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Sociedade civil exige retirada da publicidade da cervejas de Moçambique

Organizações da sociedade civil, convocaram, Terça-feira, a imprensa, em Maputo, para repudiar e exigir a retirada sem condições de uma publicidade da empresa Cervejas de Moçambique (CDM) por considera-la insultuosa e de ultrajar a mulher moçambicana.

Graça Samo, Secretaria Executiva do Fórum Mulher, falando em nome das organizações da sociedade civil moçambicana, disse que a publicidade usa e abusa do corpo de uma mulher sem cabeça e sem membros inferiores com o símbolo da cerveja “Laurentina Preta” estampado na região da púbis (órgãos genitais).

A agravar ainda mais o cenário, Sambo disse que a publicidade tem os seguintes dizeres “Esta Preta foi de boa para melhor. Agora com uma garrafa mais sexy”, justamente para denotar que ela não tem rosto, nem cabeça nem pernas para tomar o seu rumo, e apenas objecto sexual.

Contrapondo esta posição, o director comercial da CDM, Pedro Cruz, disse tratar- se de uma publicidade que se enquadra numa campanha lançada há uma semana, que introduz no mercado uma “Laurentina Preta” com mais qualidade, que desperta gosto de experimentar e com uma garrafa fácil de agarrar.

“A nossa intenção não era de ferir susceptibilidade. Somos direcção de uma empresa, vamos analisar o caso e se chegarmos a conclusão de que a reacção é negativa vamos retirar a publicidade. O propósito era o de conferir uma atitude positiva em relação a outras marcas”, explicou Cruz.

Cruz acrescentou que a campanha foi precedida de um pré-teste, tendo em conta que a Lurentina tem associado um conjunto de valores como sociabilidade, atractividade modernidade e abrangência, que teve aceitação no seio dos consumidores consultados.

Trata-se, segundo Cruz, de “um evento de marketing que introduz nova garrafa que merece ser publicitada e que a escrita mais sexy surge porque a garrafa é moderna e mais curvilínea, fácil de agarrar e que na altura em que se fez a consulta não foi registado nenhum comentário sexista”.

Em face deste cenário, as organizações da sociedade civil questionam as razoes que levaram esta empresa e outras, incluírem o corpo de uma mulher como objecto igualmente comercial, e talvez gratuito, já que não tem identidade própria, para venderem seus produtos.

A CDM, segundo Samo, é uma empresa que ostenta a marca “Made in Mozambique” que devia ser orgulho nacional, “mas se tornou vergonha nacional e internacional tomando em conta que no país temos agora visitantes de vários lugares do mundo que estão a participar nos jogos Africanos”.

“Será isto tudo que temos para vender aos visitantes que vieram participar nos jogos Africanos? Será que a nossa cerveja só tem gosto se estiver associada ao sexismo?”, questionam.

Por considerar que esta atitude é violenta e fere a dignidade das mulheres, as organizações exigem que a publicidade seja retirada imediatamente de todos os espaços públicos e que a empresa responda publicamente e judicialmente pelos seus actos.

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