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Imigrantes ilegais já entram em Moçambique pelo mar

Os imigrantes ilegais de nacionalidade somali já começaram a mudar de tácticas para entrar clandestinamente em Moçambique, segundo revelou a AIM, o porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Pedro Cossa. Nos últimos tempos, os imigrantes ilegais começaram a entrar no país via mar e contam com a cooperação de pescadores moçambicanos e tanzanianos, considerados desonestos, para chegar à terra.

 

 

O facto é que as autoridades moçambicanas reforçaram o controlo das fronteiras terrestres em todas as entradas do país para evitar a entrada de imigrantes ilegais e os somalis encontraram no mar uma forma para entrar em Moçambique.

Segundo Cossa, os somalis são largados por grandes embarcações no alto mar e depois são carregados por pequenos barcos de pescadores. A situação é considerada crítica nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, no norte do país, e na Zambézia, na região centro.

“Agora os somalis estão a entrar no país via mar. Chegam a Cabo Delgado e depois dali vão para Nampula e Zambézia”, disse, acrescentando que “o número de somalis que entra no país é muito grande e preocupante. As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia nos preocupam muito”.

Só nas duas últimas semanas foram detidos em Nampula e Zambézia cerca de 300 imigrantes ilegais de nacionalidade somali. Cossa revelou a AIM que, há duas semanas, duas embarcações tanzanianas que transportavam imigrantes ilegais para Moçambique, em número não especificado, foram apreendidas nos distritos de Mocímboa da Praia e Palma, em Cabo Delgado.

As reais razões da entrada dos somalis no país não são conhecidas. Os mesmos dizem que procuram refúgio em Moçambique devido a crise na Somália e, por causa da pobreza nas suas zonas de origem, buscam melhores oportunidades no país.

Para as autoridades policiais moçambicanas, estes argumentos não são muito convincentes porque a maior parte deles chega a pagar cerca de três mil dólares (106.5 mil meticais) para chegar a Moçambique. Uma vez chegados a Moçambique, muitos deles se estabelecem temporariamente numa determinada zona, abrindo empreendimentos comerciais e depois partem para a África do Sul sob a capa de empresários.

“Muitos desses imigrantes dizem que procuram refugio e abrigo em Nampula (onde se encontra o maior centro de refugiados de Moçambique – Centro de Maratane) por causa da guerra na Somália. Entretanto, sabe-se que, em Joanesburgo, há uma zona de concentração de somalis”, explicou.

“Pode ser que eles estejam a fugir da Somália devido a problemas de segurança, mas não se deixa de lado a possibilidade de eles estarem a usar Moçambique para chegarem a Africa do Sul. Alguns abrem empreendimentos comerciais, juntam algum dinheiro e depois vão para a África do Sul”, ajuntou.

Cossa sublinhou que Moçambique paga uma factura alta devido aos imigrantes ilegais, uma vez que têm que acolhê-los e depois repatria-los, o que implica custos. Para Cossa, um dia a rede que sustenta esta prática vai ser desmantelada.

“Um dia vamos encontrar os autores destas práticas. Nas duas detenções que realizamos em Nampula e Zambézia, os condutores dos camiões que transportavam os imigrantes fugiram”, disse.

Cossa refuta as ideias que se ouvem na rua de que a entrada massiva de imigrantes ilegais no país se deve a facilidades que os mesmos têm de adquirir documentação moçambicana.

“O que realmente acontece, não só com os somalis, mas também com os congoleses e guineenses (Guiné Conacri), eles junta-se com mulheres em Nampula, fazem filhos e por via disso pedem a nacionalidade moçambicana”, defendeu.

As autoridades policiais estão preocupadas com este fenómeno, que pode já ter permitido a entrada de milhares e milhares de somalis ilegais ao país. A PRM, na sua actuação de controlo, tem estado a trabalhar com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

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