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Regresso às aulas em Moçambique durante a covid-19, “a maioria das nossas escolas não tem água corrente, não tem água disponível”

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São cada vez mais as vozes da sociedade civil urbana a pressionar o Presidente da República para levantar a suspensão de aulas em Moçambique. A Directora Nacional de Qualificações Profissionais na ANEP afirmou que a pandemia da “covid-19 escancarou fragilidades que temos na nossa sociedade”, particularmente a realidade da “maioria das nossas escolas não tem água corrente, não tem água disponível, não tem casas de banho disponíveis”. Ida Alvarinho questionou “como é que é possível que as nossas crianças, os nossos adolescentes e os nossos jovens façam um acto tão simples como lavar as mãos com água e sabão”?

No painel que encerrou a Conferência Científica de 2 dias sobre a covid-19, organizada pelo Instituto Nacional de Saúde, e que tinha como temática os impactos da pandemia no nosso futuro a académica Ida Carrilho Alvarinho começou de declarar  que o novo coronavírus “escancarou algumas fragilidades que temos na nossa sociedade”.

A Directora Nacional de Qualificações Profissionais na Autoridade de Educação Profissional (ANEP) centrou-se nas fragilidades do sector que conhece. “Uma das grandes fragilidades das nossas escolas é a questão da higiene particularmente ligada à falta de água. Como é que é possível que as nossas crianças, os nossos adolescentes e os nossos jovens façam um acto tão simples como lavar as mãos com água e sabão”.

“A maioria das nossas escolas não tem água corrente, não tem água disponível, não tem casas de banho disponíveis, como é que se educa uma criança em regras de higiene e a base da higiene é a água. Isto leva-nos também a questão da construção das escolas, muitas vezes a escola é construída em algum lugar porque a população pediu mas será que aquele local é apropriado, tem alguma fonte de água próxima, qual é o tipo de investimento que temos de fazer”, questionou.

Ida Carrilho Alvarinho alertou “se nós quisermos retomar as aulas presenciais temos grandes problemas: primeiro de distanciamento das pessoas que não é possível respeitar, temos salas de aulas cheias gente; segundo é a questão da higiene”.

“É evidente que um investimento desta envergadura não pode acontecer de hoje para hoje, mas não é só atendermos à covid. A falta de água e a falta de higiene nas escolas está directamente ligada a uma série de outras doenças. A covid-19 chegou para destapar este véu e mostrar que temos de fazer qualquer coisa diferente na área da Educação”, constatou a Directora Nacional de Qualificações Profissionais na ANEP.

“Somos todos iguais, mas há uns mais iguais que outros e isso agora ficou muito claro”

Para a académica moçambicana, além de melhorar os processos de construção das escolas, “devíamos resgatar aquilo que já tivemos boas experiencias de envolvimento da comunidade, quer em termos familiares, sociais, empresariais, o que for, na gestão das escolas. Nós deixamos ficar nas escolas os nossos maiores tesouros, as nossas crianças, os nosso filhos, pensamos que pagamentos propinas ou propinas simbólicas e temos que exigir um serviço e não acompanhamos mais o que se passa naquela escola”.

“Tem condições, vamos apoiar, fazer parte da solução. E nós já tivemos, depois da independência, exemplos muito interessantes em que a comunidade mesmo não tendo filhos naquela escola interessava-se pelo andamento da escola. Temos visto casos agora, até degradantes, de pais que só se interessam pela escola se vão pagar a propina ou não nestes tempos de aulas não presencial, é só um negócio que nós queremos da escola”, problematizou

Para Ida Carrilho Alvarinho “podemos dizer que eu pago impostos ao Estado, temos o direito de exigir mas também temos os nossos deveres como cidadãos e como, de alguma maneira, pais ou o que seja sobre o que se passa naquelas instituições sobre aqueles que vão ser o nosso futuro”.

A Directora Nacional de Qualificações Profissionais na Autoridade de Educação Profissional sugeriu a necessidade de um Estado solidário, “não apenas em pequenas campanhas. E se a fome e a malária fossem vírus altamente contagiosos, nós não teríamos já defendido mais as campanhas para que haja lanche escolar e para que se acabe com a má nutrição? Porque se a má nutrição de uma criança provocasse mal em mim talvez ou tivesse um outro comportamento”.

“Mas eu faço parte de alguma instituição ou de uma empresa e o Estado solidário é uma cadeia de solidariedade até aos órgãos de tomada decisão. Somos todos iguais, mas há uns mais iguais que outros e isso agora ficou muito claro”, concluiu Ida Carrilho Alvarinho.

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