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SELO. A Universidade Pedagógica de Moçambique: O meu berço académico – Por Wilson Nicaquela

Tenho feito bujardas que até, no meu perfil, costumo preferir omitir a minha formação e a casa onde conquistei a “Santa Ciência”. Sim, onde conquistei, pois, o único título superior de que disponho é da Universidade Pedagógica  (UP).

Esta postura, tenho assumido na minha acepção, não pela maledicência, pelo contrário, devido a minha imperfeição e falta de “higiene linguística e de linguagem” (entenda -se como frontalidade e crítica), preferia manter o bom nome daquela casa, onde eu e muitos aprendemos os 10 Mandamentos da academia, propostos pela Associação dos Estudantes, na minha época aqui em Nampula dirigida pelos excelentíssimos  Vinagre… e depois Júlio Bernardo André.

É do conhecimento de cada moçambicano interessado ou atento em acompanhar notícias áudio, visuais ou escritas que até agora, isso mesmo, agora, antes da “divisão” que se avizinha, a UP é única universidade que a par do ensino secundário e primário cobre todo país e, em algumas províncias, senão quase todas com campus nos distritos, para além das delegações sedes.

Até aqui está tudo bem! E qual é a minha preocupação? A isso vamos: não porque queira me envolver em conflito de auto estima e defesa institucional. Porém, tenho acompanhado com alguma preocupação discursos tanto políticos como académicos, que chamam a Universidade Eduardo Mondlane, como sendo a maior do País. Ora vejamos: o termo “maior” como consta do Livro Sinfonia da Palavra 7, é um adjectivo flexionado na língua de Camões ou Fernando Gil (dinamizadores do português moderno), o  grau é superlativo relativo e não absoluto!

Por acaso, quais são os critérios usados para determinar a tal maioridade? Não estaremos a colocar confusão nas crianças que nem de tempo dispõem para estudar esses adjectivos? Apesar de não ter cursado o português como ciência, tenho me interessado para melhorar o meu discurso. Ademais, é com ela que comunicamos no Moçambique de “lés a lés “. O antigo e maior passaram a ser adjectivos sinónimos?

Não conheço e nem me interessa saber do número de estudantes que as outras delegações dispõem, ma a Casa Amarela, como carinhosamente é tratada a UP Nampula, até em 2008 albergava mais de 9.000 estudantes. Aliás, em 2015, tinha mais de metade do total dos Estudantes de todas outras Universidades sediadas ou representadas em Nampula.

Aparecem argumentos cosméticos, tentando, retoricamente, convencer a todos menos a mim (rsrsrsrs), que a UEM se lhe considera a maior, pela qualidade do ensino, a mais antiga, com professores formados. Voltemos ao português moderno, todo antigo é o maior? Moçambique será o menor país em relação ao Madagáscar por um ter sido colonizado por Portugal e outro pela França? Ou Malawi assume a maioridade por ter sido o primeiro a alcançar Independência em relação a Moçambique?

Eu penso que há toda necessidade de reajuste discursiva, pois, tanto os dirigentes, assim como os académicos convergem, aliás tenho a sensação de que os responsáveis pela elaboração dos discursos, fazem “copy paste” dos elaborados nos anos 1990.

Devido a conjuntura socio econômica e política que o país atravessa, a UP para além de responder as necessidades instantâneas, procura acobertar as lacunas deixadas pelas Universidades afins. Nesse corre-corre, os cientistas dos curricula enganaram os dirigentes, introduzindo cursos que só aumentam o descrédito, sobretudo, daqueles que não sabem que eu sou fruto de lá  (Rsrsrsrsr).

A Geologia e Minas, a Medicina, o Direito, entre outros, são alguns cursos que põem em causa todo um esforço para melhorar a qualidade de ensino que o país  precisa neste momento.

A emergência de ONG’s que se dedicam no reforço da leitura nas escolas do Ensino Básico, é uma resposta da lacuna deixada pela UP, enquanto instituição que para além de formar professores de quase todos os subsistemas, tem um curso designado “ENSINO BÁSICO”.

A ausência  de corrupção exacerbada (rsrsrsrs), o interesse pelos cursos do período pós laboral, independentemente da área de formação, de quase todos os docentes, acaba criando revolta nos que  ficam sem essas turmas nocturnas e por conseguinte, todo empenho. Eis a razão que os mesmos professores que me ajudaram a ler criticamente uma obra não muito distante, acima de tudo, enquanto licencidos, hoje que são Mestres e PhD, administram  aulas de faz-de-conta.

Alguém da direcção da UP, ou meu antigo Professor, depois de ler este meu artigo des (necessário) irá dizer aquilo que Prof. Joao Bonnet referiu na sua tese de Doutorado em 2002, ao citar Michael Apple: Já viu formamos, atribuímos -lhe diploma e vira as costas,  fala mal de nós, só viu tudo de mal aqui?

Não se preocupem, não me atribuíram o diploma, conquistei, não  estou falando mal, antes, estou fazendo e bem àquilo que me ensinaram, naquele tempo em que vocês, não eram vocês mesmos. Sim, porque nesse tempo aluno do 1o ano apresentava trabalho nas jornadas científicas e com conteúdo para ser ouvido e citado. Prova disso é  Gildo Aliante Aliante, Gildo Salgado, Wilson Profirio Nicaquela, só para exemplificar! Aliás, começamos cedo, fizemos pesquisa dentro da “nossa casa” UP, para aferir como era percebida a avaliação pedagógica pelos docentes e estudantes no Ensino superior!

Concluindo, para mim a Universidade Pedagógica constitui a maior Instituição de Ensino Superior em Moçambique e as outras podem se considerar as que menos expandem seus investimentos. É  impossível hoje, passar por um Distrito desta pérola e não encontrar um formado pela UP, independentemente, da delegação.

A UP, precisa se envolver menos no sensacionalismo que o boom dos recursos naturais impôs  e reorientar-se na solução dos problemas da Educação.

Quando o problema em causa visar educação, mais do que outra instituição, a UP, deve ser o melhor advogado ou juiz de causa!

Por Wilson Nicaquela

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