Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

‘@Verdade EDITORIAL: Um país senil

No país onde as liberdades individuais estão garantidas, a Força de Intervenção Rápida não descarrega sobre desmobilizados de guerra indefesos. No país onde a democracia é regra, a sobranceria partidária não estorva o trabalho de um edil. No país onde a justiça vigora, as indemnizações que se devem às famílias vítimas do crime violento e da cobardia das aves de rapina são pagas atempadamente.

No país do primeiro tiro e de líderes que dão tudo pelo povo, acumular tachos em negociatas com chineses e salários chorudos deixou de acontecer faz décadas. Esse país que se pinta e que se rejeita. Esse país das carrinhas de caixa aberta só existe na mente dos apóstolos da desgraça.

Esse país é construído pela vossa fértil e pútrida imaginação. Aqui há democracia e um Presidente que olha somente para o seu povo. Aqui não há empresários a viver às custas do poder da sua assinatura em ministérios. Isso foi no outro tempo e no país dos outros. Aqui nunca ocorreu. Nós sempre fomos uma nação séria.

A cor partidária nunca significou nada neste espaço territorial. Idosos jamais deixaram de receber a sua magra e assassina pensão pelo facto de gostarem dos olhos de Dlhakama ou Simango. As bandeiras hasteadas nunca foram recolhidas. As nossas eleições foram sempre justas e transparentes. Quando o nosso compatriota foi cobardemente assassinado na África do Sul, o nosso Presidente saiu em sua defesa e exigiu justiça.

Este país é sério e já deu várias demonstrações disso. Baixou o preço do pão e do transpote. Não há monopólio do espaço aéreo e não corresponde à verdade que é mais caro sair de Maputo para Lichinga do que da África do Sul para Londres. As nossas carreiras aéreas são das mais acessíveis do país. Os nossos serviços hospitalares funcionam lindamente.

Não perseguimos, de forma alguma, Hermínio José e Jorge Arroz. Num país sério, como o nosso é, as lideranças foram sempre solidárias com a causa dos oprimidos. O Governo esteve do lado dos médicos e aumentou-lhes o salário. Jorge Arroz não recebeu nenhuma carta advertindo para a situação de que o seu contrato de trabalho não seria renovado.

Nunca tivemos o caso “Madgermanes”. Nunca tivemos o cinco de Fevereiro e Hélio Rute Muianga corre desgarrado pelas ruas do populoso Maxaquene. Aqui não há buracos nas estradas. Aliás, há, mas nas cabeças dos apóstolos da desgraça.

Aqui não há Iciduas nem Dindizas. Isso é tudo fruto da imaginação. Chókwè recebeu obras de engenharia para escoar a água e nunca ficou inundada.

Não houve centros de acolhimento porque as valas de drenagem, neste país, foram criadas para serem eficazes. Não há problemas no país, senhor Presidente. Nós é que estamos senis.

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!