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The Latest Candidate

The Latest Candidate

Dividiu a sua vida entre a Beira, Zimbabwe, Reino Unido e Pretória de onde regressou recentemente. Chama-se YPG e assume-se como o “Latest Candidate”. @ Verdade revela aqui uma conversa de café animada, despida de preconceitos e com muito riso à mistura.

@VERDADE – És o último candidato ao Hip-Hop Reggae ou estás a ser modesto?

YPG – (risos) Latest Candidate não tem muito a ver com o estilo de música que faço e sim é mais relacionado com a minha personalidade.

@V – Essa assinatura relacionase com o quê?

YPG – ‘YPG’ é um nome, proveniente do meu verdadeiro nome ou nome ofi cial que é Yussuf Paul Gessela, ou o nome que está escrito em documentos (risos). ‘Latest Candidate’ é um a.k.a. e até pode vir a ser um ‘alter-ego’ que apenas aparece em palco ou em certas situações!

@V – E misturar o Hip-Hop com o Reggae é fácil?

YPG – Tudo na vida e fácil! Basta querermos e acreditarmos. O único problema é saber fazer bem. E trabalhar para isso. O Hip-Hop (de acordo com história da música) provém do Reggae e é a fusão destes dois estilos que agora se chama Dancehall, alguns chamam Ragga… Para mim até agora tem sido fácil. A única difi culdade é fazer as pessoas entenderem este estilo de música, pois apesar de ouvirem nas discotecas, rádios e festas ainda não reconhecem que nós em Moçambique também o sabemos fazer e podemos ter o mesmo sucesso que o Sean Paul ou Capleton!

@V – De qual dos dois te sentes mais perto?

YPG – Eu comecei como rapper, mas com o tempo fui-me afastando do Rap e Hip-Hop e aproximei-me mais do Reggae e Dancehall. É difícil dizer qual é o estilo que me identifi – ca como artista porque já estou enrolado na ideia de Reggae e Hip-Hop juntos como apenas um género musical. E o mais impressionante é que estamos a conseguir fazer! (risos)

@V – Queres protagonizar o sucesso do Nas com o Damien Marley?

YPG – A ideia deles trabalharem juntos foi nice. E desse featuring vê-se que estes estilos juntos trazem um grande espaço para expor mensagens positivas. Eu aprecio muito o trabalho destes artistas, mas nunca posso dizer que quero ser como eles ou fazer o que eles fazem.

@V – Então o que é que queres?

YPG – Quero deixar uma marca nas pessoas, não ser apenas mais um músico ‘One Hit Wonder’ que aparece faz um vídeo… Uma música e já está! Daqueles que as pessoas gostam e depois de uns tempos desaparece e um dia ainda te encontras com ele numa mercearia a comprar leite ou ‘dogfood’ (risos). Mas quero que saibas que sendo como eu sou e fazendo o que eu faço, posso chegar ao mesmo nível do Damien Marley. Com a devida modéstia e focus.

@V – Tens músicos de eleição?

YPG – Bem… Vou mencionar os de Moçambique. Entre músicos, artistas, bandas e dj’s que escuto ou aprecio aqui são AXikunda, Ras Haitrm, Meskel, Gravity Regulators, Azagaia, Mona, alguns R&B ‘singers e rappers’, também. Só não vou mencionar nomes senão vão me ver na rua e achar que sou um grande fã enquanto só gosto de uma música! (risos)

@V – Já te inscreveste em algum concurso de música?

YPG – Humm… Passo! Tenho o direito de manter-me calado! (risos)

@V – Quem te disse que sabias cantar?

YPG – Sabes a verdade é que nunca me disseram que não sabia cantar! (risos) Às tantas nem sei cantar. (risos) Eu só comecei a fazer música e a partir daí nunca parei… É algo natural.

@V – Conta-me o teu melhor momento em palco.

YPG – Foi em Maputo, no dia 11 de Fevereiro deste ano, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, cantando o “African Queen” produzido pelo Ras Haitrm. Acho que foi um momento abençoado, já que é uma música nova lançada no dia do tributo a Bob Marley.

@V – E a quem é dedicada?

YPG – Esta música é dedicada a todas as mulheres mas escrita para apenas uma. (risos). A tua próxima pergunta não pode ser outra vez “mas quem é?”, porque não vou responder! (risos)

@V – Okay… Estás duro hoje! E o pior momento?

YPG – Tenho a sorte de, como um novo artista, fazendo um estilo que não se escuta tanto assim aqui em Moçambique poder contar – usando apenas dedos duma mão – às vezes que já cantei para mesas, cadeiras, e espectadores inexistentes. Estou em crescimento e encaro os momentos menos bons como lições a aprender.

@V – “Ignorance”! Podes explicar- nos a letra da música?

YPG – A letra fala da sexualidade e as escolhas que a sociedade nos deu para com este assunto. Não sou homofóbico, mas tenho a minha opinião em relação a isso! Para quem quiser saber mais aconselho a escutarem o “Ignorance” e começarem a falar sobre isso.

@V – Já foste assediado?

YPG – Por mulheres sim!

@V: E por um homem?

YPG – Ehhhh! Claro que não! Eu não ando em sítios em que isso possa acontecer!

@V: “Shake ? em Locks”. São os teus?

YPG: Basicamente a música foi escrita para qualquer pessoa que tem dreadlocks, gosta de Reggae, de soltar o cabelo e abaná-lo de um lado para o outro. A letra aprofunda-se nos versos onde falo sobre as origens dos dreadlocks e algumas controvérsias e discriminações relacionadas com pessoas que escolhem ter este tipo de cabelo, natural.

@V – És vaidoso?

YPG – (risos) Não, mas gosto de estar limpo, organizado e bem vestido, a maioria das vezes!

@V – Nunca sais de casa sem…

YPG – Telemóvel, caneta, caderno de rimas, óculos de sol e um flash!

@V – E o perfume?

YPG – Nunca pode ser revelado, mas posso dizer “Love, Lust, Passion, Devotion “ quem conhece…Conhece! (risos)

@V – Uma aposta na cena musical alternativa moçambicana?

YPG – Eu aposto mesmo no Dancehall ou Hip-Pop-Reggae, porque é algo que não está a ser feito aqui, há quem diga que não há mercado para isso… Todo o mercado que existe no Mundo foi construído com tempo e eu vou construir um para este tipo de música! (risos)

@V – Um país para actuar?

YPG – Tenho muita ambição e gostaria de actuar em vários países. Apenas não quero ser um músico moçambicano conhecido na Europa e Américas e pelo resto do mundo, mas que nunca tenha actuado em Gaza ou Sofala ou Pemba!

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