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Isto é: Será que o prostíbulo me ama ou (simplesmente) me trama?

…alaridos à parte, as meretrizes também experimentam crises severas e – uma prostituta impotente, em apuros – é como me sinto quando, na fulva lentidão de Agosto, num mesmo fim-de-semana, em Maputo, há vários concertos e não me posso relacionar com todos.

 

Eu sou uma prostituta assumida. Gosto de prostituir- -me. Não sei se – para mim – haverá vida sem a prostituição. Se os prostíbulos, com todos os meus clientes, eternamente, carentes suportariam viver apartados de mim. É que, além de maravilhosa, a prostituição é bela. Lasciva!

Satisfazer este homem – conhecer as suas experiências sexuais, as razões e motivações que, mesmo sendo casado, o levam a demandar-me – criando, depois, condições para que aquele-outro experimente outras sensações e aventure-se por pura aventura. É que a relação entre homens e mulheres está em crise, porque – como diria um amigo meu – os homens não gostam de mulheres. Eles gostam de uma coisa que a mulher tem. E eu dou-lhes!

É verdade que, como outros advogam, os problemas de um país não podem ser negociados por pessoas nuas. Mas isso, para mim, é só uma estratégia que – uma vez aplicada – golpeia a comunidade internacional, gerando dinheiro. Por isso, aqui, alguns pensam em oficializar a prostituição. Outros ainda querem elevar-me à categoria de Presidente da República. Mas eu estou muito feliz com a ideia de domar a minha Maputo.

No princípio, eu sentia-me amada. Mas agora, com o meu corpo, totalmente mutilado, sinto-me tramada. Aqui, neste momento, neste híper-prostíbulo que se chama Maputo, a prostituição – a dita mais antiga profissão humana – perdeu a coordenação. Aliás, ao que tudo indica, ela nunca foi coordenada. De todas as formas, possíveis e imagináveis, e, por diversas razões, eu ainda suportava.

O problema é que, neste momento, há quem pensa que – apesar de eu insistir que amo todos – faço alguns filhos e outros enteados. Quem me dera tal poder? Na verdade, como digo, a prostituição está descoordenada no prostíbulo como, por exemplo, o drama dos ‘chapas’ – que, sem dó nem piedade, transforma homens em bois – o comprova nesta Maputo dos moçambicanos. Então, expliquem-me vocês, será que – nestas condições – o prostíbulo me ama ou (simplesmente) me trama?

Eu, feita escrava dessa adrenalina, sempre voluptuária, já me prostituí o suficiente nesta cidade. Mas, agora chega! Ou a gente promove um ‘casting’ para seleccionar outras prostitutas, bem treinadas e qualificadas, a fim de se satisfazer os homens necessitados, salvaguardando as suas famílias, ou, finalmente – e, aparentemente, sem nenhum precedente – perderemos a nossa bela prostituta. E o país ficará desolado. Será uma tragédia nacional!

Bem, alaridos à parte, as meretrizes também experimentam crises severas e, uma prostituta impotente, em apuros, é como – eu, repórter sociocultural deste país – me sinto quando, na fulva lentidão de Agosto, num mesmo fim-de-semana, em Maputo, há um concerto de Luka Mukavele, outro de Carlos Gove, o autor de Massone – pepitas humanas da nossa cultura – incluindo a coreografia Uto(mi)pia de Virgílio Sitole – sobre corpos, sexualidades e tolerâncias –, e, por causa de uma descoordenação – no seio das nossas casas culturais – que provoca uma congestão de programas culturais, não me posso relacionar com todos.

Percebo, então, que o prostíbulo não me ama, simplesmente me trama.

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