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Restaurantes da zona nobre de Maputo encerrados por falhas “graves” de higiene

Restaurantes da zona nobre de Maputo encerrados por falhas “graves” de higiene

Foto de Cidadão RepórterO café e restaurante Cristal e a pastelaria ABFC foram nesta terça-feira(28) encerrados pela Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) por falhas “graves” de higiene, juntando-se a outras 20 unidades económicas a nível nacional actuadas devido a várias irregularidades.

No rol de anomalias nocivas à saúde pública, detectadas no local, avultam, grosso modo, problemas como fossas entupidas, cozinha e sanitários sujos, concentração de águas negras na forma de charcos que exalam cheiro nauseabundo para o interior da cozinha, as latas de conservação do lixo em condições inadequadas, o corredor de acesso a cozinha nojento.

Ainda na lista da imundice, figuram problemas como armários sujos, má conservação do refeitório dos trabalhadores, paredes com infiltração de águas, presença de felinos (gatos) que, obviamente, desempenham o papel de “força de intervenção rápida” contra a praga de ratos. Não menos importante, na pauta dos problemas verificados, está o facto de o efectivo de trabalhadores não possuir cartões de saúde, para além de outros problemas graves, como os produtos sem estrados e em contacto com o chão.

A Inspectora Geral da INAE, Maria Freitas, que liderou a brigada que efectuou a ofensiva, disse à imprensa que a decisão de encerrar o restaurante e a respectiva pastelaria é a mais justa devido a gravidade dos problemas constatados.

“Estaríamos a ser injustos se não encerrássemos este restaurante”, disse a inspectora-geral, apontando, a título de exemplo, que não pode ser aceitável a presença de gatos na cozinha de um restaurante, devido ao elevado risco que representa (urina e pelos) aos alimentos que, após a confecção, são servidos aos clientes.

Apesar de os sanitários usados pelos clientes estarem em condições, assim como a faixada do restaurante virada para a área onde ficam os clientes, o mesmo não se pode dizer dos lavados dos trabalhadores que estão em condições deploráveis, com a loiça em estado completamente decrépito.

Desta feita, o Cristal está encerrado ao público, cabendo ao proprietário procurar corrigir as anomalias detectadas e seguidamente contactar o INAE e Direcção de Turismo, que vão verificar o trabalho realizado e, em caso de cumprimento, dar luz verde à sua reabertura.

“Não damos nenhum prazo para a correcção das anomalias, o que proibimos é o exercício da actividade sem a observância das condições de higiene”, disse a fonte, apontando que o valor da multa varia em função do número e da gravidade das anomalias detectadas.

Enquanto isso, Maria Freitas disse que o proprietário do Cristal foi igualmente notificado a comparecer no sentido de dar seguimento o problema desvendado naquela casa de pasto na zona nobre da capital moçambicana.

Só na última semana, a INAE inspeccionou, em todo o país, mais de 622 estabelecimentos comerciais, entre restaurantes e padarias, onde confiscou e ordenou a destruição de vários bens alimentares no valor de 600 mil meticais.

Entretanto o director-adjunto da INAE, Acácio Foia, revelou uma conferência de imprensa, convocada para anunciar as actividades da instituição, que foram encerradas dez padarias, só nas cidades e províncias de Maputo. “Estes factos acontecem nas grandes capitais. Numa das padarias teve que haver intervenção da Polícia, pois os funcionários interditavam a nossa entrada, a mando do dono, apesar de estarmos credenciados”, disse.

Face a esta situação, acrescenta a fonte, ” fomos obrigados a contactar a unidade policial mais próxima. Feito isto, invadimos o local e constatamos que era imundo.” “Há agentes económicos que vão se preparando no sentido de se precaver, mas há outros que mesmo com as inspecções continuam indiferentes”, lamentou.

Durante as actividades de inspecção das padarias, a INAE e o Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ) constaram que algumas padarias não têm colocado os gramas de pão estabelecidos por lei, enganando, deste modo, os consumidores. “Do trabalho feito foi constando que num universo de 15 padarias nove forneciam o pão abaixo do peso recomendado, principalmente no pão de 200 gramas. Um pão que devia pesar 200 gramas tinha uma diferença de 53 gramas. Com estes gramas, este pão devia ser vendido a dois meticais”, disse o director do INOQ, Alfredo Sitoe, acrescentando que em situações similares as padarias são multadas.

No âmbito destas actividades inspeccionais, a INAE já encerrou várias padarias e restaurantes de renome na cidade de Maputo devido às péssimas condições de higiene.

 

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