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Sector financeiro moçambicano livre da crise mundial

A crise financeira internacional não está a ter reflexos directos sobre o sector financeiro moçambicano, devido ao facto das instituições que operam no mercado doméstico apresentarem um baixo grau de exposição aos activos corroídos pela mesma crise.

O cenário deve-se igualmente ao facto das mesmas instituições apresentarem um nível de capitalização adequado, “situação conjugada com medidas de reforço prudencial, rigor e profissionalismo na gestão das instituições”, segundo Ernesto Gove, governador do Banco de Moçambique (BM), sublinhando que o sector financeiro nacional mantémse estável e com rácios acima dos padrões prudenciais.

Cenário contrário registase sobre indicadores do sector externo da economia moçambicana, onde, em 2009, as exportações registaram uma redução em cerca de 30%, face a 2008, perante a queda das importações em 11%, “redundando no agravamento do défice da conta de bens suportado pelas transferências correntes que totalizaram cerca de 764,5 milhões de dólares, menos 10% que o valor de 2008”, realçou Gove.

CRISE DE AMBICAO DO NORTE

Ajuntou que também se registou uma redução substancial da transferência de dividendos por parte das empresas de Investimento Directo Estrangeiro, “este último a reflectir a comparticipação das empresas privadas na mitigação dos efeitos da crise sobre a economia”.

Falando na segunda-feira em Maputo durante o simpósio internacional sobre a crise financeira internacional, características, lições a tirar e caminhos a seguir, o governador do BM indicou, entretanto, que do lado de reservas externas do país, elas registaram uma redução dos rendimentos sobre aplicações no exterior na ordem dos 20%, em 2009, enfatizando, entretanto, que os principais indicadores macroeconómicos “situaram-se acima das previsões iniciais, tendo o PIB crescido em torno de 6,3% e a inflação média anual, em Maputo, desacelerado para 3,25%, face a 2008”.

Por seu turno, Gill Marcus, governadora do Banco Central da África do Sul, também presente no simpósio, considerou a crise financeira mundial como sendo “crise de ambição do Norte, ou ácido tóxico despoletado nos países mais desenvolvidos e com repercussões nas nossas economias”.

Marcus apelou a todos os países da região a unirem esforços contra a crise “e não podemos esperar que alguém do Norte venha a nós para nos tirar desta crise. Temos de nos empenharmos e unirmos esforços contra a crise”, apelou a governadora da SARB. O simpósio terminou ainda ontem e esteve integrado nas celebrações dos 35 anos da criação do Banco de Moçambique, a 17 de Maio de 1975.

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