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Sobe para 65 número de mortos por rompimento da barragem da Vale no Brasil, há 279 desaparecidos

Subiu para 65 o número de mortes confirmadas, nesta segunda-feira, após o rompimento de uma barragem da Vale, proprietária das minas da Vale Moçambique em Tete, na cidade de Brumadinho, no Brasil, ter lançado uma enorme avalanche de lama de rejeitos sobre comunidades e a área administrativa da própria empresa.

Em entrevista a jornalistas em Brumadinho, onde a barragem da usina da mina do Córrego do Feijão rompeu-se na sexta-feira derramando uma onda de lama que devastou os arredores, o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais, disse que ainda existem 279 pessoas desaparecidas. Segundo ele, o número de pessoas resgatadas se manteve em 192 e foram identificados 31 corpos entre os óbitos.

Mais cedo, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que o grupo de crise que trata do rompimento da barragem estudava a possibilidade de pedir a destituição da diretoria da mineradora Vale, mas que não sabia se isso seria possível e como seria feito. As acções da Vale caíram mais de 20 por cento, equivalente a uma perda de mais de 73 biliões de reais em valor de mercado.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que a companhia deve ser fortemente responsabilizada inclusive criminalmente. Os executivos da Vale também devem ser pessoalmente responsabilizados, disse ela.

O desastre na mina do Córrego do Feijão ocorreu pouco mais de três anos depois que uma barragem desabou em uma mina em Mariana operada pela Samarco, uma joint venture entre a Vale e a BHP Billiton, matando 19 pessoas e atingindo o importante rio Doce, no maior desastre ambiental da história do país.

Apesar de o desastre da Samarco de 2015 ter despejado cerca de cinco vezes mais resíduos de mineração, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho na sexta-feira deixou muito mais mortos por ter soterrado um refeitório lotado da Vale e uma área povoada.

“O refeitório estava em uma área de risco”, disse Renato Simão de Oliveira, de 32 anos, enquanto procurava por seu irmão gémeo, funcionário da Vale, em uma estação de atendimento de emergência. “Só para economizar dinheiro, mesmo que isso significasse perder o cara… Esses empresários só pensam em si mesmos.”

À medida que os esforços de busca foram retomados nesta segunda-feira, bombeiros utilizaram placas de madeira para atravessar o mar de lama, que chega a centenas de metros de profundidade em algumas áreas, para retirar corpos que estariam dentro de um autocarros. Moradores encontraram o autocarro enquanto tentavam salvar uma vaca presa na lama.

Ademir Rogério, um morador de longa data da região, chorava enquanto vasculhava a lama do local onde um dia ficaram as instalações da Vale. “O mundo acabou para nós”, disse ele. “A Vale é a maior mineradora do mundo. Se isso pode acontecer aqui, imagina se fosse uma mineradora menor.”

Nestor José de Mury disse que perdeu seu sobrinho e colegas de trabalho na lama. “Nunca vi nada parecido, matou todo mundo”, disse.

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