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Taça CAF: faltam dois jogos para fase de grupos

A Liga Desportiva Muçulmana de Maputo perdeu, no último domingo (05), por 1 a 3, diante do Wydad Casablanca, em Marrocos, em jogo da segunda “mão” da terceira eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça CAF. Contudo, os muçulmanos beneficiaram da sua vitória, por 2 a 0, obtida na Matola, e seguem para a última fase de apuramento, onde irão defrontar o TP Mazembe.

Da equipa que disputou o primeiro jogo, que teve lugar no campo da Matola C, em que a Liga Muçulmana venceu por 2 a 0 com golos de Sonito e Miro, Litos foi obrigado a mexer na zona central devido à ausência por castigo de Miro, colocando Aguiar a fazer a dupla de centrais com Zainadine Jr., para Cantoná e Chico desempenharem o papel de laterais direito e esquerdo, respectivamente. Na zona intermediária defensiva houve também mudanças, com a entrada de Mustafá no lugar do habitual Liberty para jogar lado a lado com o trinco Momed Hagi.

No meio-campo, o técnico muçulmano manteve as suas pedras, incumbindo a Josephy a tarefa de criar jogadas ofensivas, contando com os préstimos de Josimar e Muandro para o jogo horizontal ao serviço de Sonito, o homem mais avançado da equipa. A disposição táctica dos muçulmanos foi a mesma, de 4 – 4 – 3, ainda que com tendência mais defensiva, visto que Mustafá recuava para apoiar aos centrais, o que acabava por se transformar num 5 – 4 – 1.

No que diz respeito ao confronto, na primeira parte a Liga Muçulmana entregou todas as iniciativas de jogo ao adversário que incansavelmente correu atrás de golos para anular a eliminatória. Os muçulmanos não jogavam sequer ao contra-ataque e, sempre que tentavam sair, perdiam prematuramente o esférico, para dar corpo a mais uma jogada de perigo do adversário.

A equipa vencedora da Taça de Moçambique teve de recorrer a faltas “cirúrgicas”, algumas à entrada da grande área, colocando em risco alguns jogadores, no tocante ao aspecto disciplinar, uma vez que estes podiam ser sancionados com cartões pelo árbitro, o que comprometeria a equipa na fase seguinte. O primeiro golo da partida foi apontado transcorridos 16 minutos, num lance de bola parada em que o esférico sobrou para Khalid no interior da grande área que atirou a contar.

A Liga Muçulmana não soube responder e continuou a defender, todavia, mercê de um livre directo muito bem cobrado por Zainadine Júnior, restabeleceu a igualdade tornando a eliminatória ainda mais complicada para o Wydad, que naquele período precisava de marcar mais três golos. Mas a felicidade dos moçambicanos no estádio Henrique V durou pouco ou seja, cinco minutos mais tarde, Fabrice Ondama agradeceu a passividade defensiva contrária e, na cara do guarda-redes, colocou novamente a sua equipa em vantagem no marcador.

Segunda parte de muito sofrimento

Nos segundos quarenta e cinco minutos, o Wydad Casablanca tinha a dura missão de marcar mais dois golos, tarefa que não se antevia fácil. A Liga Muçulmana, nesta etapa, entrou com vontade também de resolver a eliminatória, o que contribuiu para um aparente equilíbrio na partida.

Contudo, a equipa moçambicana cedeu e voltou a trancar-se na zona defensiva, entregando novamente as iniciativas de jogo ao Wydad que, através de um erro defensivo em que Rachid tentou “sacudir” o perigo com o esférico a sobrar para Fabrice Ondama, fez o 3 a 1.

Seguiram-se minutos de muito sofrimento mas também de muita fé para os moçambicanos, visto que o Wydad precisava de um tento apenas para dar a volta à eliminatória. E ao minuto 73, com Caio completamente batido, a trave negou um golo espectacular aos marroquinos.

Dois minutos mais tarde, Zainadine Júnior abandonou a zona central para liderar um contra-ataque da Liga que culminou com um remate por cima da baliza, desferido pelo central. E a partir desse instante, o Wydad instalou-se na zona do meio- -campo adversário, gerando mais problemas aos muçulmanos e aflição aos cerca de 20 moçambicanos presentes no estádio.

O técnico Litos não escondeu a sua irritação pela passividade da equipa, mas foi o seu adjunto, Sérgio Faife Matsolo, que acabou por ser expulso do jogo. E nos dez minutos finais, o Wydad foi dono de três situações claras de golo, a primeira na sequência de um livre directo com Rachid a fazer um corte oportuno; a segunda num lance de pontapé de canto com a bola a ser dividida na zona central da Liga, surgindo Zé Luís a tirá-la da confusão e, a terceira, num livre directo em que a defensiva moçambicana desempenhou o seu papel, aliviando o perigo.

Com o 3 a 1 a prevalecer, o árbitro apitou pela última vez, para felicidade dos moçambicanos que fizeram mais uma história nesta competição, sendo a Liga Muçulmana a primeira do país a chegar à derradeira eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça CAF.

TP Mazembe na rota da Liga

Decorreu, na passada terça-feira (07) em Cairo, capital do Egipto, o sorteio da quarta e última eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça CAF. Naquela cerimónia decidiu-se que a equipa representante de Moçambique na prova vai cruzar o caminho do Tout Puissant Mazembe ou, simplesmente, TP Mazembe, da República Democrática do Congo.

A primeira “mão” desta eliminatória terá como palco o Estádio Municipal de Lubumbashi, com capacidade para 35 000 espectadores, entre os próximos dias 17, 18 e 19 do mês em curso. O segundo jogo vai decorrer entre os dias 31 de Maio, 1 e 2 de Junho, no campo da Liga Muçulmana, na Matola “C”.

Quem é o TP Mazembe?

O Tout Puissant Mazembe, que em português significa Todo-Poderoso Mazembe, cujo colectivo é conhecido pela alcunha de Les corbeaux, que traduzido significa “Os corvos”, é o clube com mais títulos conquistados a nível na República Democrática de Congo, com um total de doze campeonatos e cinco taças.

A nível das competições africanas é uma das mais temidas equipas e dona de um histórico de sucesso, com destaque para a Liga dos Campeões Africanos cujo troféu levantou por quatro vezes nos anos 1967, 1968, 2009 e 2010. No que diz respeito à Taça CAF, os “Corvos” foram vencedores apenas uma vez em 1980, tendo carregado a Supertaça continental por dois anos consecutivos, em 2010 e 2011.

Foram também vice-campeões no Campeonato Mundial de Clubes, edição 2010, tendo perdido na final diante do Inter de Milão, da Itália. A nível da CAF foram derrotados em duas finais da Liga dos Campeões nos anos 1969 e 1970.

O TP Mazembe foi fundado em 1932 por cristãos católicos de São Bonifácio Elisabethville de Lubumbashi, Congo e, apesar de serem apelidados “Corvos”, têm, como mascote, um crocodilo que prende uma bola de futebol nos dentes.

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