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Trincheiras verdes

Forças Armadas de países como França e Estados Unidos desenvolvem tecnologia sustentável para as suas armas de guerra.

“Numa guerra, a primeira vítima é a verdade” disse em 1917 o senador americano Hiram Johnson. Ele não relacionou quais seriam as outras, mas uma delas é o ambiente. Afinal, não há sistema que escape ileso aos aviões de caça que queimam açudes de combustível, aos tanques que não deixam nem uma árvore em pé e aos submarinos que dizimam a fauna marinha.

Com o objectivo de poupar quem – ou o que – não tem nada a ver com as guerras, os quartéis- -generais desenvolvem ideias, produtos e estratégias para provocar o menor estrago possível.

A maior potência militar do planeta, os EUA, lideram as iniciativas sustentáveis no campo de batalha. Naquele país foi criado o Army Environmental Policy Institute (Instituto de Política Ambiental do Exército, em tradução livre). O objectivo do instituto é não só usar a força em terra para defender florestas, mas fazer com que o trabalho dos soldados não prejudique o ecossistema no qual actuam.

“É nossa obrigação garantir que os soldados e as suas famílias tenham terra, água e ar necessário para treinar. Isso depende das nossas conquistas em sustentabilidade”, diz a secretária assistente do Exército americano para Instalações, Energia e Meio Ambiente, Kathleen Hammack.

O instituto é responsável pela criação da política do esforço “net-zero”, que estabelece que os danos ambientais sejam compensados em qualquer instalação do Exército, de maneira a não deixar pegadas de carbono para trás. “Precisamos de começar com a redução, depois passar para a reutilização, reciclagem, recuperação de energia e, só então, pensarmos no descarte”, diz ela.

Nos aspectos mais práticos da sustentabilidade nas batalhas, um dos projectos dos americanos é o Long Endurance Multi-Intelligence Vehicle, ou LEMV, por exemplo. Trata- -se de uma aeronave projectada para voar por até três semanas sem reabastecer. Graças a uma combinação no uso de querosene e electricidade, ela consome em média 10% do que bebem as concorrentes de porte similar. O protótipo será construído pelos EUA em 2011 e já vai vigiar os céus do Afeganistão.

A queda brutal no consumo de combustível também é o que toma mais verde o submarino francês Suffren, que só deve chegar às águas em 2017.

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