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Segurança da Renamo cerca comando distrital da PRM em Angoche

Um grupo de homens armados da Renamo, o maior partido da oposição, cercou na noite de domingo o Comando Distrital da Polícia moçambicana (PRM) do município de Angoche, na província nortenha de Nampula, para exigir a libertação de um dos seus membros que fora detido horas antes em conexão com um caso de agressão ocorrido no dia anterior. O elemento da Renamo ora detido foi identificado como sendo Mamur Saide Dias Assan. A sua detenção surge na sequência da agressão de um grupo de seis cidadãos perpetrada por igual número de elementos da segurança do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no fim da tarde de sábado.

O incidente ocorreu quando as vítimas se encontravam na esplanada de um bar no município de Angoche, no regresso da caravana de Dhlakama, vindo do bairro de Cuanha, localidade de Johare, onde dirigiu um comício popular e que marcou o seu primeiro dia de campanha eleitoral nesta província. Convidado a explicar sobre as razões que levaram os homens armados da Renamo a cercar o Comando Distrital da PRM, o comandante distrital, o superintendente Adriano Muianga, disse que o acto ocorreu após a detenção de um dos principais protagonistas que foi conduzido à cela.

“Momentos depois vimos o nosso comando cercado por homens armados trajados de fardamento de cor verde e que bloquearam a Rua 7 de Abril que passa em frente do Comando Distrital da PRM, impedindo a travessia de pessoas e viaturas. Volvidos alguns minutos, apareceram alguns deputados, um dos quais eu consegui reconhecer como sendo o famoso Simão Bute, e diziam que vinham exigir a soltura daquele criminoso”, contou.

Segundo Muianga, as forças de manutenção de lei e ordem recusaram-se a satisfazer as exigências da Renamo, pois o autor dos crimes protagonizados no Sábado deveria ser entregue a justiça. Após muita insistência da Renamo, explicou Muianga, o Comando Distrital decidiu contactar fonte da administração da justiça local que informou que nada podia fazer naquele instante, razão pela qual o arguido deveria aguardar até as primeiras horas de segunda-feira. “A Dra. Juíza virá ao Comando Distrital para a legalização do processo. Mesmo assim, custou muito para eles poderem sair.

Saíram momentos depois com palavras ameaçadoras e exigiam que libertássemos o arguido. Evitamos a todo o custo trocar palavras e acabaram saindo e até amanhã (segunda-feira) o caso terá o seu desfecho”, explicou o comandante distrital. O caso, que teve início cerca de 21 horas de domingo, acabou por se estender até cerca das 23 horas locais. Durante o incidente, Dhlakama encontrava-se hospedado numa residência localizada a menos de 300 metros do Comando Distrital da PRM. Questionado se teria reinado um ambiente de instabilidade no seio dos residentes de Angoche, Muianga disse que “aquela força é ilegal, não é uma força reconhecida e também não é conhecida pelas populações.

Por isso, a presença de um homem armado, de um homem desconhecido ameaça sobremaneira a ordem pública, tendo como agravante o facto de o seu comportamento não ser adequado, pois é um comportamento ameaçador”. Para Muianga, estas são algumas das causas do clima de insegurança que se instalou na noite de domingo em Angoche. “Existem razões para as pessoas sentirem uma certa insegurança. Mas posso garantir que foi restabelecida a ordem.

As viaturas e pessoas já estão a atravessar pela rua e, portanto, vamos ter que aguardar ate amanhã (segunda-feira) para sabermos qual será o desfecho deste problema”, explicou. Segundo Muianga, a PRM vai continuar a trabalhar arduamente para garantir a circulação livre de pessoas e bens, bem como o funcionamento normal do sector produtivo e dos órgãos do Estado.

“Temos uma polícia organizada, forte e, por isso, penso que estamos em condições de garantir que haja tranquilidade no nosso distrito de Angoche”, asseverou. Sobre o posicionamento da PRM na eventualidade do regresso dos homens da Renamo, Muianga disse que as forcas de manutenção da lei e ordem vão continuar a resistir, pois a decisão final cabe exclusivamente ao tribunal. Na manhã desta Segunda-feira (hoje), o ambiente em Angoche era tranquilo, apesar de sentir-se uma certa tensão. Renamo diz foi detido “um cidadão inocente que goza de imunidade” Convidado pela AIM a comentar sobre os últimos desenvolvimentos, Arnaldo Chalaua, porta-voz provincial da Renamo, disse que “detiveram um indivíduo inocente, que nunca esteve no local. Aliás, esse indivíduo goza de imunidade, pois é o candidato a membro da Assembleia Provincial. Logo, por lei, este indivíduo não pode ser detido”.

“A Lei Eleitoral diz salvo em casos de flagrante delito é que este mesmo candidato poderá responder pelos seus actos, que não foi o caso”, justifica-se Chalaua. Sobre os próximos passos da Renamo se as autoridades se recusarem a libertar o membro detido, Chalaua limitouse a responder “não pode ser condenado pois a lei tem que favorecer a todos. Não é por ser membro da Renamo que tem que sofrer como esta a acontecer em muitos casos”. Questionado se reconhecia que a segurança da Renamo cercou o Comando Distrital, Chalaua respondeu que membros residentes em Angoche “foram apenas para explicar que o aludido cidadão goza de imunidade”.

“Nós temos segurança não para entrar nas esquadras da polícia, o que queríamos é que eles percebessem que o cidadão detido é um candidato e goza de imunidade, por isso não pode ser detido por lei”, disse. Chalaua fez questão de distanciar o líder da Renamo do incidente de Domingo. “O líder (Dhlakama) está muito longe dessas questões. Sabemos que quando acontecem situações dessa natureza procuram responsabilizar o presidente Dhlakama, mas ele está muito bem, em termos de trabalho que fez neste distrito de acordo com a sua agenda de trabalho foi de acordo com as nossas expectativas”, disse. Chalaua acusa ainda a Frelimo de organizar grupos de choque para criar distúrbios por onde passam os candidatos da oposição. “Pessoas com panfletos de um outro partido não podem levar os mesmos panfletos e ir exibir para uma outra caravana”, justificou Chalaua.

Na ocasião, Chalaua citou o Secretario para Mobilização e Propaganda da Frelimo, Edson Macuácua, asseverando que qualquer membro da Frelimo que criar distúrbios será penalizado. “Espero que ele tome medidas, porque são provocações”, referiu. Chalaua também exige a separação entre o partido e o Estado. “A polícia está a fazer um papel, não para manter a ordem, mas apenas para proteger o partido no poder. Não percebem que partido é uma coisa e o Estado outra”, alegou. “É melhor corrigirem-se porque não estamos preparados para tolerância. Vamos reagir e essa reacção pode criar distúrbios no país. Nos queremos a paz e a tranquilidade, queremos que no dia 28 de Outubro tenham o privilégio de ir votar em quem quiser”, concluiu.

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