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Transmissão vertical: Moçambique deve abandonar niverapina

Moç ambique precisa abandonar o tratamento de mulheres grávidas e infectadas pelo vírus de HIV com a niverapina se quiser acabar com os casos de transmissão vertical, isto é de mãe para filho. A posição foi defendida por Michel Sidibe, Director Executivo do Programa das Nações Unidas para a Sida (ONUSIDA), que se encontra de visita a Maputo.

A saída de uma audiência com o Primeiro-Ministro, Aires Ali, Sidibe disse a jornalistas que o uso deste medicamento continua a provocar muitos nascimentos de crianças infectadas pelo vírus quando o mundo já possui várias combinações para evitar que uma mulher grávida dê à luz um bebé contaminado. “Moçambique figura na lista dos 30 países em que 25 por cento das mulheres grávidas continuam a usar a niverapina para prevenir a transmissão vertical”, afirmou Sidibé, para quem o Governo deveria contemplar todas as mulheres grávidas nos actuais programas de tratamento com anti-retrovirais, que são eficazes.

Acrescentou ainda que por causa da persistência no uso deste medicamento, infelizmente, o país continua a registar cerca de 40 mil nascimentos por ano de crianças infectadas com o vírus de HIV. Mesmo sem indicar os números exactos, Michel Sidibé, citado pelo Jornal Noticias, afirmou que Moçambique continua a registar um elevado índice de infecções, o que obriga o Governo a melhorar as suas políticas de prevenção e combate a esta doença. De referir que a Comunidade de Sant’Egídio já defendeu o mesmo posicionamento, considerando que Moçambique deve ser ousado e investir seriamente na prevenção da transmissão vertical.

A Comunidade de Sant’Egídio foi a pioneita no tratamento anti-retroviral (TARV) em Moçambique, introduzido em 2002, altura em que não havia esperança para as pessoas vivendo com o HIV/SIDA. Assim, os doentes de sida estavam condenados a morte. Segundo Paola Germano, da Comunidade de Sant’Egídio, o uso da niverapina é o mínimo que se pode fazer, porque este comprimido tomado apenas uma vez não produz resultados. Assim, Paola avançou a triterapia, que é a associação de três anti-retrovirais num único comprimido, que já se mostrou eficaz e permite simplificar o tratamento. Para ela, esta é uma boa alternativa à niverapina e garantia de que uma criança nascida de mãe seropositiva não esta igualmente infectada e seja saudável. Estima-se que existem no país 1,6 milhão de pessoas infectadas com o vírus causador da SIDA.

Neste momento, mais de 200 mil doentes de SIDA beneficiam do TARV e estima-se que mais de 500 mil carecem deste tratamento. O TARV é a grande esperança dos doentes de SIDA para prolongarem as suas vidas, visto que esta doença ainda não tem cura, nem vacina.

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