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Síria não aceita ampliar a missão dos observadores da ONU

A Síria afirmou, esta Quarta-feira, que uma missão de observadores da ONU não precisa de ter mais do que 250 integrantes nem apoio aéreo independente, contestando a avaliação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre os requisitos para o monitoramento da frágil trégua em vigor.

O governo sírio também afirmou preferir a vinda de monitores de “países neutros”, entre eles o Brasil. O cessar-fogo instaurado, há sete dias, funciona apenas em certas partes da Síria.

Em redutos oposicionistas, como Homs, Hama, Idlib e Deraa, o Exército continua a atacar os rebeldes com armas pesadas, o que contraria o plano de paz acatado pelo governo de Bashar al Assad.

O chanceler sírio, Walid al-Moualem, disse numa entrevista colectiva em Pequim que os monitores deveriam vir de países “neutros”, entre os quais citou Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, todos eles mais simpáticos ao regime de Assad do que as nações ocidentais desenvolvidas e a Liga Árabe.

Ban disse que, para monitorar cidades separadas por centenas de quilómetros, ele solicitou helicópteros e aviões à União Europeia, mas Moualem declarou que a Síria vai encarregar-se do transporte aéreo onde for necessário.

Uma fonte política no vizinho Líbano disse que o governo sírio já havia rejeitado o uso de helicópteros da ONU.

As grandes potências ocidentais não demonstram apetite por uma intervenção militar para acabar com a violência na Síria, que dura 13 meses e já resultou em mais de 10 mil mortes.

Rússia e China, que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, já vetaram duas resoluções que poderiam levar ao uso da força.

Assad diz que a Síria está a ser atacada por terroristas patrocinados pelo exterior, e que os monitores desarmados, para a sua própria segurança, precisarão de coordenar todos os passos da sua missão com as autoridades sírias.

O Exército Sírio Livre, principal grupo da oposição armada, diz que irá aderir ao cessar-fogo se Assad retirar tanques, armas pesadas e soldados dos centros urbanos, conforme prevê o plano de paz do mediador internacional Kofi Annan.

Os activistas dizem que muitas pessoas já foram mortas desde que a trégua entrou oficialmente em vigor, Quinta-feira passada.

De acordo com a agência estatal de notícias Sana, quatro membros das forças de segurança e um civil foram mortos, Terça-feira, quando “um grupo terrorista armado lançou uma bomba num autocarro” em Aleppo, segunda maior cidade síria.

A agência disse que os terroristas estão a atacar e matar soldados leais ao governo nas suas casas, e a sequestrar juízes.

Na manhã desta Quarta-feira, os activistas colocaram na internet um vídeo mostrando um suposto bombardeio em Homs ao alvorecer.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que a cidade de Deraa (sul) foi bombardeada. A entidade confirmou as cinco mortes por uma bomba em Aleppo.

Uma equipe preliminar com seis militares da ONU está em Damasco a discutir o protocolo da eventual missão de monitoramento, cuja composição Ban pretendia apresentar, esta Quarta-feira, ao Conselho de Segurança.

O chefe da missão preliminar, o coronel marroquino Ahmed Himmiche, disse que está a tentar estabelecer contacto com os rebeldes sírios.

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