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Renamo ameaça desencadear manifestações em Sofala

A Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, ameaça desencadear, a partir desta semana, manifestações populares em toda a província central de Sofala, em protesto contra o que designa de recusa de diálogo, no âmbito de alegadas negociações em curso, por parte da Frelimo, partido no poder.

Manuel Lole, delegado político provincial do partido de Afonso Dhlakama em Sofala, diz que tal situação surge “a pedido da população desta região do país, da qual recebemos várias petições para o arranque das manifestações populares para desalojar a Frelimo do poder”.

Lole é citado pelo jornal “Diário de Moçambique” como tendo dito em conferência de imprensa que a decisão surge pelo facto de os membros do seu partido entenderem que ao contrário da interpretação que a Frelimo faz de que as negociações visam rever o Acordo Geral de Paz (AGP), elas são para discutir a implementação do mesmo”.

“Não estamos para discutir se o Acordo naquela altura foi bem ou mal feito, estamos a discutir a sua implementação. O que é que o AGP, fundamentalmente tratou?”, questionou, para depois avançar que “tratou-se da democracia e essa democracia no AGP foi interpretada primeiro como eleições livres, justas e transparentes, que nunca aconteceram no país”.

Refira-se que todos os processos eleitorais realizados no país depois do Acordo Geral de Paz, rubricado entre o Governo e a Renamo em 1992 em Roma, Itália para acabar com a guerra dos 16 anos foram consideradas pelos observadores nacionais e estrangeiros, de livres e justas, bem como por toda a comunidade internacional.

“A população de Sofala está impaciente com a Frelimo porque está a ver todos os seus recursos naturais a serem delapidados, a serem exportados em bruto”, disse Lole, acrescentando que a juventude está agastada com a Frelimo por causa do desemprego. Lole disse ainda que todos os potenciais recursos da província de Sofala, incluindo a exploração dos portos e aeroportos não traz benefícios para a população de Sofala.

“Já que a Frelimo recusa-se a dialogar, e nós (Renamo) aqui na província de Sofala desempenhamos um papel muito importante desde o início da luta pela democracia, tomamos a dianteira de aceitar o pedido das populações de imediatamente arrancarmos com as manifestações. Por isso, vamos, a partir desta semana, desdobrar brigadas para todos os distritos para prepararem as populações para as manifestações a iniciar já neste mês de Abril”.

Lole observou que “estamos a fazer este alerta através da comunicação social para chamar a atenção a todos os moçambicanos que tomamos a iniciativa de diálogo, mas estamos a encontrar resistência por parte do partido no poder. Sendo assim, não terão outra solução senão o incitar as populações à desobediência civil”.

“Não temos medo de morrer porque nós somos sobreviventes de outros nossos companheiros que morreram pela causa da democracia. Conhecemos o nosso potencial, por isso, não temos medo nem da polícia nem de qualquer outra força que venha a ser utilizada para reprimir as manifestações”, disse. Frise-se que tem sido uma constante da Renamo a ameaça de manifestações, sobretudo nos períodos que se seguem às eleições.

O próprio líder da Renamo, Afonso Dhlakama, chegou a ordenar que os deputados pela bancada deste partido não tomassem posse na Assembleia da República, o que à partida não foi cumprido por 16 dos 51 parlamentares e acabaram ocupando os seus assentos todos eles no ano passado.

Em Sofala, depois de ter conseguido 18 assentos dos 21 em 1994 e 17 em 1999, o partido de Dhlakama tem estado a perder a sua popularidade.

Nas últimas eleições, baixou para cinco deputados e já não está a governar em nenhuma autarquia do país depois de ter perdido os municípios de Nacala, Beira, Marromeu, Angoche e Ilha de Moçambique.

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