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Rivais pela Presidência do Egito compartilham um passado misterioso

Eles estão nos lados opostos do espectro político do Egito. Um deles foi preso pelo governo no do qual o outro era o chefe da inteligência. Agora, ambos querem ser presidentes.

Khairat al-Shater, da Irmandade Muçulmana, e o principal espião de Hosni Mubarak, Omar Suleiman, entraram como candidatos da última hora nas eleições presidenciais, redesenhando o mapa eleitoral a apenas algumas semanas da votação.

Se as pesquisas de opinião forem confiáveis, os dois terão que trabalhar bastante para alcançar Amr Moussa, ex-chanceler egípcio e ex-secretário geral da Liga Árabe, que tem um nome conhecido e faz campanha há um ano.

Tanto Shater como Suleiman, no entanto, devem sair-se bem nas eleições de Maio e Junho. Um é o representante do grupo islâmico que tem o partido mais bem organizado do país e o outro é militar da reserva com laços no establishment, visto por seus simpatizantes como a melhor aposta para encerrar a agitação política.

Apesar das negativas de Suleiman, muitos acreditam que a sua candidatura tenha o apoio do conselho do Exército actualmente no governo.

Com isso, o cenário está armado para uma disputa nas urnas entre um símbolo da era Mubarak e o movimento islâmico banido durante aquele governo.

Shater e Suleiman são considerados pessoas misteriosas, cuja distância do escrutínio público está a ser salientada pela imprensa local depois da confirmação das candidaturas. A voz deles é pouco conhecida pela maioria dos egípcios.

“Os dois pertencem ao mundo do trabalho secreto”, disse o comentarista político Nabil Abdel Fattah. São “dois lados da mesma moeda”, acrescentou o comentarista Ahmed al-Sawy, do jornal Shorouk.

Suleiman, de 76 anos, pouco falava em público antes de ser nomeado vice de Mubarak nos seus últimos dias no governo.

Como chefe da inteligência, o actual candidato recebeu de Mubarak missões diplomáticas importantes, incluindo as questões palestinas. Nos poucos dias em que foi vice-presidente, o seu discurso mais memorável foi o breve anúncio de que Mubarak renunciaria ao cargo, a 11 de Fevereiro.

Shater, um empresário bilionário de 61 anos considerado a força financeira da Irmandade, também actuou nos bastidores.

Os especialistas no grupo vêem-lhe como parte dum braço linha-dura e alguém que age em linha com a tradição de sigilo alimentada pelas décadas de opressão por parte de sucessivos governos.

Ele foi detido diversas vezes, passando no total 12 anos na prisão. “Alguns dizem que Shater é um homem misterioso e que não gosta de comunicar-se com a imprensa”, disse Shater numa entrevista colectiva, Segunda-feira. “Preciso de trabalhar duro para mudar isso.”

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