paz e em consolidação da sua paz e democracia. A maneira como faziam o relato deste jogo político, até pareciam que os seus autores se haviam tornado de repente cegos e surdos, porque o que noticiavam nos seus jornais estava tão desfasado da realidade que se vivia no campo político onde os partidos e candidatos a deputados e à presidência jogavam.

Tais jornalistas ou jornais noticiavam o que não acontecia, o que levou um colega da área desportiva, a dizer que estavam a fazer um relato de um jogo político tão desfasado do verdadeiro jogo que estava a decorrer tão bem e tão belamente em todo o país. Vincou que se ele e todos os que liam essas notícias o fizessem naqueles tempos em que não havia televisão, podiam ter sido induzidos a pensar que esta campanha estava a correr muito mal, porque todas as edições desses jornais tinham nas suas primeiras páginas notícias muito más sobre a mesma.

Esta tendência levou este meu colega a dizer que tudo indicava-lhe que a intenção última destes jornalistas que ao longo desta campanha estamparam tais notícias inflamatórias e tendenciosas, o teriam feito deliberadamente a mando de alguém, para, à prior, tentar desacreditar todo este processo eleitoral em si, porque estariam a antever que o seu desfecho final não será o que lhes vai na sua alma.

Tudo indica que antevêem eles próprios que o seu vencedor será, uma vez mais, a Frelimo e o seu candidato presidencial, Armando Guebuza, a quem eles não querem ver mesmo pintados a ouro. Será, segundo esse meu colega, a razão que os leva agora a fazer tudo para criarem a ideia de que há manipulações do que eles chamam de partidão, indo ao ponto de forjar factos noticiosos, como quando alguns desses jornais noticiaram que a empresa que concebeu o softwere que será aplicado no processamento dos votos é ilegal quando sabem que é legal.

Isto leva-nos a começar a dar razão aos que dizem que toda esta desinformação se insere no quadro da tese que diz que quem quer colher semeia antes a semente da colheita que quer ter depois. A vermos o problema com base nesta tese, então podemos concluir que esta desinformação é um acto de semear que terá como colheita alegações futuras de que este processo eleitoral foi, à partida, marcado por irregularidades, manipulações, batotas e fantasmas eleitorais, e que, por isso mesmo, o seu desfecho final reflectirá este cenário todo e nunca poderá ser transparente e muito menos justo e legítimo.

De facto, quem quiser ser profeta, deve antever agora que caso estas eleições vierem a ser ganhas pela Frelimo e pelo seu candidato, o que os autores destas notícias e todos os que não vêm com bons olhos o partido da maçaroca e do tambor virão dizer, é que o seu resultado terá sido premeditadamente ditado por tais supostas irregularidades e manipulações que eles andaram a noticiar, mas que mais ninguém as viu e nem as podia ver, porque nunca existiram de facto

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