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Saúde adquire sapatos apropriados para leprosos

Saúde adquire sapatos apropriados para leprosos

Os leprosos passam este ano a ter sapatos apropriados, uma iniciativa do sector da Saúde de Sofala, financiada por um dos seus parceiros, a Daimen Foudation, da Bélgica, revelou o médico-chefe provincial, Isaías Ramiro, à margem das celebrações do Dia Mundial da Lepra, que se assinala em todos os anos no último domingo do mês de Janeiro.

Desta feita, a efeméride é comemorada no dia 25, tendo sido celebrada sob o lema: “Envolver a comunidade na aldeia para eliminar a lepra no distrito”. As cerimónias centrais em Sofala decorreram na localidade de Tchecha, em Caia. A perda dos dedos das mãos e pés e a cegueira são as consequências da doença, considerada a mais antiga do mundo.

“Concluímos haver a necessidade de aquisição de sapatos apropriados para os leprosos, porque têm tido imensos problemas para a sua locomoção” – sublinhou o médico-chefe provincial, afirmando que “estamos a trabalhar no sentido de conseguirmos os pares de sapatos ainda este ano, porque queremos que a iniciativa logre sucessos na nossa província”.

Ramiro esclareceu que na província de Sofala existem 67 doentes em tratamento. A taxa da lepra reduziu significativamente nesta parcela do país, passando no ano transacto de um caso para, actualmente, 0,4 por cada dez mil habitantes.

“Em 2007 o índice situava-se em 1,6 casos por cada dez mil habitantes”, disse Ramiro, apontando Machanga, Dondo, Marromeu, Chemba, Muanza e Cheringoma como sendo os distritos que até então constituíam preocupação para o sector da Saúde na província de Sofala.

“Agora estes distritos já não nos preocupam” – frisou o médico-chefe provincial, o qual afirmou que as regiões em causa chegavam a registar dois casos de lepra por cada dez mil habitantes. “Portanto, esta doença já não constitui problema da saúde pública na província de Sofala” – sustentou.

Na óptica daquele responsável, o sector da Saúde conseguiu estes ganhos mercê da sensibilização das comunidades, envolvendo vários activistas que davam a conhecer sobre a necessidade de os doentes acorrerem às unidades sanitárias para receber os tratamentos, abandonando o mito de que a doença não tem cura.

Medicamentos nas
localidades

Ramiro garantiu que, uma vez tratando-se de um desafio que o sector da Saúde tem, os medicamentos terão que chegar até as localidades, uma medida que visa eliminar por completo a lepra.

“Daqui para a frente, os medicamentos chegarão a todas as aldeias dos distritos. Vamos estender os tratamentos a todas as unidades sanitárias” – assegurou o nosso interlocutor, referindo ainda que uma outra tarefa consistirá na sensibilização das famílias para fazer o diagnóstico da lepra.

Falando perante uma parte dos habitantes de Tchecha, aquele quadro da Saúde explicou que os medicamentos para o tratamento da lepra, doença causada por micróbio que ataca a pele e os nervos, são gratuitos.

Manchas mais claras do que a pele normal, borbulhas no corpo e/ou na cara e mãos e/ou pés insensíveis são sintomas da lepra, doença transmissível.

A chefe da Saúde da Comunidade, Odete Jorge, presente naquela cerimónia, disse que “o que queremos é trabalhar para que as doenças não cheguem às comunidades e apelamos para que as pessoas sigam as instruções dos profissionais da Saúde”.

Fernanda José Mandara, secretária permanente de Caia, apelou para a necessidade do envolvimento massivo das comunidades para apoiar na identificação precoce dos casos para o tratamento atempado da lepra.

Mandara explicou que os doentes de lepra não devem ser discriminados e isolados nas comunidades. Afirmou ainda que é preciso que os mitos sejam postos de lado. Em Caia, as zonas endémicas são Ndoro, Candeia, Murema, Chatala e Tchecha. Em 2008 foram diagnosticados e tratados seis casos.

Antes dos discursos, foi apresentada uma peça teatral sobre a lepra, que criou muito interesse nas pessoas presentes, segundo constatou o nosso Jornal.

O Mfumo, chefe tradicional, de Tchecha, Mário Araújo Mazambane, disse ter ficado sensibilizado pela peça teatral e a partir daquele momento estava em condições de mobilizar os que têm a lepra, para que se dirijam às unidades sanitárias mais próximas visando o seu tratamento.

Joaquim Francisco, o conselheiro daquele Mfumo, afirmou que as peças teatrais sobre a lepra e outras doenças que ocorrem nas comunidades deveriam ser feitas várias vezes, de modo a sensibilizar as pessoas que não sabem como se contraem estas enfermidades e as formas de evitá-las, bem como o seu tratamento.

 

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