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Reclamação: descontentamento em relação aos descontos coercivos no Ministério do Interior

Boa tarde, Jornal @Verdade. Sou um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) afecto ao Ministério do Interior. Gostaria, através deste espaço, de manifestar o meu descontentamento em relação aos descontos coercivos de 300 meticais mensais nos salários dos trabalhadores, desde Janeiro deste ano, alegadamente para ajudar as vítimas das cheias no país.

Estas deduções compulsivas estão a causar agastamento no Ministério do Interior porque a maior parte dos funcionários abrangidos pela mesma medida enfrenta muitas dificuldades para cobrir as despesas das suas famílias.

O que mais me preocupa é o facto de não ter havido antes um aviso sobre a necessidade de se efectuar descontos nos vencimentos dos membros da PRM com a finalidade de apoiar os compatriotas que se encontram em situação difícil por terem perdido os seus haveres em consequência das enxurradas.

Os trabalhadores só tiveram explicações sobre os descontos e o destino a dar aos montantes resultantes dessa decisão arbitrária quando foram reclamar junto da direcção do Ministério do Interior.

Sabemos que há milhares de moçambicanos que precisam de apoio, mas diminuir o salário de alguém sem informar com antecedência revela arrogância dos nossos superiores hierárquicos.

Acho que o valor deduzido é muito para um polícia que ganha um vencimento que nem sequer cobre as necessidades básicas do seu agregado familiar.

Temos filhos por cuidar e enfrentamos dificuldades para lhes alimentar pelo menos por duas semanas depois do ordenado. Porém, ainda somos penalizados com esses cortes.

Acho que poderíamos contribuir de outras formas para ajudar os nossos irmãos como, por exemplo, através de doações de peças de vestuário, de alimentos não perecíveis e produtos de higiene.

Talvez iríamos gastar apenas metade dos 300 meticais que são abatidos dos nossos honorários. Acho que a injustiça é enorme e estamos a ser roubados.

Resposta

Sobre este assunto, a nossa Reportagem ouviu o porta- voz do Comando-Geral da PRM, Pedro Cossa. Este disse que as queixas do polícia que nos contactou não constituem verdade.

No Ministério do Interior não há nenhum desconto nos salários dos trabalhadores para ajudar as vítimas das inundações. Nas suas palavras, o que está a acontecer é uma campanha de solidariedade para com as vítimas das enxurradas e cada membro contribui, sem imposição nenhuma, com o que estiver ao seu alcance.

Segundo Pedro Cossa, não existe espaço para que possa haver deduções coercivas nos ordenados dos agentes da Lei e Ordem.

Num outro desenvolvimento, o porta-voz do Comando- Geral da PRM explicou que anualmente, no período chuvoso, é normal os membros da corporação juntarem alguns bens para oferecê-los aos cidadãos que em consequência das cheias tenham perdido os seus bens.

Acrescentou que caso haja algum agente da Polícia que tenha sofrido um desconto de 300 meticais supostamente para apoiar as vítimas das inundações tem o direito de reclamar junto ao departamento dos Recursos Humanos para que a justiça seja feita.

Entretanto, Cossa disse que aconselha aos agentes da Lei e Ordem a aderirem à campanha de solidariedade no sentido de atenuar o sofrimento de milhares de moçambicanos que precisam de assistência.

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