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Tanques sírios deixam cidade de Hama, diz primeiro ministro turco

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que tanques sírios começaram a retirar-se esta quarta-feira da cidade de Hama, alvo de intensa repressão militar este mês, e que a Turquia espera que o presidente da Síria, Bashar al Assad, inicie reformas dentro de 15 dias para acalmar a insatisfação popular.

Erdogan afirmou que na terça-feira a Turquia transmitiu uma clara mensagem ao governo sírio durante negociações para pôr fim à repressão militar às grandes manifestações pró-democracia e contra os 41 anos de regime autocrático da família Assad na Síria, iniciadas cinco meses atrás.

“Na Síria, o Estado está apontando armas contra o próprio povo”, disse Erdogan. “A mensagem da Turquia para Assad é muito clara: interrompa todos os tipos de violência e derramamento de sangue’.” Em declarações feitas na capital turca, Ancara, durante um encontro de seu partido, o AK, Erdogan pediu à Síria que atenda às demandas do povo sírio por democracia. “Esperamos que tudo seja concretizado em 10-15 dias, e sejam tomadas medidas para o processo de reformas na Síria.”

O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, manteve na terça-feira mais de seis horas de conversações com Assad e outras autoridades sírias em Damasco. A Turquia, um dos poucos países amigos que restam a Assad no Oriente Médio, tornou-se mais impaciente com a situação na Síria à medida que aumentava a reação internacional à cifra de mortos na violência. Segundo ativistas de direitos humanos, mais de 1.600 pessoas morreram desde o início dos protestos.

Erdogan e o chanceler Davutoglu disseram ter tido mostras de que a mensagem da Turquia foi compreendida. Isto porque o embaixador turco visitou Hama esta quarta-feira e informou que os tanques estavam se retirando da cidade, palco de uma feroz repressão militar este mês, durante a qual grupos de defesa dos direitos humanos dizem ter sido mortas até 300 pessoas. “Depois de reuniões com o governador e outras autoridades de Hama, nossa embaixador foi pessoalmente a cidade e teve a chance de contatar diretamente o povo, andar pelas ruas, orar em uma mesquita com os sírios. Ele afirmou que os tanques estão a deixar Hama e as armas pesadas estão sendo removidas de lá”, disse Davutoglu.

Davutoglu afirmou ter conversado com chanceleres do Brasil, Alemanha e Estados Unidos sobre a situação na Síria e que iria telefonar para o secretário-geral da Liga Árabe. Mas embora Erdogan e Davutoglu tenham mencionado progresso, há relatos de que tanques e tropas sírias foram enviados nesta quarta-feira para as cidades do conturbado noroeste, perto da fronteira com a Turquia. Ativistas disseram que uma pessoa foi morta e 13 ficaram feridas.

Segundo a agência estatal síria de notícias, Assad disse a Davutoglu que não será suspensa a ação militar enquanto a segurança do país estiver sob risco. Assad atribui os protestos a uma conspiração estrangeiras para dividir a Síria e diz que não deixará de perseguir os “grupos terroristas”.

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