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Taça do Rei – Real Madrid vs Barcelona: uma final com muita história

Taça do Rei - Real Madrid vs Barcelona: uma final com muita história

A competição mais antiga do futebol espanhol vive esta quarta-feira o seu momento mais especial. E dificilmente haveria melhor maneira de comemorar os seus 108 anos de história do que com uma final entre Barcelona e Real Madrid. A rivalidade entre os dois gigantes do país ganha mais um capítulo, com a equipa de Pep Guardiola, maior vencedor da prova com 25 títulos, a procurar repetir o feito de 2009 e o de José Mourinho tentando encerrar uma seca que já dura 16 anos para levantar a sua 18ª taça.

Segundo dos quatro clássicos que ambas as equipes jogarão num período de 18 dias, este novo duelo entre o futebol de troca de passes barcelonista e o poderoso ataque do clube madrilenho reunirá em campo nada menos do que 13 campeões do mundo na África do Sul 2010, entre os quais os dois principais craques do momento: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

Se já são especiais, os duelos entre Barça e Real ganham ainda mais emoção numa final de Copa do Rei. Algo assim só aconteceu em outras cinco ocasiões — duas delas, curiosamente, no mesmo palco desta quarta-feira: o Estádio de Mestalla, em Valência. Em três dessas decisões, o título foi para Barcelona, enquanto nas outras duas a taça encheu as já abarrotadas estantes da equipe de Madri. Na primeira delas, aliás, a televisão nem sequer havia surgido e, na segunda, o jogo acabou entre garrafadas.

Quando o árbitro apitar o início da partida esta quarta-feira, Casillas, Messi, Xavi, Cristiano Ronaldo e companhia passarão a formar parte de uma história na qual se destacam nomes como os de Diego Maradona, Hugo Sánchez, Vicente del Bosque — hoje técnico da seleção, mas então jogador — e Bernd Schuster, o único atleta a ter vivido o clássico vestindo ambas as camisas.

Muita água já rolou desde junho de 1936, data da primeira final entre madrilenhos e catalães, mas a paixão continua a mesma. Naquele tempo, o craque do momento era o guarda-redes Ricardo Zamora, ícone do Real e maior protagonista do triunfo do clube merengue por 2 a 1. As defesas do “Divino”, como era conhecido,transformaram-no numa lenda — especialmente uma diante de Escolà, o artilheiro barcelonista, nos minutos finais. Naquele dia, o arqueiro saiu carregado nos ombros pela torcida que lotou o Mestalla.

Foram precisos 32 anos para que novamente se pudesse ver um frente a frente entre Barcelona e Real Madrid na final da Copa do Rei. Dessa vez, apesar de o jogo ter sido no Santiago Bernabéu, a vitória foi para a equipa azul-grená, que contava com os craques Rifé e Rexach, graças a um autogolo de Zunzunegui nos primeiros minutos de bola rolando.

Aquele Real — que ficou conhecido como “Ye-yé” em referência aos Beatles, por conta dos cabelos longos dos seus principais jogadores — acabava de ser campeão espanhol e contava com o artilheiro da competição, o ponta Amancio. Porém, os madridistas pouco puderam fazer, já que também tiveram um contratempo significativo. Pirri, um dos pulmões da equipe, atuou contundido e com febre.

A rivalidade entre Barça e Real já tinha chegado ao máximo e o triunfo barcelonista no estádio do adversário não caiu nada bem para a claque derrotada. O resultado de tanta tensão foi um relvado forrado de garrafas no final do encontro, naquela que entrou para a história como a “final das garrafas”.

Na final seguinte, em 1974, o Real Madrid obteve a desejada vingança. Então, era o Barcelona do técnico Rinus Michels que chegava como favorito ao duelo, especialmente depois de ter goleado o adversário em pleno Bernabéu por 5 a 0. Mas o regulamento impedia que jogadores estrangeiros disputassem a competição e a ausência de Cruyff e Neeskens foi muito sentida pelo Barça, que mal pôde conter a determinação de Santillana, o grande cabeceador do Real, e o futebol de Vicente del Bosque e Pirri. A equipe madrilenha ficou com o cobiçado troféu após vencer o arquirrival por 4 a 0.

Em 1983, as duas equipas voltaram a disputar a Copa do Rei e, dessa vez, a taça foi para Barcelona. Uma constelação de craques tomou conta do relvado, entre os quais se destacavam Schuster e Maradona com a camisa azul-grená e Santillana e Juanito com o uniforme branco. No banco, havia o confronto argentino entre Menotti, técnico do Barça, e Di Stéfano, treinador merengue.

Impossível de ser parado, Maradona foi vítima de 17 faltas e o jogo chegou aos instantes finais com o placar marcando 1 a 1. No último suspiro, quando jogadores e adeptos já se resignavam com a ideia de um prolongamento, uma cabeçada de peixinho de Marcos Alonso desequilibrou o marcador para o lado catalão: 2 a 1. Depois de quatro confrontos, os dois maiores clubes do futebol espanhol empatavam o seu duelo particular na prova em dois títulos para cada.

Fim de um ciclo, início de outro

O capítulo precedente ao de hoje data de 1990 e marcou o fim de uma era e o começo de outra. O Real caminhava para o pentacampeonato nacional e contava com a vitoriosa equipe formada por Butragueño, Míchel, Sanchís e Martín Vázquez, craques da geração conhecida como “la Quinta del Buitre” (“o Bando do Abutre”). Além deles, havia o artilheiro Hugo Sánchez, que marcaria 38 golos no campeonato nacional naquela temporada, e um Schuster que pouco antes havia trocado Barcelona por Madri. Por sua vez, o jovem Barça dirigido por Johan Cruyff gerava mais dúvidas do que certezas. Com um cenário daqueles, o clube branco parecia ser franco favorito, mas foi o futuro Dream Team barcelonista quem conquistou o título por 2 a 0, com golos de Amor e Salinas.

A partir daquele momento, o Real Madrid iniciaria o seu declive, enquanto uma das eras de maior sucesso da história do Barcelona apenas começava. A história repete-se 21 anos depois. Novamente Barça e Real medem forças na final de uma Copa do Rei.

Os barcelonistas chegam com o título do Campeonato Espanhol ao alcance das mãos e querem voltar a conquistar a tríplice coroa, como em 2009. Já Mourinho pode conseguir o seu primeiro título como técnico do clube madrilenho e Casillas quer erguer o único troféu que ainda não conquistou.

Alguém arrisca apontar um favorito?

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