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Rússia explora operários imigrantes na sede olímpica

Os operários imigrantes que participam das obras para a Olimpíada de Inverno de 2014 em Sochi, no sul da Rússia, estão a ser enganados no pagamento dos seus salários e não recebem alimentação, moradia e descanso adequados, disse uma entidade de direitos humanos, esta Quarta-feira (6).

Um funcionário do governo russo disse que as acusações da organização Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, são exageradas, e que o governo monitora atentamente os direitos dos trabalhadores.

A HRW divulgou o seu relatório enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, visitava Sochi para inspeccionar os preparativos, a um ano do início da Olimpíada de Inverno.

Segundo a ONG, mais de 16 mil imigrantes chegaram a Sochi, na costa do mar Negro, na esperança de conseguir trabalho – principalmente nas obras olímpicas. Num relatório que se baseou em entrevistas com 66 operários, a HRW disse que eles enfrentam “consistentes padrões de abusos” nos empregos mal pagos.

O texto diz que esses operários são oriundos da Armênia, Quirguistão, Sérvia, Tadjiquistão, Uzbequistão e Ucrânia. “As pessoas trabalham, não são pagas e vão embora. Aí chega um autocarro e descarrega um novo grupo de operários para repetir o ciclo”, disse um trabalhador ucraniano citado no relatório.

O texto diz que os operários imigrantes estão particularmente vulneráveis porque a sua permanência na Rússia depende de eles terem emprego.

Os patrões muitas vezes deixam de entregar cópias das autorizações de trabalho e outros documentos, e ameaçam denunciar os operários às autoridades como imigrantes ilegais, segundo o relatório.

O grupo pediu que o Comité Olímpico Internacional (COI) tenha um papel mais activo na preservação dos direitos humanos dos operários. “Há uma carta olímpica que fala em dignidade e no espírito do olimpismo”, disse Yulia Gorbunova, pesquisadora da HRW.

“Isso realmente não é compatível com usar e abusar as pessoas envolvidas na construção dessas incríveis instalações.”

Um porta-voz do COI disse que a entidade tem um “tradicional compromisso de acompanhar” questões de direitos humanos associadas aos Jogos, e que já tomou providências com relação a alguns casos de não-pagamento de salários.

O vice-primeiro-ministro, Dmitry Kozak, que acompanhou Putin a Sochi, disse que a Rússia está a monitorar a situação. “Não houve queixas suficientes que merecessem um relatório internacional”, disse Kozak a jornalistas, acrescentando que há 96 mil trabalhadores e 500 empreiteiras a trabalharem em Sochi.

“É claro que não é muito fácil para os operários imigrantes, seja em Sochi ou em Moscovo. Mas não posso dizer que as violações generalizadas dos direitos das pessoas estejam a ocorrer durante os preparativos para a Olimpíada.”

A estatal russa Olympstroy, criada para supervisionar as obras olímpicas, disse ter recebido apenas cinco queixas salariais, todas elas já resolvidas.

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