O Standard Bank realizou, recentemente, na cidade de Maputo, a vigésima segunda edição do Economic Briefing, uma iniciativa através da qual continua a proporcionar aos seus clientes e à sociedade em geral informações relevantes sobre as perspectivas de evolução da economia nacional e internacional, com vista à tomada de decisões informadas.
Durante o evento, o Banco apresentou as suas perspectivas económicas que indicam um risco acrescido de a economia nacional crescer abaixo de 1,1% este ano, após uma contracção de 0,5% em 2025, denotando uma recuperação lenta da actividade económica.
Dados preliminares disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam um PIB nominal de 1.431,6 biliões de meticais em 2025, ou seja, cerca de 22,4 biliões de dólares norte-americanos, o que, para o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, representa um PIB per capita de apenas 657 dólares.
“Estimamos que, após uma recuperação no último trimestre de 2025, o crescimento do PIB se torne negativo neste segundo trimestre de 2026, devido, essencialmente, ao impacto da paralisação da Mozal, da materialização de riscos climáticos desde o início do ano, de pressões fiscais recorrentes, de desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa, bem como de episódios de oferta intermitente de combustíveis”, sublinhou.
Segundo Fáusio Mussá, considerando o choque global de oferta causado pelo conflito no Médio Oriente, que tem resultado numa redução na oferta global de petróleo em cerca de 10% e no aumento do preço do crude, prevê-se um aumento da inflação homóloga em Moçambique, dos 3,2% registados no final de 2025 para 6,4% em Dezembro de 2026. Estas “adversidades” que a economia moçambicana enfrenta, acrescentou, exigem respostas adequadas do ponto de vista das políticas económicas e reformas, de modo a assegurar a estabilidade macroeconómica e social.
Num outro desenvolvimento, o economista-chefe do Standard Bank alertou que, sem o desenvolvimento adequado de infra-estruturas, o País fica mais vulnerável aos efeitos dos eventos climáticos adversos e recorrentes, tornando-se menos atractivo ao investimento privado.
Por sua vez, o administrador-delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício, considerou que o País está diante de inúmeras oportunidades para voltar a crescer na ordem dos 10%, à medida que os grandes projectos estruturantes entram em fases mais avançadas de implementação e começam a produzir efeitos na economia.
“Há uma luz ao fundo do túnel e estamos cada vez mais perto de voltar aos níveis de crescimento que tivemos no passado em Moçambique. A expectativa é que, a partir de 2028, possamos regressar a crescimentos de 10%. Quem tem uma visão de longo prazo, esta é a altura de começar a fechar acordos e de planear investimentos”, afirmou.
Para além da apresentação das perspectivas macroeconómicas, o evento, que decorreu sob o lema “Perspectivas Económicas para 2026: Moçambique e o Contexto Internacional”, foi marcado pela realização de dois painéis de debate, nomeadamente “A Retoma dos Projectos de Petróleo e Gás” e “Investimento em Infra-Estruturas”.
Participaram, como painelistas, Fernando Ouana, director nacional de Logística e Desenvolvimento do Sector Privado, Carlos Yum, director do Projecto Mphanda Nkuwa, Nelson Cossa, administrador executivo da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Florival Mucave, presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Rômulo Cunha Corrêa, representante do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, e Marica Calabrese, directora executiva da Eni Rovuma Basin.
Os painelistas convergiram na necessidade de mais investimento em infra-estruturas, com especial enfoque na sua ligação às áreas produtivas, bem como na importância de um envolvimento mais activo do sector privado no ecossistema das multinacionais, em particular no GNL.
As intervenções permitiram analisar os desafios actuais, identificar as oportunidades e partilhar perspectivas práticas sobre o desenvolvimento da capacidade produtiva e a dinamização do tecido empresarial, tendo sido igualmente salientada a importância de uma abordagem integrada entre o sector público e privado, com destaque para a necessidade de soluções inovadoras, financiamento adequado e um ambiente de negócios favorável.
O evento, que constitui uma plataforma privilegiada de diálogo sobre os principais desafios e oportunidades para a economia nacional, contou com a participação de clientes do Standard Bank, representantes do corpo diplomático acreditado em Moçambique, membros do Governo, representantes de associações empresariais, entre outros intervenientes.