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Troço Nampula-Angoche é fatigante e dispendioso

Viajar da capital provincial de Nampula para os diferentes distritos e vice-versa é um autêntico martírio. Os utentes da estrada Nampula-Angoche chegam aos seus destinos deveras fatigados, despedem muito dinheiro para chegarem aos seus destinos e as viaturas nas quais se fazem transportar registam problemas mecânicos de vária ordem. Há viagens cujo preço era de 150 meticais que chegam a custar 600 meticais.

Devido ao corte das principais vias de acesso, na sequência das intensas chuvas que se abateram sobre a região, nos princípios de Março último, a movimentação de pessoas, a circulação de bens e a travesseia em algumas pontes passaram a ser feitas exclusivamente pelos moto-taxistas, incluindo alguns jovens que se fazem ao rio (cujas infra-estruturas foram arrastadas pela fúria das águas) para ajudarem os passageiros, a troco de valores monetários que, nalguns dos casos, ultrapassam o dobro dos custos totais que eram praticados antes das chuvas.

A estrada que liga a cidade de Nampula aos distritos de Mogovolas e Angoche, num troço de 172 quilómetros, é dos vários exemplos desta “maratona” fatigante e dispendiosa do transporte rodoviário.

Fernando Loja, secretário executivo da OLIMA, uma instituição vocacionada na produção e comercialização de cereais, em Angoche, teve de viajar na semana passada para a cidade de Nampula, por força de trabalho, na companhia de um dos seus colegas. Eles não tinham outra alternativa, porque se tratava de uma viagem de negócios, senão arriscar a vida e despender parte considerável dos rendimentos da empresa.

Por uma questão de contenção de despesas, os dois prefeririam viajar em transporte pessoal, em óptimas condições de operacionalidade, mas quando eles chegaram a Nampula a sua motorizada teve sérios problemas mecânicos.

De acordo com o nosso interlocutor, para além dos 700 meticais usados para a aquisição de sete litros de combustível – que supostamente seria suficiente para a viagem – os dois, sem desembolsar nenhum tostão, atravessaram o rio Luaze através de uma pequena embarcação, mas tiveram de pagar um valor pelo carregamento do ciclomotor.

O mesmo cenário viria a repetir-se no rio Mutacaze. Cada um foi obrigado a pagar 30 meticais para a sua travessia na ponte e 80 meticais pelo transporte. Foram longas horas de percurso, o que fez com que um dos passageiros optasse por permanecer mais uma semana de repouso em Nampula.

Rosalina Ossufo reside no bairro de Cerema, arredores da cidade de Angoche. Em 26 de Março corrente, recebeu a notícia de que o seu irmão se encontrava internado no Hospital Central de Nampula. No dia seguinte, partiu de carro de Angoche para Luaze, e para tal pagou 150 meticais. De Luaze para a vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, o percurso foi feito através de moto-táxi e o custo foi de 300 meticais. Da sede de Mogovolas à cidade de Nampula, num troço de 72 quilómetros, Rosalina viu-se forçada a desembolsar mais 150 meticais.

Significa dizer que o custo real para chegar à cidade de Nampula e vice-versa, os passageiros necessitam de 600 meticais, contra os anteriores 150 meticais que eram aplicados pelos transportadores até finais do ano passado.

O governo daquela província reconhece esta situação e diz estar a accionar mecanismos no sentido de garantir a reposição, o mais rápido possível, das estradas que fazem a ligação entre os grandes centros urbanos. O director provincial de Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Pedrito Raúl Rocha disse, em entrevista ao @Verdade, que a sua instituição vai necessitar de fundos adicionais, ainda por quantificar, para a reabilitação das estradas destruídas pelas enxurradas.

Em Nampula, o acesso a algumas localidades, postos administrativos e sedes distritais está dependente dos meios marítimos e aéreos. Os distritos costeiros de Mossuril, Ilha de Moçambique, Mogincual, Angoche e Moma, bem como os de Mogovolas, Murrupula, Mecuburi e Lalaua foram os mais assolados.

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