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Soldados sul-africanos traumatizados face ao abate de crianças-soldado na República Centro-Africana

Soldados sul-africanos sobreviventes do ataque rebelde que culminou com a tomada de Bangui e, consequentemente, da República Centro-Africana, encontram-se traumatizados depois de descobrirem que a maior parte dos rebeldes por eles abatida era constituída por crianças-soldado.

No que é descrito como a maior baixa militar depois do regime de segregação racial (Apartheid) 13 soldados foram mortos há semanas em Bangui, em confrontos com o movimento rebelde Seleka que derrubou o Presidente François Bozizé.

Um efectivo de 200 soldados sul-africanos travou um combate com mais de 3 mil rebeldes, ao longo da batalha de tomada da capital da República Centr- Africana, que durou muitas horas. Alguns sobreviventes que regressaram à África do Sul alegaram que descobriram depois do confronto que mediram forças contra crianças-soldado do campo rebelde.

“Foi depois do cessar-fogo que descobrimos que havíamos tirado a vida a crianças. Não nos deslocámos àquele país para isso… para matar crianças. Isto deixa-nos desconfortados. Eles estavam a chorar e a pedir socorro… gritando pelas suas mães. Alguns rebeldes da República Centro-Africana são adolescentes e deveriam estar na escola”, disse o pára-quedista ao Sunday Times.

Já no semanário City Press, um soldado afirmou que grande parte dos rebeldes “era constituída por crianças”. Os dois jornais escrevem ainda que o contingente sul-africano destacado para a República Centro-Africana estava já sem munições e a administração de Zuma está a receber duras críticas e perguntas relativamente aos motivos por detrás do envio de tropas àquele país.

O Estadista sul-africano foi um dos convidados a participar na Cimeira Extraordinária da Comunidade Económica da África Central, CEAC, que teve lugar na última quarta-feira a convite do Presidente do Tchad, Idriss Deby Itno.

De referir que sem consultar o Parlamento, o Presidente Jacob Zuma, aprovou o envio de 400 efectivos para a República Centro-Africana, com a missão de apoiar as forças armadas locais, em cumprimento de um pacto bilateral assinado com a administração ora deposta de Bozizé. Contudo, somente 200 soldados viriam a ser enviados.

Enviar os rebeldes ao TPI

O secretário-geral do sindicato dos militares, Pikkie Greeff, apelou ao Governo de Jacob Zuma para se aproxime do Tribunal Penal Internacional a de se julgar o homem forte da República Centro-Africana, Michel Djotodia, depois de os jornais locais terem reportado o envolvimento de petizes na guerra.

“A inclusão de crianças-soldado em actos de guerra e de agressão é uma clara violação aos direitos humanos e um crime internacional”, afirma. Greeff, defendeu ainda que o Governo sul-africano tem matéria suficiente para se aproximar do TPI contra Djotodia.

ANC no negócio de diamantes

“Nós não estamos no negócio de diamantes, nós estamos no negócio de política”, disse Jackson Mthembu, porta-voz do partido no poder, o Congresso Nacional Africano, ANC, que respondia ao artigo publicado no Mail & Guardian, segundo o qual os militares sul-africanos foram destacados para a República Centro-Africana porque o ANC tem interesses.

O jornal alega que Didier Pereira, conselheiro especial do derrubado Presidente François Bozizé, foi parceiro no monopólio da exportação de diamantes, com o homem forte do ANC, Joshua Nxumalo.

Em 2006 Pereira assinou um memorando de entendimento com o Ministério das Minas da administração de Bangui, denominado MOU. A intenção era de se criar uma parceria público-privada, a Inala Centrafrique. A companhia sul-africana, Serengeti Group, da qual Nxumalo é o accionista maioritário, adquiriu cerca de 65% de acções.

A Inala tentou adquirir o controlo da mineração de diamantes na República Centro-Africana, o que não se viria a efectivar, em Março de 2008, segundo o Mail & Guardian. Mthembu afirmou que o ANC não era um dos signatários do MOU.

“Esta questão iniciou em 2006… Pelo que sei, o ANC não é signatário dessa parceria… O partido não detém interesses na República Centro-Africana… Não temos conhecimento do que está escrito no acordo. O ANC não tem comentários em torno do envio de tropas àquele país, somente o Governo é que se pode pronunciar a respeito do assunto”, explicou.

Mthembu enfatizou ainda que o acordo em destaque foi assinado anos antes de Jacob Zuma chegar ao poder, tendo assegurado que teria tido lugar no consulado de Thabo Mbeki e que as pessoas que podem explicar os motivos do envio de tropas não é o partido, mas sim o Governo e o Ministério da Defesa.

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